Qual é sua relação com Mogi das Cruzes?

Tenho grande carinho por Mogi das cruzes, desde quando certa vez meu pai me levou para pescar  pela região. Pelo o que me lembro, visitamos o Parque das Neblinas, que tinha, se não me engano, outro nome. Também pescamos em represas como a de Taiaçupeba. Não muito tempo atrás cheguei a conhecer e acompanhar alguns amigos no Pico do Urubu, que praticavam o parapente, neste lugar mágico,  fascinante e inspirador. Há algum tempo, por intermédio de uma querida prima, fui apresentado a um grande empresário, amante da arte e colecionador de obras, Jorge Hirano, hoje um grande e querido amigo, que posteriormente me apresentou o querido Ruy Moraes, presidente da Arrumando a Casa, onde está em cartaz minha exposição ‘Sonhos’. 

Como um artista nascido em Bragança Paulista chegou ao Museu do Louvre, em Paris?

Desde pequeno tive a oportunidade e sorte de conviver com grandes professores de arte, artistas, pintores e músicos. Sempre observando e a cada dia aprendendo e entendendo o árduo trabalho de persistir e nunca me dar por vencido. Fui agraciado em meu caminho com grandes mestres da pintura, como Arcangelo Ianelli, Aldemir Martins, Tomie Ohthake, Odetto Guersone e família Mabe, cujos conselhos e orientações, dicas e técnicas preciosas, guardo com grande carinho. E assim, ao longo de minha carreira os meus trabalhos foram  conquistando reconhecimentos importantes, como no MASP e também um convite da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) a abrir as festividades do Jubileu de diamante em comemoração aos 75 anos da entidade, uma grande honraria. Então veio a seleçãopara uma das mais importantes exposições de minha carreira: o convite de Monsier Bellec a participar de uma exposição em Paris, no Museu do Louvre, na sala Norte. 

Você também já expôs na Itália e em outros países. Vê muitas diferenças entre o exterior e o Brasil, no sentido de valorização da arte e cultura?

A arte é uma forma de expressão que vai muito além do sentimento. A manifestação e produção artística, seja ela no Brasil ou exterior, são muito respeitadas, apreciadas e tem os seus criadores valorizados, mas tristemente ainda aqui em nosso país o artista, na maioria das vezes, acaba por disputar espaços para inserir sua arte no mercado, e grande parte fica pelo meio caminho por falta de oportunidades e incentivos. E posso dizer que são grandes profissionais, com trabalhos fantásticos e alto nível técnico. 

A pandemia e suas reflexões alteraram os processos criativos? Artisticamente falando, foi possível, por exemplo, alçar novos voos motivados pelo tempo livre e até pela tristeza e ansiedade?

Acredito sim, que todo este estranho momento que estamos vivenciando contribuiu de forma ¨positiva¨, me fazendo  refletir sobre a produção e buscar novos desafios de melhores resultados artísticos. Mas sempre com amor e o cuidado de não transferir sentimentos de anseios negativos para a pintura, algo que sempre me preocupo com meus trabalhos. Também me fez reavaliar os novos projetos que estão por vir no próximo ano. 

E esse tempo foi propício para estudos e aprimoramentos profissionais?

Sim, pude sentar e retomar alguns estudos que precisava avaliar e conhecer. 

Como você tem enxergado o mercado neste momento em que museus e espaços culturais estão fechados?

A pandemia impactou todos os segmentos pelo mundo todo; E não poderia ser diferente com o mercado da arte, cujo consumo está vinculado à experiência e à vivência de cada pessoa. Quando vamos a uma exposição, seja em museus ou galerias, somos estimulados a buscar uma experiência completa, fazendo com que o espectador vivencie o olhar, o momento e o seu sentido ao observar uma obra de arte. Temos que aguardar que tenhamos tudo isso novamente. No contexto atual que estamos vivenciando, em que a maioria dos eventos culturais, mostras em galerias privadas ou museus foram cancelados ou adiados por tempo indeterminado, o mercado da arte acelera o que já se mostrava como uma tendência mundial: o formato virtual.

Foi um desafio comercializar arte durante os últimos meses? Foi preciso usar a internet para vender suas obras?

Desafiador sim, mas algo positivo chacoalhou o mercado de arte. Fez com que os profissionais buscassem medidas alternativas que hoje funcionam 100% nas vendas de obras de arte. Os leilões voltaram com toda força, por exemplo. No Brasil, não temos a cultura de comprar obras de arte pela internet. Mas foi uma ótima solução para que eu pudesse obter algumas obras.… 

Pode explicar, de maneira resumida, o que é a técnica de “pintura encáustica”?

A encáustica é uma das técnicas de pintura mais nobres que existem. Trata-se de uma técnica datada de mais de três mil anos antes de Cristo, utilizadas pelos gregos, egípcios e romanos. 

Tem como a base de sua matéria prima a cera de abelha bruta ou clarificada, verniz de Damar, Terebentina de Veneza e pigmentos em pó minerais e vegetais levada em banho Maria por volta de 10 horas.

Pode ser aplicada em vários suportes de madeira, vidros, canvas (tela de pintura algodão)  e papel.