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ENTREVISTA

Contato com classe artística, LOA e mais: confira balanço da Cultura mogiana em 2021

Nesta entrevista, a secretária de Cultura de Mogi das Cruzes, Kelen Chacon, faz balanço de 2021 e revela expectativas para o novo ciclo

Heitor Herruso Publicado em 07/01/2022 às 15:01Atualizado há 7 dias
Entrevista traz destaques sobre o primeiro ano de Kelen Chacon na Cultura  / Foto: divulgação - Bruno Arib / Gazeta Regional
Entrevista traz destaques sobre o primeiro ano de Kelen Chacon na Cultura / Foto: divulgação - Bruno Arib / Gazeta Regional

Em 2021, embora a pandemia tenha continuado e até mesmo se agravado, não houve um novo dispositivo como a Lei Aldir Blanc para garantir a sobrevivência da classe artística, que já não conseguia mais extrair recursos do formato live com facilidade. Além desta dificuldade, em Mogi das Cruzes, foi também o primeiro ano de uma nova gestão na Cultura, sob liderança de Kelen Chacon. Aqui, O Diário dá espaço para que a secretária faça um balanço do período, definido por ela como sendo repleto de “desafios grandes”, como o “reconhecimento de todas as potencialidades e projetos” do município e a “descentralização das ações de arte”. 

Além dos destaques e percalços do ano, entre os temas comentados por Kelen está o projeto de Cultura aliada à Educação; a relação da pasta com o Turismo, tema que passou por modificações no governo de Caio Cunha (PODE); o contato com a classe artística, em especial com a Frente Popular Pela Cultura do Alto Tietê; a reabertura de equipamentos como o Teatro Vasques, a Pinacoteca e o Centro Cultural; a criação de novos eventos, como o Festival Nordestino, o Festival Cultura Sertaneja e as ‘Noites de Mistério’; a reformulação da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) e a polêmica em torno da Lei Orçamentária Anual (LOA), que definiu o total de recursos que a pasta terá em 2022.

Apesar de não comentar a abertura de uma unidade do Sesc na cidade, Kelen Chacon mostra expectativas positivas para o novo ano e deixa um ponto claro: “Nenhum projeto anterior da Secretaria foi descontinuado” em 2021. Tudo o que não foi realizado estava relacionado à falta de “condições sanitárias”, diz ela. Confira a seguir.

Destaques

Acho que são a elaboração da primeira Festa Literária de Mogi das Cruzes (Flimc) e a participação, construção coletiva de todos os editais dos novos projetos. Ou seja, ter a sociedade civil discutindo questões, como a Semana do Hip Hop, a Semana de Culturas Pretas ou o Panorama Dança, as atividades do Projeto Circo Corredor, as atividades que estavam pensadas para o Festival De Teatro - que começaram a ser discutidas mas não foram avante por questões de logística-, o Festival De Cinema que vem por aí em 2022. Mas que isso, a condição da intersetorialidade, que foi um trabalho construído de forma embrionária neste ano, mas que tende a se fortalecer e se sistematizar nos próximos anos do governo.

Desafios

O conhecimento profundo de todas as demandas da secretaria e planejar e executar as atividades em tempo hábil, tendo a pandemia como pano de fundo. Não sabíamos se íamos ter condição sanitária para executar as atividades em modo presencial, qual tipo de controle seria feito. Tivemos que mudar várias vezes as diretrizes para atender esta condição.

Cultura + Educação

A aproximação da Educação ainda foi embrionária, mas estamos construindo um caminho mais sólido, mais bem delineado para o ano que vem e os próximos anos, numa programação que vai ser mais definitiva, mais sólida, aproximando especialmente as linguagens de literatura, teatro, movimento, expressão corporal, mas também cinema e circo. A gente já fez um piloto este ano, com três escolas na divisa, com o projeto Escola na Cultura, e para o ano que vem já temos 15 escolas apontadas pela Secretaria de Educação, além de um trabalho bastante forte que vai acontecer na área de leitura e literatura.

