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FESTIVAL SESC DE MÚSICA

Ingresso para ver o maestro Luiz de Godoy hoje, em Mogi, será entregue às 16h

Na Catedral de Santana, o mogiano que faz carreira internacional na regência de corais estará ao lado de convidados como os artistas dos Meninos Cantores de Hamburgo, da Alemanha, e a Orquestra da USP

O Diário
23/06/2022 às 11:56.
Atualizado em 23/06/2022 às 11:56

O maestro mogiano deu os primeiros passos na música em projetos mantidos em Mogi das Cruzes (Divulgação)

Começam a ser distribuídos na tarde desta quinta-feira (23) os ingressos para a apresentação única do maestro regente Luiz de Godoy no Festival Sesc de Música de Câmara, na Catedral de Santana, em Mogi das Cruzes. Será uma oportunidade especial para os moradores de Mogi das Cruzes acompanharem o trabalho do músico mogiano que vive na Alemanha e fará um concerto com convidados como uma parte do coral alemão Meninos Cantores e a Orquestra Sinfônica da USP.

Na Catedral, ele regerá a Missa de Santa Cecília, obra composta em 1826, pelo padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), sob encomenda da Irmandade de Santa Cecília, agremiação de músicos que ele ajudou a fundar em 1784. A santa é a protetora dos músicos.

Luiz de Godoy estará acompanhado de artistas como os Meninos Cantores de Hamburgo (Alemanha), Osusp (Brasil), Membros da Ocupação Cultural Jeholu (Brasil) e também os solistas Erika Muniz (soprano), Tatiane Reis (soprano), Juliana Taino (contralto), Mar Oliveira (tenor) e David Marcondes (baixo-barítono)

O concerto terá uma hora e meia de duração é grátis, mas com lugares limitados, devido à ainda presente pandemia de Covid-19 e à capacidade de lotação do local. 

A distribuição de ingressos será realizada na  Catedral de Santana, a partir das 16 horas de hoje. 

O maestro Luiz de Godoy nasceu em  Mogi das Cruzes e é formado em música na Escola Municipal de Música de São Paulo. É bacharel em Piano pela USP, mestre pela Escola Superior de Artes Aplicadas (Castelo Branco, Portugal) e mestre em regência pela Universidade de Música e Artes Performáticas de Viena (Áustria). Ocupou importantes cargos nas mais tradicionais instituições da Áustria, destacando-se o posto de mestre-de-capela dos Meninos Cantores de Viena. Desde 2019 integra o quadro de maestros da Ópera Estatal de Hamburgo. Colabora com o maestro Kent Nagano junto à Filarmônica de Hamburgo e é diretor artístico dos Meninos Cantores de Hamburgo.

Já o coro dos Meninos Cantores de Hamburgo (Hamburger Knabenchor) foi fundado em 1960 pela Rádio do Norte da Alemanha. Dirigido desde 2021 por Luiz de Godoy, o grupo vem colaborando com maestros como Zubin Mehta, Kent Nagano e Thomas Hengelbrook. Atualmente o coro funciona como uma associação independente, com sede na igreja de St. Nikolai.

A Ocupação Cultural Jeholu foi criada em 2018 pelo jornalista e cantor lírico Felipe Brito. Com sede em São Paulo, o coletivo surgiu com o objetivo de criar espaços de discussão sobre a identidade negra no contexto brasileiro. O coletivo pesquisa as possibilidades de diálogo entre o canto lírico e a música originada nos terreiros, atuando na formação antirracista como base para a performance e para a ação social.

A Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (Osusp) foi fundada em 1975 e atua com o objetivo de estimular a formação de público e promover a interação entre o saber produzido na USP e a sociedade. A orquestra tem em seu repertório compositores brasileiros e latino-americanos, e também trabalha a música contemporânea em seus concertos educativos e didáticos.

 A soprano Erika Muniz é mestranda em música pela USP e integrante do Coro da Osesp. Também soprano, Tatiane Reis integrou a Academia de Ópera do Theatro São Pedro e se apresenta como solista de produções líricas nacionais. Vencedora de diversos concursos nacionais, a mezzo-soprano Juliana Taino (que atua nesse programa como contralto) é formada em música pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (SP) e atua como solista em produções líricas. Igualmente atuando como solista em produções nacionais, Mar Oliveira foi um dos vencedores do concurso Internacional Ottavio Ziino em Roma, em 2015. O baixo-barítono mineiro David Marcondes pode ser visto com frequência nos palcos brasileiros interpretando destacados papeis.

Confira o programa da noite de hoje:

Missa de Santa Cecília

Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830)

Kyrie
Gloria – Et in terra pax – Gloria
Laudamus
Gratias
Domine Deus
Qui Tollis
Qui Sedes
Quoniam
Cum Sancto Spiritu
Credo
Et Incarnatus
Crucifixus
Et Resurrexit
Sanctus
Benedictus
Agnus Dei

 Saiba  mais

Última obra composta por padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), em 1826, a Missa de Santa Cecília é uma encomenda da Irmandade de Santa Cecília, agremiação de músicos que ele ajudou a fundar em 1784.

O grupo funcionava quase como um sindicato: a admissão garantia o profissionalismo de seus membros e conferia vários direitos, desde ajuda para despesas médicas até pensões.

A complexidade da Missa é testemunho da maturidade musical do Padre José Maurício, mas seu contexto, no entanto, é de declínio em termos de reconhecimento social. Negro, neto de escravos libertos, José Maurício teve de lidar toda sua vida com o racismo das elites da época. Ainda que suas habilidades fossem indiscutíveis, o "defeito de cor" mais de uma vez foi colocado como um empecilho. Admirado por D. João VI, o compositor teve uma carreira prolífica, principalmente nos primeiros anos após a chegada da família real, em 1808.

A encomenda da Missa, em 1826, configurou um último fôlego criativo para o artista, que morreria quatro anos depois. José Maurício estava com 59 anos quando dois ex-alunos o procuraram em nome da Irmandade de Santa Cecília para convidá-lo a compor uma "missa à grande orquestra" que seria cantada no dia da festa anual da padroeira. Doente e passando necessidades, o convite animou o artista e resultou numa obra grandiosa, com mais de uma hora de duração. A Missa de Santa Cecília foi apresentada no dia 22 de novembro do mesmo ano, sob a direção do próprio compositor, na missa pelos irmãos falecidos naquele ano. Com a obra, José Maurício encerrava 43 anos de vida composicional, bem como sua carreira de regente. E cumpria seu último compromisso com a entidade à qual era ligado desde os seus 17 anos.

Obra das mais importantes do repertório sacro brasileiro, a Missa de Santa Cecília proporciona diálogos camerísticos entre os solistas e a orquestra, e seu contexto histórico marca uma importante fase política do país: a de sua independência, que completa agora duzentos anos.

 4º Festival Sesc de Música de Câmara

Entre os dias 9 e 26 de junho de 2022 acontece a quarta edição do Festival Sesc de Música de Câmara. O festival reúne cameristas brasileiros residentes no Brasil e no exterior, intérpretes estrangeiros e jovens músicos profissionais, em um total de 34 concertos em quatro unidades do Sesc São Paulo e três outros espaços de cidades paulistas.

Com propostas sonoras diversas como quarteto de cordas, trios instrumentais, quarteto de violões, canções de câmara e até coro e orquestra, os concertos trazem, na escolha de compositores e intérpretes, temas atuais como a representatividade e a diversidade. Assim, o Festival convida o público a se aproximar de um repertório renovado, através do qual poderá estabelecer relações com temas da contemporaneidade, evidenciando a relevância da produção camerística atual.

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