MENU
BUSCAR
CULTURA E ARTE

Evento digital de artes cênicas faz parte da Mostra Internacional de Teatro de SP

Entre os dias 1° e 5 de dezembro, espetáculos e performances brasileiros selecionados de vários estados do Brasil apresentam seus trabalhos para programadores de festivais internacionais

O DiárioPublicado em 25/11/2021 às 17:14Atualizado há 4 dias
Divulgação
Divulgação

A MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo apresenta a Plataforma Brasil - Mostra Digital de Artes Cênicas, com programação especial de espetáculos e performances nacionais, que acontece entre 1° e 5 de dezembro, pelo site MIT+ (mitmais.org), braço digital da Mostra. Nesse período, 18 montagens de 14 artistas e grupos de vários estados brasileiros poderão ser vistos por programadores nacionais e internacionais. O evento é aberto ao público e gratuito. A MITsp também anuncia a 8ª edição da MITsp, programada para a primeira quinzena de junho de 2022.

A Plataforma Brasil - Mostra Digital de Artes Cênicas tem apresentação da Prefeitura Municipal de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Apoio institucional do Goethe Institute, Sesc SP, Festival Panorama, Faroffa. Apoio Cultural do Núcleo dos Festivais, KVS - Proximamente, Art Republic. A realização é da MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo e do Olhares Instituto Cultural.

MITsp e a internacionalização das artes cênicas

Os idealizadores da MITsp, Antonio Araújo (Teatro da Vertigem) e Guilherme Marques (Ecum - Encontro Mundial das Artes Cênicas), diretor artístico e diretor geral de produção, respectivamente, reafirmam nesse evento uma das políticas da Mostra de fomentar e promover grupos e artistas nacionais, que privilegiam espetáculos com pesquisa experimental e investigação da linguagem cênica.

"A MITsp, dentro de sua programação, há alguns anos vem se debruçando sobre o debate de internacionalização. Além da programação de espetáculos nacionais, temos realizado ações pedagógicas voltadas para a capacitação de gestores e produtores culturais, além de cursos e seminários", afirma Guilherme Marques.

Mesmo com a permissão da volta aos teatros, a ideia de manter as apresentações online é para ter mais alcance entre programadores de várias partes do mundo, que ainda não estão viajando.

"Essas ações reforçam a política da MITsp que é de internacionalização, voltada ao apoio aos artistas brasileiros, não apenas com circulação, mas com o desenvolvimento e a sustentabilidade das linguagens artísticas", coloca Antonio Araújo.

Parcerias com festivais: resultados práticos

A MITsp, por meio da MITbr - Plataforma Brasil, vem conversando e fechando acordos com eventos de artes cênicas. São parceiros os festivais de Edimburgo; o Proximamente da KVS, em Bruxelas, o Lift, em Londres e o Festival de Santarcangelo, na cidade italiana de mesmo nome.

As ações que visam a internacionalização já apontam resultados concretos: artistas e grupos brasileiros conseguiram se inserir no trânsito de colaborações e apresentações. Altamira 2042, de Gabriela Carneiro da Cunha, está em turnê por festivais de países como França, Portugal, Suíça e Uruguai até o início de 2022. Lobo, de Carolina Bianchi, foi convidado a se apresentar no Skirball, em Nova York, em 2020. A atriz e diretora Janaína Leite, que se apresentou na edição de 2020, dará um workshop no Festival Proximamente, na Bélgica. O Grupo Mexa levou Cancioneiro Terminal para o Festival Traansform, em Leeds, na Inglaterra; e devem iniciar um processo à distância com artistas da cidade inglesa para a próxima edição.

Outros espetáculos como violento., solo encenado por Preto Amparo, com concepção de Preto Amparo, Alexandre de Sena, Grazi Medrado e Pablo Bernardo; Caranguejo Overdrive, da Aquela Cia de Teatro; Isto é um Negro?, do grupo E Quem É Gosta?; Vaga Carne, de Grace Passô; De Carne e Concreto, da Anti Status Quo Companhia de Dança estiveram em festivais como o Festival Mladi Levi, na Eslovênia, o Proximamente e o FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, no Porto, Portugal.

Em dança, a bailarina e coreógrafa Marta Soares, com Vestígios, teve ingressos esgotados na sua performance em 2019 no Festival Proximamente. Boca de Ferro, das coreógrafas Marcela Levi e Lucia Russo, foi assistido aqui e em outros festivais por programadores internacionais e, este ano, a dupla estreou grrRoUNd no Festival de Artes Kunsten, na Bélgica. O trabalho, uma coprodução com outros festivais, ainda é inédito no Brasil.