Turismo

O turismo tem uma aproximação, nessa gestão, tanto da Secretaria de Cultura como da Secretaria de Desenvolvimento, e ele está se delineando muito mais próximo do Desenvolvimento Econômico, justamente por conta das diretrizes que a gente tem agora, de incentivar a economia criativa e o município como um grande atrativo para o turismo, tanto externo como interno. Inclusive os festivais, como o Nordestino e o Sertanejo, foram pensados já dentro desse prisma de movimentar os mogianos dentro da própria cidade, para conhecerem outros distritos e destinos.

Contato com classe artística

O contato se deu sistematicamente ao longo do ano, em reuniões que foram marcadas desde janeiro. Algumas delas eu não consegui cumprir a agenda, porque a meta era uma reunião por mês, mas a despeito disso a gente teve pelo menos uma reunião por bimestre, sempre ouvindo as reivindicações e também algumas pautas de estruturação de projetos, indicativos, demandas da classe como produtora de arte e cultura.

Reabertura de equipamentos

A reabertura dos espaços mostrou que temos ainda uma baixa intensidade de procura por atividades, especialmente no nosso polo museológico, o que tende a ser sanado à medida que a gente tiver mais condição de circulação sanitária com segurança. Sentimos a população um tanto tímida para a frequência de atividades presenciais, mas na sequência, abrindo definitivamente com bastante segurança sanitária, a gente acredita que deva ter um engajamento maior, porque já cresceu bastante a procura por espetáculos no (Teatro) Vasques, por exemplo. Mas os museus, como eu disse, ainda temos público um tanto tímido.

Novos eventos

Foram pensados pela perspectiva dos nossos dois eixos fundantes de trabalho, que são a identidade e a descentralização das atividades de arte e cultura, e especificamente buscaram atender essas diretrizes. E tem se mostrado extremamente profícuas, porque os dois festivais (Nordestino e Sertanejo) ganharam público e especialmente escala no segundo dia, com engajamento da população local. E o Noites de Mistério ganha um público exponencial a cada edição. Inicialmente abrimos 30 vagas, depois 35, 50, agora 60. E elas tendem a se esgotar entre 30 e 40 minutos depois de abertas.

Reformulação da LIC

A Lei de Incentivo à Cultura (LIC) está passando por um estudo dentro do Jurídico para a gente tentar fazer com que essa demanda da classe artística passe pela reformulação, para que haja possibilidade de equiparação aos valores do Programa de Fomento à Arte e Cultura de Mogi das Cruzes (Profac), e que a gente tenha maior aporte de fomento direto. Então é algo que para 2022 devemos ter definição concreta dentro das perspectivas legais possíveis.

Orçamento para 2022

Com relação ao orçamento, não há corte algum. Essa diferença de R$ 2 milhões que se apresenta é um equívoco, porque a nossa Lei Orçamentária Anual abarcava, num montante geral, o valor também do Turismo, e incluía portanto o repasse de alguns convênios, como o do Governo do Estado referentes ao MIT (Município de Interesse Turístico). Dessa vez, a descrição da LOA vem individualizada. Com isso a gente vê o valor de repasse exclusivo da Secretaria Municipal de Cultura. A coordenadoria de turismo não está incluída, então essa separação faz com que R$ 2 milhões aparentemente estejam fora da pasta, mas a gente pode ver, analisando detalhadamente, que não teve nenhuma perda.

Expectativas para o novo ano

Temos perspectivas de atividades que possam incluir a população de maneira geral; que a gente tenha mais condição sanitária; que a gente comemore algumas efemérides bastante importantes, dentre elas a Semana de Arte Moderna de 22, a Independência do Brasil; o centenário do nascimento do único prêmio nobel da literatura de língua portuguesa: José Saramago; e a continuidade desses dos eixos fundantes de identidade e descentralização da arte e cultura no município.

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