Após 19 anos agitando a noite e a madrugada mogiana com o melhor do rock, o Buxixo, uma das casas noturnas mais antigas da cidade, fecha as portas em definitivo. Após uma tentativa de retorno neste cenário pandêmico, o estabelecimento decidiu “passar o ponto” já tradicional ao número 1708 Avenida Capitão Manoel Ruge.

O comunicado foi feito pelo Facebook oficial da casa, conhecida pela sigla BXX. A nota informa que os representantes do local fizeram “o possível para sobreviver no período de isolamento”, mas com o regresso do Plano SP de Retomada Econômica à fase amarela ficou complicado seguir com as portas abertas.

https://odiariodemogi.net.br/noticias/ap%C3%B3s-19-anos-o-buxixo-decide-fechar-as-portas-em-mogi-das-cruzes-1.5202

A O Diário, o empresário Renato Nogueira, mogiano, 45 anos, comentou que a situação estava impraticável. Quando fechou a casa em março, no início da pandemia, ele pensava em “reabrir somente depois da vacina”.

No entanto, tentou “fazer como os bares da capital”, mas esbarrou numa dificuldade: a proposta da casa, que costumava abrir às 22 horas, com shows a partir da 00h30 e público consumindo madrugada adentro.

Cinco shows foram organizados no endereço em novembro, com capacidade e horário reduzidos. O número de pessoas, porém, ficou aquém do necessário para o equilíbrio financeiro da casa. “Só no primeiro dia não tivemos prejuízo, e depois da notícia de ontem (sobre a fase amarela), decidimos fechar”.

Segundo ele, o público do Buxixo já vinha diminuindo, mesmo antes da pandemia. “Depois que começaram a abrir bares em Suzano, o público de lá e de Poá, por exemplo, começou a deixar de vir. Acredito que quem está comentando nas redes sociais, por mais triste que esteja, já não frequentava mais”. 

Para ele, o retorno à rigidez das medidas de segurança vieram em um "momento político muito forte". "Agora, sem as eleições, não haverá mais 'vista grossa' para os estabelecimentos. Assim que o Doria (João, governador do Estado) liberar, as coisas voltam ao normal. Por enquanto vamos pagar um preço caro, como se o vírus só fosse transmitido após as 23 horas". 

Além desta avaliação, Renato explicou em detalhes a situação financeira do empreendimento. “Quando fechamos, tínhamos 10 funcionários registrados. Decidimos desligar todos eles, para que pudessem receber fundo de garantia e rescisão, para que pudessem sobreviver. Para isso, pegamos o dinheiro do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte)”, conta.

Além deste custo, a casa tem de arcar com despesas fixas, como aluguel, água, luz, IPTU e contador. Juntos, estes itens somam um gasto fixo “de R$ 10 mil mensais”, que ficam complicados de serem mantidos quando, já há praticamente oito meses “não há receita”.

Legado

“Estou passando o Buxixo, mas vai ser uma pena se o endereço tiver outro estilo”. A cidade então fica carente de um endereço que acolha o rock e seus fãs, os roqueiros? 

“Sim. Acabou, infelizmente. É uma judiação, mas por outro lado quando um negócio fecha criam-se outras oportunidades”, opina Renato, que revela estar “tranquilo”, porém “surpreso”.

Poucas horas após a publicação da nota oficial, já se somavam quase 700 comentários e o mesmo número de compartilhamentos. “As pessoas estão sentindo uma perda muito grande, mas fica a oportunidade para alguém trazer o rock de novo para a noite mogiana”. 

Outra surpresa, segundo o proprietário, são as ligações em busca dessa tal “oportunidade”. 

“Já me ligaram sete ou oito pessoas interessadas em ouvir mais sobre o negócio. Eu sabia que seria uma loucura, mas está sendo emocionante tudo isso”, encerra ele, que já foi proprietário do Cantagalo Bar, também na praça Norival Tavares, e que continua à frente da Carmela Pizzaria,  instalada na Rua Carmela Dutra, no Parque Monte Líbano.