Dispostas num mesmo documentário, mais de 200 fotos produzidas entre março e junho de 2020 revelam a pandemia de Covid-19 pelo olhar de 23 fotógrafos. A direção é feita por mogianos, mas entre os nomes envolvidos há profissionais de outras cidades. Mais precisamente, de 10 estados brasileiros e da Espanha também. Há também depoimentos marcantes. Tudo isso em um curta-metragem de 18 minutos. Tudo isso em ‘Reexisto’. 

O filme, como explica um dos diretores, Rodrigo Campos, é “muito simples”. Não há “superprodução de captação de vídeo”, por exemplo. As cenas são compostas de fotos e áudios, entrevistas com fotógrafos de idades, estilos artísticos e opiniões diferentes. Todos falam sobre o confinamento social.

A ideia surgiu a partir de uma “curiosidade” de Rodrigo, ainda em abril, quando se desenhava o cenário pandêmico dos meses seguintes. “Alguns fotógrafos estavam postando o que faziam dentro de casa, mostrando como era estar ‘preso’ num apartamento de 50 metros quadrados. Aquilo me despertou a ver o que mais pessoas estavam enxergando”, conta ele.

Para isso, fez contato com a fotógrafa Lethicia Galo, com quem produziu o documentário ‘Serráqueos’. Ela não apenas gostou da provocação como topou a ideia de buscar mais olhares para compor um documentário.

Juntos, os dois pediram a fotógrafos de diferentes localidades que enviassem um ensaio fotográfico feito em casa e um áudio de até dois minutos. Receberam depoimentos emocionantes sobre “coisas que as pessoas voltaram a fazer ou que aprenderam a fazer durante esse período”, e ainda sobre o que mais gostariam de fazer quando a pandemia acabasse”. 

“A parte mais legal disso tudo é justamente a de ser fotógrafo. A nossa narrativa mostra o que vemos, o que acreditamos, e o que entendemos da pandemia.  O resultado é um filme que mostra tudo o que passava despercebido antes do novo coronavírus, como a risada em família”, afirma Lethicia.

Como exibe ângulos e inclinações pessoais, ‘Reexisto’ se permite ir além do registro fotográfico da pandemia e suas angústias. As imagens exibidas em tela revelam outros anseios de seus autores, como a preocupação em relação a violência contra a mulher, indignações políticas e outras questões sociais. 

As mais de 200 fotos revelam cenários da Bahia, da Paraíba, de Goiás, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e até mesmo da Espanha. O principal desafio, segundo Rodrigo, foi “conseguir equilibrar as imagens”.

“Recebemos materiais de profissionais de diferentes segmentos, desde os que tem veia artística muito grande a quem se dedicou a registrar o cotidiano e a linha de frente do combate ao novo coronavírus”, revela o diretor. 

A solução foi dividir o documentário em “três atos”. O primeiro é o “momento de sentir e tentar entender o que estava acontecendo”; o segundo é “olhar para fora e ficar incomodado com a situação”; e o terceiro é “olhar para dentro, tentar digerir tudo”.

Boa edição e trilha sonora ajudam a atingir o equilíbrio que tem feito ‘Reexisto’ à exibição e premiação em diferentes festivais. Canções como ‘Castelo’, do mogiano Rui Ponciano, e também ‘Juízo Final’, de Nelson Cavaquinho, mas na voz da mogiana Valéria Custódio, ajudam a compor o tom de reflexão da obra. 

 

Onde assistir

Disponível para ser assistido neste link com a senha #ficaemcasa, a produção lançada em julho último também pode ser vista em diferentes festivais. No momento, está em cartaz no festival asiático One Step Film Forum, e também no Essential Stories Docfilm Institute, nos Estados Unidos. Mas já pôde ser vista em outras diferentes telas regionais, nacionais e internacionais, inclusive na do 6º Festival Curta Campos de Jordão-SP, da qual saiu vencedora, com mais de 300 votos.