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'Mogi por Dentro': projeto revela segredos turísticos e culturais da cidade

Financiados com recursos da Lei de Incentivo a Cultura, os roteiros do Mogi Por Dentro expandem os horizontes e além do Centro e parques urbanos se voltam para a zona rural, para os bairros distantes, para as serras do mar e Itapeti

Heitor Herruso
07/10/2022 às 15:44.
Atualizado em 09/10/2022 às 21:02

Projeto mostra o turismo e a cultura de Mogi pelos olhos de quem conhece bem a cidade (Divulgação - Sérgio Martins)

Centro histórico, Taiaçupeba, Serra do Itapeti, Quatinga, Cocuera e Sabaúna. Em uma primeira rodada de passeios, o projeto Mogi Por Dentro passou por todos estes lugares, revelando paisagens e atrativos turísticos locais que pouco são falados. O Diário havia antecipado como seriam as atividades, que tiveram o apoio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), e agora mostra os resultados.

Em dois meses de atividades, foram desenvolvidos sete roteiros, além de um especial, com foco em cicloturismo, em parceria com o projeto Pedalar, na Avenida Cívica. Os pacotes de atividades são chamados de “famtours”, ou “Tours de Familiarização/Experimentação”, como explica a idealizadora Debora de Souza Mello, que é formada em Lazer e Turismo pela Universidade de São Paulo (USP), trabalha como guia e é membro do Conselho Municipal de Turismo (Comtur).

O nome pode não ser muito comum, mas o conceito é simples. “São eventos voltados para as agências e para os guias de turismo, para que eles conheçam o roteiro antes de vende-lo”, diz Debora. Em outras palavras, são passeios montados para revelar Mogi das Cruzes não apenas para o turista que vem de fora, mas também e principalmente para o mogiano, para a mogiana.

(Divulgação - Sérgio Martins)

‘Mogi Por Dentro’ é sim visitar as igrejas históricas e ver as belezas naturais. Mas é mais que isso. Em três etapas (planejamento, sensibilização para o turismo, e definição dos roteiros), Debora captou parceiros, na crença de que os roteiros são feitos de pontos turísticos, mas também de pessoas, como espaços culturais, meios de hospedagem e alimentação, artistas, recreadores, pesquisadores. 

E ao longo do processo, o grupo percebeu que estas pessoas, apesar de dominar cantos inusitados da cidade, não se conheciam. Então eles também foram incluídos nos passeios uns dos outros, o que contribuiu para o retorno positivo dos famtours, que já estão sendo comercializados por agências de turismo da capital paulista.

As sete rotas foram escolhidas por geolocalização (veja fotos na galeria abaixo e também no Instagram @mogipordentro). “Mogi é muito grande, então dividimos entre sete roteiros, de distritos diferentes e sub-regiões”, explica Debora, que conta também a importância de um endereço da região central: a Vila Helio, administrada pelo grupo Marbor, patrocinador das atividades.

“Além de ser um lugar com infraestrutura completa de acessibilidade, segurança, estacionamento, hotel, memorial e centro de eventos, serve como ponto inicial para os roteiros, já que está na área central”, continua ela.

Depois de se reunir lá, o grupo partia para os diferentes destinos. Em cada um deles há algo para se destacar. No Centro Histórico, por exemplo, além da arquitetura e curiosidades sobre a fundação de Mogi, marcou a participação de artistas, como a Orkestra Rizomática Afro Atlântica e Marco Guerra, que apresentou, ao ar livre, uma performance de Palhásofo Platinho, o palhaço filósofo.

No passeio em Cocuera houve dois cafés da manhã, complementando as paisagens com experiências gastronômicas. E no roteiro da Moralogia, que foi o mais longo, com 10 horas de duração, havia muito para ver e aprender, já que os traçados desenhados pelo projeto fogem do comum.
“Mogi começa no Taboão, e não na Mogi-Dutra, na estátua da Ponte Grande. A ideia é trazer os bairros para dentro de Mogi, como um todo, a área rural, estradas de terra. Quatinga e outros lugares em que a gente foi são tão distantes que muitos nem sabiam que ali era Mogi, pois não chega ônibus, internet. Mal chega CEP e são lugares maravilhosos, que merecem tudo que uma cidade precisa”, defende Debora.

