“O que cala no seu silêncio, no seu escuro / É tudo aquilo, o que não quer ver / É o que ainda está acontecendo”. Essa reflexão está inclusa no samba ‘Seu Silêncio’, nome que também estampa a capa do disco solo do artista Thiago Costa, mogiano, ator, gestor cultural, cantor. O material foi gravado pelo Estúdio Municipal de Áudio e Música (Emam) e já está disponível ao público, em versão física.

Descrever o disco -que já pode ser adquirido diretamente com seu autor, e que deve estrear nas plataformas digitais em dezembro -é uma tarefa difícil. 

Musicalmente falando, ele abre com um samba, mas segue com um som que lembra baião, que vira um poema musicado na faixa seguinte.

A sonoridade adquire, depois, tom mais pop. Retorna ao tradicional com violão que sugere MPB e Bossa Nova. Ganha nova energia, alimentada pelo estilo rock. Relaxa com piano. Recebe também influência meio jazz, meio soul. Apresenta algo mais próximo do interior nordestino. E por fim suaviza numa balada romântica.

Tarefa igualmente complicada é falar das outras artes que envolvem ‘Seu Silêncio’. As fotos de Mauricio Noro exibem o artista, protagonista disso tudo, em sua forma mais simples, mais pura: nu, como veio ao mundo, acompanhado apenas de um buquê de flores. 

Já na imagem impressa no disco, um jogo de palitos, daqueles que crianças costumavam brincar antes da popularização dos smartphones

Em vez de tentar encaixar o trabalho numa definição, o melhor é tentar entender que, poético e interpretativo, ‘Seu Silêncio’ só poderia vir agora, 13 anos depois da estreia de Thiago na música, com o álbum ‘Retrato Falado’, da banda Estado Paralelo. Só poderia vir agora, 11 anos depois de sua iniciação nas artes cênicas, pelo Galpão Arthur Netto, onde ainda participa da gestão. 

O “silêncio” é particular, explica ele. “Na hora que você silencia e vai deitar na cama, por vezes pensa em tudo o que já passou e o que está por vir. A música veio desses pensamentos, de uma crítica ao ‘cala boca’ artístico que está rolando nos últimos anos”, define, sobre a composição em parceria com a também mogiana Valéria Custódio.

A partir daí, o álbum não para de apresentar críticas, pensamentos, reflexões. Em ‘Periférico’, por exemplo, a pergunta é forte: “quem leva ou é levado?”. Em ‘Meu Esconderijo’, a mensagem é sobre algo interno. ‘Eu morro, escondo. E o que vivo? Eu só sonho’, canta Thiago.

Novas reflexões podem ser ouvidas em ‘Renda-se’, canção que mostra que “Não importa quem errou; não importa o que passou”, ou em ‘27 de Junho’, com a dúvida “Queremos socorro, nem sabemos de quê”. E há ainda outros vários versos peculiares.

Nas palavras de seu autor, que mostra músicas teatralizadas, que contam histórias, ‘Seu Silêncio’ é que é “um disco maduro”. “Conforme o tempo vai passando, a gente aprende a fazer melhor, com senso crítico. É um trabalho sem estilo rítmico definido, e é libertador. A escolha do repertório foi bem pensada de modo dramatúrgico, por um ator de teatro com 40 anos”, finaliza Thiago Costa, que se formou Engenheiro Civil antes de enveredar pelo caminho artístico. A vida sabe o que faz.