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MÚSICA

Conheça A Nova Banda da Cidade, de Poá

Quarteto transforma o cotidiano em filosofia moderna a partir de rock, reggae, repente e poesia

Heitor HerrusoPublicado em 05/06/2021 às 17:40Atualizado há 8 dias
Divulgação - A Nova Banda da Cidade
Divulgação - A Nova Banda da Cidade

Uma banda que traduz em música o caos social. Um grupo que faz filosofia moderna a partir de rock com reggae, repente e outros estilos. Um quarteto que, entre riffs de guitarra e baixo, usa poesia para reforçar as críticas e mensagens pertinentes. A descrição é d’A Nova Banda da Cidade, de Poá, que faz som único, jovem e cheio de energia.

Os nomes por trás deste projeto são Rinas Francisco (vocais, teclado, triângulo), Andrade (guitarra, baixo e vocais), Lucas Morais (baixo, guitarra e teclado) e Daniel Abilio (bateria). Desde 2018 eles vêm trabalhando em canções originais e agora em 2021 veio ao mundo o primeiro álbum de estúdio, já disponível nas plataformas digitais, com direito a show no YouTube, lançado no último dia 23 de maio.

O quarteto enxerga a música como instrumento para “relatar o caos da nossa geração, mas ao mesmo momento mostrar que em meio ao caos existe uma certa alegria, felicidade”, como define o baterista, Daniel.

Já que os integrantes carregam influências musicais diferentes, a receita do bolo foi misturar o máximo de coisas possíveis, mas mantendo a coerência. “Achar este equilíbrio foi a forma que encontramos de fazer música juntos. Cada um traz coisas inesperadas para o outro, e dá certo no final”, conta o baixista, Lucas.

Falando em influências, é evidente a paixão do grupo pelo rock. Mas há “quês” de diferentes estilos. Na faixa ‘(De)Repente’, por exemplo, além do notório repente nordestino, há muito dos norte-americanos Ramones, no refrão. Mas também estão ali referências a Tim Maia e outros nomes.

 “Vamos fazendo colagens de influências, juntando muito dois elementos: música brasileira, dos anos 70, e também rock americano e inglês desta mesma época”, dizem os integrantes.

A base destas colagens é o universo mundano, o dia a dia, a vida normal – e portanto distinta, diversa – que as pessoas levam no Brasil do século XXI. “Toda a inspiração da banda é pura e simplesmente o cotidiano. Aquela classe média já cansada, que pega trem todo dia para ir para o trabalho, volta com o trem lotado e vem as ‘pirações’, as frustrações, os questionamentos sobre o que é a vida, e ao mesmo tempo as contas para pagar, as dúvidas amorosas, a questão de liberdade, a política, a pandemia, tudo o que forma o que é aquele ser. Então a gente pega esse monte, transforma em canção e toca”, define o vocalista, Rinas.

A fala de Rinas se completa com a mensagem da faixa ‘Caos de Felicidade’, que mostra que “todo ser humano é uma estrela”. Ao final desta canção, há uma poesia motivadora que completa os versos cantados até ali.

O mesmo acontece em ‘Liberdade de Amar’, quando, surpreendendo positivamente o ouvinte, entra em cena um texto poético, declamado sem pressa: “Seja livre / Livre para viver / Faça o que você quiser / Beba da taça do amor puro / Coma do prato que carrega o alimento do ser / E se sustente com a sua vontade de potência / O amor é lindo, mas o amor pela essência”.

A performance poética é de autoria de Rinas, que mantém relação próxima à literatura, poemas, textos e crônicas brasileiras. “Sempre gostei dessa subjetividade e delicadeza que as poesias passam. Então prezo muito por isso na hora de escrever. ‘Liberdade de Amar’, a música, escrevi para um documentário que fiz sobe Queers (não binários). Mostrei para o Andrade e ele disse: ‘no final você tem que recitar algo’. Então escrevi o recital, que veio intuitivamente”.

Em alguns casos, ouvidos mais atentos perceberão, nas músicas d’A Nova Banda da Cidade, citações de Manoel Bandeira, Álvares de Azevedo. Também vale tentar identificar quais são as intenções do quarteto ao mesclar sonoridades e experimentar. Afinal, o álbum de estreia, que estampa na capa o nome do grupo, é exatamente isso: a efervescente experimentação de um produto artístico-cultural que tem tudo para ir longe.

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