Para que estes conceitos não se percam com o fim dos famtours, o projeto prevê um mapa artístico da cidade. Não necessariamente fiel em escala, o produto final será fiel em traduzir os potenciais turísticos e culturais, “causando sensibilidade no olhar do mogiano ou de quem estiver vendo a extensão da cidade, a quantidade de área verde que temos, que vai muito além do que se vê quando no alto do Pico do Urubu e abrange a Serra do Itapeti e a Serra do Mar”.

(Divulgação - Sérgio Martins)

Com muitos ícones que revelam não apenas os locais visitados durante os roteiros como também os parceiros que integram o Mogi por Dentro, o mapa será impresso e distribuído gratuitamente em breve, como uma contrapartida à sociedade. 

Outra contrapartida, esta para rede de parceiros, é a produção audiovisual, que está sendo finalizada. Não apenas no Centro, mas em todos os destinos houve ao menos uma apresentação/performance, e essas imagens, assim como os vídeos das atrações, com curiosidades e informações relevantes, serão cedidas aos integrantes e também disponibilizadas no YouTube, como minidocumentários.

 PRÓXIMA PARADA

O primeiro ciclo do Mogi por Dentro, financiado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) está acabando. Mas o projeto não para por aqui. “Percebemos a necessidade de melhorar a profissionalização do atendimento e formatamos uma parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A maioria dos parceiros são microempreendedores e muitos não têm CNPJ ainda, estão neste processo de formalização. Então temos ido às sub-regiões para fazer encontros ligados às áreas de vendas e comercialização destes roteiros”, divulga Debora Mello.

Mas não é só isso. Segundo ela, o grupo Marbor já sinalizou querer continuar apoiando a iniciativa novamente pela LIC, em 2023. Uma nova edição do projeto já está escrita, com foco no turismo pedagógico, que também é uma necessidade percebida na prática.

“Tivemos a participação de muitos professores, então vamos criar produtos com didática mais pedagógica, o que agrega famílias. Serão roteiros baseados na grade curricular das escolas, trazendo conteúdos que possam ser trabalhados em salas de aula, como a lei antirracista e a história da população negra, que sofre com um apagamento histórico na cidade”, promete ela.

 Confira, na galeria a seguir, uma foto de cada uma das atividades realizadas, na seguinte ordem: 

1º Famtour – Centro Histórico Mogi – 4 de maio 2022

2º Famtour - Centro de Taiaçupeba (Capela do Ribeirão) – 11 de maio de 2022

1º Giro Cultural – Famtour colaborativo com o projeto Pedalar – Avenida Cívica – 15 de maio de 2022

3º Famtour -  Serra do Itapeti na região da Moralogia – 18 de maio de 2022

4º Famtour – Quatinga - 25 de maio de 2022

5º Famtour – Cocuera – 1 de junho de 2022

6º Famtour – Serra do Itapeti – 24 de junho de 2022

7° Famtour - Sabaúna - 1 julho de 2022

1º Famtour – Centro Histórico Mogi – 4 de maio 2022 (Divulgação - Sérgio Martins)

2º Famtour - Centro de Taiaçupeba (Capela do Ribeirão) – 11 de maio de 2022 (Divulgação - Sérgio Martins)

1º Giro Cultural – Famtour colaborativo com o projeto Pedalar – Avenida Cívica – 15 de maio de 2022 (Divulgação - Sérgio Martins)

3º Famtour - Serra do Itapeti na região da Moralogia – 18 de maio de 2022 (Divulgação - Sérgio Martins)

4º Famtour – Quatinga - 25 de maio de 2022 (Divulgação - Sérgio Martins)

5º Famtour – Cocuera – 1 de junho de 2022 (Divulgação - Sérgio Martins)

6º Famtour – Serra do Itapeti – 24 de junho de 2022 (Divulgação - Sérgio Martins)

7° Famtour - Sabaúna - 1 julho de 2022 (Divulgação - Sérgio Martins)

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