Instrumentistas, cantoras e compositoras de Mogi das Cruzes. Mulheres que usam o samba para fazer revolução. Essa é a formação do grupo Dona da Rua. Afinal, é o que elas fazem em todas as canções, como a recém-lançada ‘Filha da Luta’. E é o que farão neste domingo (4), em um show pela programação do Festival Cultura em Casa Mogi, às 20h30.

Embora tenha sido lançada agora, ‘Filha da Luta’ é o segundo single do grupo e vem sendo cantada há tempos nos palcos, sejam presenciais ou virtuais. Escrita por Guilherme Bandeira, a faixa é inspirada no impeachment de Dilma Roussef.

Na música, que tem espaço para o talento de todas as integrantes, o grupo se expressa, de maneira crescente, em versos como “Não sou mulher de arregar” e “Nos vemos nas ruas”. São frases que revelam a experiência da mulher diante de situações de discriminação de gênero, raça e classe social. 

“Fortalecemos a representatividade da mulher nessa conjuntura, trazendo um repertório que é um manifesto contemporâneo de mulheres no samba, composto por sambas-revolução com temas ligados à luta histórica feminista e à diversidade rítmica e estilística brasileira, marcadas pela musicalidade diaspórica negra”, descrevem Lívia Barros (voz), Helô Ferreira (violão de 6 e 7 cordas) e Juliana Rodrigues (piano). 

Para além delas, ao falar de ‘Filha da Luta’ é preciso também dar destaque à participação de Verô Borges, no surdo e tamborim, e de Maíra Ranzeiro, no pandeiro. Aliás, todas seguem criando, mesmo durante a pandemia de Covid-19. Mais do que lives e shows virtuais, elas vêm divulgando, desde o ano passado, novos singles.

Exemplos são ‘Pequena’, em homenagem à pianista da trupe, Juliana Rodrigues, que fala da “impossibilidade de abraçar os amigos”; ‘Justiça’, que mostra as várias formas de violência contra a mulher;  ‘Que Venha em Mim’, “composição das mulheres na roda de samba, sobre como elas chegaram ali e impuseram seus lugares”.

E vem aí novos materiais. Atualmente o Dona da Rua trabalha na pré-produção de um novo disco, que será gravado em breve, no Estúdio Municipal de Música (Emam), via edital local da Lei Aldir Blanc. 

Depoimentos

Para o novo lançamento, Lívia Barros, Helô Ferreira e Juliana Rodrigues pediram para outras mulheres enviarem vídeos contanto o que as torna filhas da luta. O material completa a música.

Para a assistente social, ritmista e percussionista Monalisa Madalena, as mulheres são filhas da luta pois “tem todos os dias os dias o machismo atravessando o caminho”. Para a advogada e feminista Sonia Beraldo, “o grito é contra a desigualdade social”, e “a luta é por direitos e pela vidas das mulheres”.

Há outros depoimentos disponíveis no Instagram do grupo, como o de Cintia Secario, que se considera filha da luta por “estar de pé mesmo após um relacionamento abusivo”, por “conseguir transformar sofrimento em bandeira, choro em grito de guerra e ajudar outras mulheres” e por “chefiar a família”, se dividindo entre “ser mãe, trabalhadora e ativista social”.

Aliás, a fala dela resume algumas das sensações que transmitem a capa do single. Feito pela fotógrafa mogiana Bia Varella, o clique mostra uma mãe segurando a filha no colo.  A bebê fez aniversário no último dia 23, mesmo dia em que o single foi lançado. É, portanto, mais uma filha da luta.