Mais de duas mil pessoas escolheram a música dos mogianos José Luiz da Silva, o Rabicho, e Xavier Filho para ser o samba-enredo de 2022 da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. A votação de segunda-feira (15), embora representativa, não foi suficiente para que a dupla ganhasse a competição. Mas foi o bastante para orgulhar os artistas e também a cidade, que agradou inclusive alguns cariocas.

Para Rabicho, participar da live ‘Viradão Verde e Rosa’, exibida pelo canal oficial da escola, foi “um momento especial”. “Fomos bem recebidos, estava tudo muito bem organizado. A Mangueira está dando um show em relação a cumprir as regras de segurança. Todos estavam de máscara, por exemplo. E todos muito carinhosos”, lembra.

Para a dupla, cujo samba foi o de número 4, participar é uma “satisfação enorme”. “Desde a recepção, todos ofereceram um tratamento diferenciado. A sensação é a melhor possível. Todos sabem do potencial que tem, e a agremiação é uma das mais importantes neste mundo, com reconhecimento até mesmo fora do país”, comenta Rabicho.

Ele esteve presente durante a live, transmitida perto das 16 horas de ontem. Mas quem soltou a voz foi Xavier, para cantar os versos de um samba escrito a partir de um regulamento publicado pela Mangueira, que estabelece como tema para 2022 a homenagem a ‘Angenor, José e Laurindo’, ou seja, Cartola, o poeta; Jamelão, sua voz mais famosa; e Delegado, o bailarino que foi mestre-sala.

Para se diferenciar das outras composições inscritas, os mogianos decidiram humanizar a história dos três, dando ênfase, para além de seus legados, “à escola e comunidade” que os cercam. Com olhar amplo, a escolha foi de “enxergar toda a população”, mantendo os personagens mas incluindo citações “à escola, aos bairros, às favelas”.

Competição

Além da avaliação oficial, onde Rabicho acredita ter perdido pontos por “problemas técnicos”, o samba apresentado – e disponível para todos no canal do YouTube de O Diário de Mogi – contou com votação popular. Mais precisamente, 2.182 pessoas que escolheram a canção mogiana. “É para comemorar”, dizem os autores dos versos alegres, como os que estão no refrão: “Como não te querer tão bonita / Com o orgulho de quem te habita / Honrando os seus baluartes / E inspirando a quem te vê com tanta arte”.

Como o concurso teve boa aceitação (51 inscritos), a coordenação da Mangueira modificou os trâmites da competição. O plano original era decidir o vencedor já nesta semana. Porém, uma nova seletiva será marcada em breve. 

A torcida de Rabicho segue “para os amigos” Fernando Procópio, carioca que já morou em Mogi das Cruzes, e Manu da Cuíca, bicampeã por ter sido eleita com os sambas-enredos de 2019 (‘História Pra Ninar Gente Grande’, que fez da Mangueira a campeã do Carnaval daquele ano) e de 2020 (‘A Verdade Vos Fará Livre’).

Futuro

Por enquanto “arquivada” na internet, a música de Rabicho e Xavier – sem título, já que segue o tema determinado pelo regulamento da Mangueira – pode, no futuro, ganhar outros usos. “Talvez com o tempo”, ela possa integrar um disco futuro da dupla. Quem sabe.