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LANÇAMENTO

Livro traz histórias e lendas de cemitérios e mostra 'como é morrer' em Mogi

150 anos do Cemitério São Salvador: Decesso na terra das cruzes traz olhar aprofundado sobre este universo e muitos lendas e curiosidades

Fábio PalodettePublicado em 10/09/2021 às 08:11Atualizado há 18 dias
Foto: divulgação / Francisney Vinhos
Foto: divulgação / Francisney Vinhos

Após pesquisa que levou uma década para ser concluída e mais muitos meses de edição, será lançado na tarde deste sábado (11), o livro ‘150 anos do Cemitério São Salvador: Decesso na Terra das Cruzes’, de Glauco Ricciele - atual diretor de Fomento e Patrimônio da cidade. 

Em oito capítulos, a obra promete olhar aprofundado, didático e instigante sobre os cemitérios da cidade e suas histórias, lendas, artes tumulares e afins. O livro que traz a participação de especialistas e fotos, vai além, com página sobre a relação da evolução da morte e da humanidade, o processo do luto, a vida dos trabalhadores destes equipamentos, os tempos da pandemia do coronavírus e outros tópicos.  “Não ficou apenas sobre o São Salvador. Ficou como um ensaio sobre a morte. Como o próprio nome diz: decesso na Terra das Cruzes. Como é morrer em Mogi”, explica o autor.

O lançamento está agendado para a faixa das 14 às 17 horas, na Igreja da Ordem Primeira do Carmo - considerado o primeiro cemitério da cidade-, onde os interessados poderão adquirir um exemplar. 

Mogi – que está entre as cidades mais antigas do país – tem muita história para contar, sendo palco de eventos e transformações que marcam o País. Em entrevista o autor comenta o passado local, aponta quais outros temas gostaria de retratar ou ver retratados, como a história da escravidão e da mulher na cidade.

Glauco "assunta" também o processo de produção do livro e projetos desenvolvidos na Secretaria Municipal de Cultura. Há, por exemplo, um estudo sobre como trazer o trem turístico – Maria Fumaça, para Mogi.

Como foi a produção

Segundo narra Glauco, a produção do livro demandou duas frentes: primeiramente uma pesquisa, que levou dez anos para ser concluída, até que todo o material fosse reunido e, nos últimos dois anos, o processo de afunilar todo esse material e cuidar da redação do livro em si e da compilação dos capítulos. Em suas páginas, a obra traz textos da psicóloga Valéria Rocha Macedo Prado Lemes, Thais Maia Machado, professora Renata Gimnenez, Luci Bonini e Mariana Accioli.

“Valéria falou sobre o luto, Thais sobre o cemitério de Jundiapeba, Renata e Luci sobre a parte do levantamento de árvores do cemitério e a Mariana falou sobre a situação da pandemia atual e retratou um pouco, por meio de suas lentes fotográficas, as cenas desse episódio”, explicou Glauco.

O morrer em Mogi acabou ficando em evidência na maior crise sanitária vivida na história do país. “Quando estava para finalizar, eclodiu a pandemia e acabei paralisando o processo, pois percebi que não teria como fazer o lançamento. Dessa maneira, incluí mais uma parte do projeto do livro, então ele passou por uma pequena modificação”, comenta o escritor. 

"Gosto muito de trabalhar do macro para o micro. Saio da relação da evolução da morte e da humanidade, adentro no processo do luto, enterramentos no Brasil, depois Cemitério São Salvador, outros cemitérios de Mogi, serviços funerários do passado, profissionais funerários e os tempos de pandemia", acrescenta. 

O livro mostra todos os demais cemitérios, como o da Saudade, o de Taiaçupeba, de Sabaúna, de Santo Alberto, Parque das Oliveiras, Jundiapeba e o cemitério da Capelinha, que ficava no Centro e não existe mais.

“Dessa maneira, temos muitas curiosidades a respeito das lendas que existem nos cemitérios, das artes tumulares que temos dentro deles, as histórias e como a evolução da morte vem se comportando, diante também das leis no país. Tudo isso está muito bem detalhado por meio de fotos e alguns documentos que podem trazer para o leitor de uma maneira muito didática esse conhecimento histórico de nossa cidade”, explica ele.

 Lançamento

Como já havia sido mostrado por O Diário, inicialmente, o lançamento estava planejado para ocorrer no tradicional cemitério São Salvador, mas, a ainda vigente pandemia e o número elevado de mortes que ainda é visto no Brasil alterou os planos.

O novo local escolhido foi a Ordem Primeira do Carmo, que segundo Glauco acolheu a proposta e abriu as portas para essa finalidade. “Além do que, a Igreja do Carmo é basicamente o primeiro cemitério que Mogi das Cruzes teve, pois era entre e nas laterais da Igreja do Carmo que inicialmente as pessoas da cidade eram enterradas”.

 Futuro

Aficionado por história, Glauco diz que tem planejado outros temas que gostaria de abordar, como por exemplo falar sobre inquéritos de mogianos que foram investigados pelo DOPS ( Departamento de Ordem Política e Social utilizado na ditadura militar) nos anos 30, 40 e 60 e como a cidade sofreu com a repressão policial. 

Ele revela ter essas análisas prontas, assim como um outro estudo sobre a Entrada dos Palmitos e sobre grupos folclóricos da Festa do Divino. "São três temas que devem ser publicados ao longo dos próximos anos e acredito que ajudarão muito o município a ter suas histórias registradas", comenta. Outra aposta é em um registro da escravidão, tema que "precisa de um livro muito bem-feito", assim como " a história da mulher" na cidade.

Cultura e patrimônio

A Secretaria de Cultura e Turismo anda agitada nos últimos meses. Leia em breve em O Diário matéria sobre os planos da pasta e da diretora de Fomento e Patrimônio, que incluem a digitalização do acervo do Arquivo Histórico e projeto em estágio de estudo, como trazer o trem turístico – Maria Fumaça entre César de Souza, Sabaúna e Luís Carlos, criar na cidade uma escola de restauro, que cuide da formação de mão de obra para atuar em restauros, e mais. 

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