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O Diário já assistiu: leia a crítica de 'Avatar: O Caminho da Água'

Com bons visuais e história impactante, sequência da obra de James Cameron consegue manter o espectador emocionado durante todo o longo tempo de filme (3 horas e 12 minutos)

Heitor Herruso
23/12/2022 às 13:34.
Atualizado em 23/12/2022 às 13:34
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O Diário já assistiu: leia a crítica de 'Avatar: O Caminho da Água'

Com bons visuais e história impactante, sequência da obra de James Cameron consegue manter o espectador emocionado durante todo o longo tempo de filme (3 horas e 12 minutos)

Heitor Herruso
23/12/2022 às 13:34.
Atualizado em 23/12/2022 às 13:34

Na guerra não há sorrisos. Ficar de pé e manter vivo quem se ama é a única missão, custe o que custar. É duro, brutal, frio e triste. ‘Avatar: O Caminho da Água’, que está em cartaz no cinema de Mogi das Cruzes, no Mogi Shopping, explora muito bem este contexto e consegue emocionar durante todo o longo tempo de duração (3 horas e 12 minutos), entrando para a lista dos mais bem feitos e bem-sucedidos filmes do ano e da década, apesar de não ser palatável a todos os públicos, tendo grande foco em amadurecimento, morte e legado, além de causas ambientais e culturais.

(Divulgação)

Vale contextualizar. Esta é a aguardadíssima sequência de ‘Avatar’, filme lançado em 2009, idealizado e dirigido por James Cameron. E assistir ao longa original antes de ir ao cinema é essencial para refrescar memórias ou ativar emoções que estavam guardadas há 13 anos.

Esta crítica, inclusive, assume que a primeira parte da história já é conhecida do leitor. Se lá a emoção era traduzida por um humano, Jake Sully, que se apaixonou pelo planeta Pandora e pela cultura Na'vi, aqui o elo de conectividade com o espectador ainda é ele, mas por outra ótica. Radicado como fosse nascido naquele ambiente, por ali viveu 10 felizes anos. Constituiu família com Ney'tiri, teve cinco filhos. Sagrou-se como o grande líder. Vivia em paz. Mas tudo isso está ameaçado, como mostra o trailer que acompanha esta crítica.

Apesar de se passar em um futuro distópico, em que a Terra está destruída e os humanos apostam na exploração espacial para sobreviverem, ‘O Caminho da Água’ é um filme sobre coisas essencialmente reais e assustadoramente próximas.

Jake é um pai que, na tentativa de salvar aos seus e a nação, engole o próprio orgulho e decide se exilar. Pede morada em outra tribo, cujos costumes são completamente diferentes. Aceita o que for preciso para manter vivas as pessoas que ama, e nesse processo, sente dor. Mas é necessário sacrificar tudo. Não há outra alternativa.

Isso porque o “povo do céu” retornou. Dessa vez, não apenas como humanos, mas também como “avatares”. E está aqui o defeito do filme, solução boba para retornar com o vilão da produção original, quando isso não era preciso. O coronel Miles Quaritch não faria falta. Mas ele volta, rejuvenescido e mais forte, com a consciência transportada para um corpo construído à imagem dos Na'vi.

Para sentir as emoções da trama, é preciso aceitar esta desculpa esfarrapada. É o mito do herói, e portanto vai ali, goela abaixo, o grande antagonista. Vida que segue, tanto para a audiência como para Jake Sully, que descobre, do pior jeito possível, que o inimigo está de volta.

Miles invade Pandora e consegue sequestrar os filhos de Jake e Ney'tiri, mostrando o quanto os protagonistas amadureceram. Antes jovem apaixonado e com sede de vingança, o casal agora tem a missão de defender a família. E como em tantas histórias, a família será o ponto fraco, mas também o ponto forte. É como eles dizem: “os Sullys ficam juntos”, seja na alegria ou na dor.

Quando Jake vê que o objetivo do “povo do céu” é eliminá-lo primeiro, para depois tomar Pandora, faz o que qualquer pai faria. Põe os filhos em primeiro lugar e foge, em busca de um lugar seguro. Mas essa é uma atitude ingênua, quando na guerra.

Esposo, esposa e filhos vão, então, pedir abrigo na tribo subaquática Metkayina. É um lugar não explorado no primeiro filme. Não há terra ou árvores, somente água. As caudas dos nativos são maiores, os braços mais largos. Eles não pulam em galhos ou voam em montarias, e sim nadam, respiram embaixo d’água e guardam relação especial com o mar.

Em 2009, ‘Avatar’ impressionou com visuais riquíssimos, efeitos 3D incríveis e tecnologia de ponta, que segue atual ainda hoje. A sequência não poderia ser diferente e repete a dose, com direito a efeitos e detalhes como a textura da pele, que absorve as gotas de água e reage ao vento. Mas aqui, mesmo quando há alegria na tela, a tristeza está escondida, como fosse a lua tapando o sol em um eclipse.

Isso porque quando o filme apresenta belas paisagens, a exemplo dos mares onde há muita vida, como corais, peixes e baleias gigantes, o espectador atento já percebeu que aquilo será, em breve, destruído. Momentos antes, o enredo brilhantemente deixou claro, embora não tenha dito com todas as letras: a guerra vai chegar ali, vai tomar conta de tudo. Não é possível fugir, ou se esconder. Lutar é a única opção.

(Divulgação)

E é por isso que, no cinema, ao assistir ‘O Caminho da Água’, lutar contra as lágrimas que vem ao rosto é inútil. Quem quer ver, verá. A luta entre humanos e Na'vi representa embates da vida real. A causa ambiental permanece no centro da trama, que outra vez apresenta elenco impecável.

Sam Worthington é Jake Sully; Zoë Saldaña é Ney'tiri; Kate Winslet é Ronal, a líder dos Metkayina; Stephen Lang é o vilão. E por aí vai. A lista é grande, assim como é grande a influência da cultura afro, com referências a costumes africanos, e assim como estão ali sentimentos e expressões faciais e corporais reais.

E muito do roteiro gera identificação. Exemplos são os filhos dos protagonistas, que assim como os humanos, são adolescentes e tomam muitas decisões erradas. Há discussão sobre a criação deles, e ainda espaço para divergências ideológicas entre o casal de protagonistas, ao mesmo tempo em que fica clara a sintonia entre Jake e Ney'tiri, isso apenas no olhar. E mais uma vez as lágrimas vem, ignorando falhas como o já citado vilão, que esquece dos objetivos de guerra e torna tudo pessoal demais.

(Divulgação)

Como da primeira vez, ‘Avatar’ não é um filme para todos, embora todos devessem assisti-lo. Aguentar 3 horas e 12 minutos na cadeira do cinema não é fácil, mas a experiência compensa. Há quem diga ser um produto “chato”, longo demais, lento demais. Mas também há quem enxergue a beleza da produção, que é riquíssima em detalhes visuais e mensagens importantes e mostra, no final de tudo, beleza até mesmo na tristeza.

O filme está em cartaz no cinema de Mogi das Cruzes, no Mogi Shopping, com várias sessões, tanto em 2D como em 3D. Para conferir os horários e também comprar ingressos e itens da bomboniere, como pipocas e refrigerantes, basta acessar o site da rede Cinemark e selecionar Mogi das Cruzes como a cidade desejada.

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