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ESTREIA AMANHÃ

Documentário retrata drama de ex-pacientes de hanseníase em Mogi

“A Pele que Repele – um estigma perpetuado” busca contextualizar historicamente e rememorar cenas da vida no antigo Asilo-Colônia Santo Ângelo

O Diário
07/02/2022 às 17:04.
Atualizado em 07/02/2022 às 17:04

Raimunda Juca Viana narra como era a vida no antigo Asilo-Colônia Santo Ângelo, em Mogi, o primeira inaugurada no Brasil (Reprodução)

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ESTREIA AMANHÃ

Documentário retrata drama de ex-pacientes de hanseníase em Mogi

“A Pele que Repele – um estigma perpetuado” busca contextualizar historicamente e rememorar cenas da vida no antigo Asilo-Colônia Santo Ângelo

O Diário
07/02/2022 às 17:04.
Atualizado em 07/02/2022 às 17:04

Raimunda Juca Viana narra como era a vida no antigo Asilo-Colônia Santo Ângelo, em Mogi, o primeira inaugurada no Brasil (Reprodução)

A hanseníase ainda é um grave problema de saúde pública no Brasil, líder mundial em casos da doença por habitante, com 30 mil novos casos registrados por ano. Quase um século depois da criação pelo governo paulista do Serviço de Profilaxia da Lepra, que marcaria o desumano e equivocado isolamento compulsório de pacientes, as vítimas ainda são estigmatizadas e têm que lidar com as dores do abandono do Estado.

Será lançado às 19 horas desta terça-feira (8), em live no YouTube, o documentário “A Pele que Repele – um estigma perpetuado” busca contextualizar historicamente e rememorar cenas da vida no antigo Asilo-Colônia Santo Ângelo, em Mogi das Cruzes, nas vozes de dois egressos da instituição que abrigou milhares de pessoas no século passado, quando ainda era conhecida como um “leprosário”.

Apesar da propaganda ostensiva do governo paulista, que tentava mostrar à opinião pública em cinejornais e na imprensa os sanatórios como espaços de acolhimento humanitário dos hansenianos, a situação real era dramática.

Raimunda Juca Viana e Plínio Avelino da Silva narram como era a vida na colônia mogiana, a primeira inaugurada no Brasil com essa finalidade, em 1928, e descrevem as tentativas de adaptação, as fugas desesperadas e os dramas familiares consequentes da política higienista de segregação que vigorou no Brasil até a década de 1980.

Artur Custódio, coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), explica no curta-metragem de que forma a estratégia paulista se mostrou extremamente abusiva em comparação com outros Estados e fala sobre a necessidade de se preservar esses antigos espaços de institucionalização como patrimônio histórico sensível ou patrimônio da dor, a exemplo do que fizeram outros países.

A rígida e custosa estratégia do governo paulista de isolar pacientes em qualquer estágio da doença, privando-os de seus direitos civis supostamente em prol da população sã, produziu o efeito contrário, elevando a endemia no Estado de São Paulo. Durante o período de institucionalização, as vítimas sofreram abusos comparáveis aos dos presos de campos de concentração nazistas, que culminariam com uma revolta armada generalizada nos sanatórios em 1945.

Mesmo longínquo no tempo, esse episódio da história brasileira ainda repercute no Brasil contemporâneo, seja por meio das pensões vitalícias pagas aos egressos das colônias, seja pelos filhos dos hansenianos vítimas de alienação parental que buscam reencontrar seus familiares e obter reparações do Estado. A fatura dos erros cometidos pelo governo ainda está sendo cobrada da sociedade brasileira e trazer à tona esse episódio poderá evitar que esses equívocos se repitam.

 Ficha técnica

“A Pele que Repele – um estigma perpetuado”
Curta-metragem documental
Direção: Diego Padgurschi e Guilherme Gorgulho
Entrevista e pesquisa: Guilherme Gorgulho
Imagens e edição: Diego Padgurschi
Duração: 10 minutos
Locações: Mogi das Cruzes e Rio de Janeiro
Lançamento: fevereiro de 2022

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