Plataforma Brasil - Mostra Digital de Artes Cênicas

Em 2021, com curadoria de Kil Abreu e Sônia Sobral, a Plataforma Brasil - Mostra Digital de Artes Cênicas traz um recorte de vários estados e produções nacionais, com teatro, dança e performance, em um esforço para alargar a representação das diferentes regiões. A seleção apresenta espetáculos inéditos na plataforma e outros do acervo da MITbr, que já se apresentaram presencialmente em edições anteriores da Mostra. Na observação dos curadores, a escolha procurou olhar para produções de todo Brasil e levou em conta o diálogo com questões urgentes no mundo. O conteúdo ficará disponível na MIT+ durante o período da Mostra com opção de legendas em inglês, Libras e audiodescrição.

Programação brasileira - um olhar para cima

Entre as produções que se apresentam pela primeira vez na Mostra, as quatro performances de Marise Maués, Loess, Nóstos, Kali, Paisagem Derruída, investigam questões do território paraense, com um olhar para a existência feminina. Do Piauí, Serenatas Dançadas, de Soraya Portela, o universo feminino é apresentado por quatro mulheres mais velhas, que expõem memórias e desejos.

Também do Piauí, a Original Bomber Crew, com sua pesquisa e cultura do hip hop, apresenta Vapor, uma gíria de vários significados nos becos de Teresina. Glitch, da pernambucana Flavia Pinheiro, trabalha com coreografias diversas e trata da questão de gênero para corpos fluídos.

Na coreografia Delirar o Racial, os cariocas Wallace Ferreira e Davi Pontes propõem pensar a ética fora do tempo para vidas negras. Já Desfazenda - Me enterrem fora desse lugar, do Coletivo o Bonde, de São Paulo, concentra sua ação na história dos personagens 12, 13, 23 e 40, pessoas pretas que quando crianças foram salvas da guerra por um padre branco, e vivem numa fazenda, cuidando das tarefas diárias, supervisionadas por Zero.

Eduardo Fukushima, de São Paulo, apresenta o premiado solo Homem Torto, feita inicialmente em Veneza, agora gravado na Oficina Oswald de Andrade, o trabalho faz oposição à grandiosidade e às linhas retas dos locais onde foi apresentado. In-verter à Deriva, da paulista Les Commediens Tropicales, mistura ficção e documentário, em um experimento cênico audiovisual, que traz imagens do grupo em suas intervenções urbanas com dança, performance e teatro.

Outra peça híbrida entre teatro e cinema, A Árvore, da dramaturga mineira Silvia Gomez, traz a atriz Alessandra Negrini em um monólogo que bebe no fantástico e no absurdo para falar da relação de amor e ruína com o meio ambiente em que vivemos.

A programação também recebe espetáculos que já se apresentaram nas edições anteriores da MITbr. Boca de Ferro, das cariocas Marcela Levi e Lucía Russo, traz a sonoridade de Belém em uma dança irreverente, provocadora, furiosa e sensual. Dinamarca, do Grupo Magiluth, de Pernambuco, foi inspirado em "Hamlet" e propõe uma reflexão sobre o fenômeno das bolhas sociais.

Manifesto Transpofágico, da autora e atriz paulista Renata Carvalho traz para a cena questionamentos sobre a construção de corpos, identidades e preconceitos contra travestis. De Santa Catarina, o Grupo Cena 11, em Protocolo Elefante, resgata o exílio da morte dos elefantes para falar de pertencimento e deslocamentos. Vestígios, da Marta Soares, é resultado de uma imersão em cemitérios indígenas pré-históricos na região de Laguna, em Santa Catarina, e mistura performance, videoinstalação e dança. Ver(ter) à Deriva, espetáculo da paulista Les Commediens Tropicale, é formado por um conjunto de intervenções cênicas propostas para espaços externos e públicos, que dialogam com o silêncio das imagens de uma metrópole.

MITsp em 2021

A Mostra faz parte de outras ações para discutir as artes cênicas no cenário atual e fomentar a possibilidade de sua internacionalização. O workshop Internacionalize-se, acontece de 17 a 20 de novembro, já com inscrições encerradas traz o com o diretor e performer alemão Wolfgang Hoffmann, e a mesa "Políticas da destruição, poéticas da resistência: ainda dá tempo de adiar o fim do mundo?", dia 8, com o líder político Ailton Krenak, a jornalista Eliane Brum, a diretora Gabriela Carneiro da Cunha e o cofundador do Partido Verde Alemão, Gerald Häfner, mediação da curadora e diretora Andreia Duarte.

ÚLTIMAS DE Cultura