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O Diário já assistiu a história da boneca assassina: leia a crítica de 'M3gan'

Filme atualiza as definições do gênero e vai além do terror e da violência ao apresentar roteiro bizarro, mas sólido e convincente

Heitor Herruso
24/01/2023 às 14:29.
Atualizado em 24/01/2023 às 14:45
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O Diário já assistiu a história da boneca assassina: leia a crítica de 'M3gan'

Filme atualiza as definições do gênero e vai além do terror e da violência ao apresentar roteiro bizarro, mas sólido e convincente

Heitor Herruso
24/01/2023 às 14:29.
Atualizado em 24/01/2023 às 14:45

Surpreendeu positivamente. Esse é o veredito de O Diário para ‘M3gan’, longa-metragem que está em cartaz no cinema de Mogi das Cruzes, no Mogi Shopping, e atualiza com sucesso as definições de “filme de boneco assassino”. Para além do suspense, do terror e da violência, a produção apresenta uma história sólida e convincente, que apesar de não ser uma obra-prima, dá margem à continuação e consequentemente à construção de uma franquia.

“Maravilha da inteligência artificial, M3gan é uma boneca realista programada para ser a melhor amiga de uma criança. Uma robótica brilhante dá a sua jovem sobrinha um protótipo desses, mas a máquina logo se torna violenta”. Ao ler esta sinopse (e também ao ver o trailer que acompanha esta crítica), o roteiro pode parecer fraco. Mas não é!

Quem vai ao cinema espera uma receita pré-pronta de violência imediata, mas encontra uma história pautada pelo drama, pelo desejo de ambição profissional da protagonista e pela crítica ao avanço descontrolado da tecnologia e ao uso deliberado de dispositivos como smartphones pelo público infantil.

Tudo isso é interessante, mas exige bastante da suspensão de descrença do espectador. Afinal, além de ser uma boneca por enquanto impossível de existir no mundo real, as situações apresentadas são típicas de filmes de terror, com as clássicas decisões ruins e/ou no mínimo questionáveis dos protagonistas.

 A sequência dos fatos

(Divulação)

Uma grande nevasca pega de surpresa um casal que levava a filha para a tão sonhada viagem para esquiar no inverno. Sem ver o que está à frente, atrás ou ao lado do carro, eles são atingidos por um caminhão e morrem. Por estar no banco de trás, a criança sobrevive. Não é spoiler, já que está nos momentos iniciais da trama.

Destaque para o que havia no veículo antes do acidente. Um brinquedo ao melhor estilo do “furry”, que pode, inclusive, enganar quem está assistindo. A produção começa com um muito bem feito anúncio deste brinquedo fictício, gerando a dúvida: é o início mesmo ou uma propaganda?

Mas sim, é o começo. E no pós-acidente fica claro o porquê daquela exposição. A criança é Cady (Violet McGraw), que passa a ter a tia, Gemma (Allison Williams) como tutora. É justamente a mesma tia que havia lhe dado de presente o “furry”, e isso porque ela trabalha na fábrica do brinquedo e convenientemente também é a responsável pela inovação na linha de produtos infantis.

O filme mostra que ela está em crise, tanto pessoal como profissional. Se por um lado precisa lidar com o fato de ter que cuidar de uma criança, por outro precisa manter a cabeça firme para criar um novo brinquedo que seja lucrativo à companhia.

Gemma tem um projeto ambicioso: uma boneca que interage em tempo real, dando respostas que vão além das outras do mercado. Não são falas pré-programadas, e sim uma inteligência que aprende na base do machine learning, conceito que é explicado de maneira superficial, mas eficiente no filme. 

Basicamente, o robô desenvolvido por ela vai aprendendo com o comportamento do usuário, e sendo assim passa a entendê-lo, ouvi-lo e – porque não, não é mesmo? – protegê-lo.

De volta ao filme, para proteger Cady, a sobrinha que sem querer acaba virando uma cobaia para o teste do novo brinquedo, a M3gan faz de tudo. Inclusive, e potencialmente, matar. 

 Bizarro na medida certa

(Divulgação)

Por este enredo, merece os parabéns o diretor Gerard Johnstone, que soube valorizar as expressões de todos, inclusive da boneca, que é estranhamente humana apesar de ser um robô, mas principalmente merece ser reconhecida a roteirista Akela Cooper, que soube transformar um típico thriller sanguinolento em um thriller envolvente, ainda que bizarro, mas na medida certa.

Sim, não tenha dúvidas. É bizarro e chega a ser engraçado ver a boneca dançando, cantando e também dando respostas atravessadas aos adultos. Mas é tudo tão bem construído que não chega a ser uma situação incrédula, como em ‘A Órfã 2’, que O Diário também assistiu e escreveu uma crítica.

Em ‘A Órfã 2’, a vilã não convence, por ser claramente uma adulta interpretando uma criança assassina (ou melhor, uma adulta mesmo, mas com aparência infantil). Mas aqui, a coisa é outra. M3gan convence como boneca, e a telona do cinema facilita este entendimento. Dá para ver os dedos de silicone dela, a boca esteticamente dura e o cabelo claramente falso, além dos olhos grandes e dos movimentos bruscos, mecânicos. Mas ao mesmo tempo há traços humanos ali. 

Isso porque a jovem atriz, dublê e dançarina Amie Donald, é a responsável pelo movimentos da boneca, enquanto Jenna Davis é a atriz de voz. Boas escolhas.

O resultado é um filme que não cansa ao longo dos 100 minutos de duração, tempo este que sabe respeitar o espectador, que foi ali para ver a boneca assassina em ação, mas que também não quer tudo entregue de bandeja.

É preciso, antes da matança, gerar envolvimento com a criadora da boneca, com a sobrinha dela e com a própria M3gan. E isso acontece.
A robô se preocupa até mesmo em responder a uma recorrente dúvida em produções do gênero, como em toda a franquia ‘Chucky’: por quê ninguém dá uma rasteira e chuta estes bonecos todos? 

M3gan é feita de um material pesado, e além da engenharia tecnológica que confere a ela um cérebro pensante, a vilã tem mais força que um adulto. E a vantagem, em cima de outros concorrentes, é que tem ainda acesso ao Google, então sabe sobre tudo e todos os assuntos possíveis e imaginários.

 Veredito

(Divulgação)

'M3gan' não se esquece de provocar terror, como sugere a classificação indicativa, de 14 anos, que adianta “violência, medo, e linguagem imprópria”. Mas a esta descrição adicione também “sangue” e “tensão", e não leve crianças à sala de cinema. Para elas, há outras opções, como ‘Gato de Botas 2: O Último Pedido’. 

Aos adolescentes e adultos: o segredo para curtir a experiência deste filme é saber o que esperar dele, que não foge à premissa de boneca assassina, mas vai além e entrega mais, se tornando bom entretenimento que não aposta em sustos ou violência generalizada, mas sim em situações inusitadas e bizarras.

O filme está em cartaz no cinema de Mogi das Cruzes, no Mogi Shopping, com sessões em 2D. Para conferir os horários e também comprar ingressos e itens da bomboniere, como pipocas e refrigerantes, basta acessar o site da rede Cinemark e selecionar Mogi das Cruzes como a cidade desejada.

  

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