Começam nesta quinta-feira, dia 7, e seguem até o dia 10, as ‘Lives do Galpão Arthur Netto – Especial Território Negro’, sempre às 20 horas. As atividades, que trazem bate-papos e apresentações virtuais, fazem parte de uma agenda proporcionada por recursos da Lei Aldir Blanc. Um dos focos dos encontros, que são gratuitos, é o “reconhecimento de um espaço vivenciado por artistas que disputam narrativas na cidade e que criam contrariando práticas de apagamentos”.

Os convidados são o luthier de tambores e mestre da cultura popular, militante histórico das causas sociais na cidade e região Agildo Lima, nesta quinta, dia 7; a cantora, professora, pesquisadora da cultura africana e de suas heranças para o Brasil, Maristela Afro (com participação de Kelvin Lucas ao violão), no dia 8; o artista circense, professor de circo, empreendedor e fundador do Espaço Cultural Studio F, Fabrício Guimarães, no dia 9; e o ator, artista circense, produtor audiovisual e empreendedor das artes Vitor Gonçalves, no dia 10.

Todos os quatro são “artistas atuantes na cidade”, que poderão ser vistos, ouvidos e também questionados em “bate-papos virtuais” que também servirão como vitrine para seus trabalhos. 

“Cada uma dessas pessoas, a seu modo, ocupa o território mogiano com seus conhecimentos, práticas artísticas, enfrentamentos políticos, pedagogias, criatividades e modos negros de ver e pensar o mundo”, diz a mediadora das atividades e também atriz e pesquisadora Jessica Nascimento.

“Parceira que mantém intensa atividade de pesquisa histórica da arte e do povo preto no Brasil”, Jessica diz que todo a intenção de promover um “ciclo de encontros online” é “reforçar a pauta antirracista na cidade e no Alto Tietê”.

Oficina de Teatro

Outra ação do Galpão Arthur Netto promovida com recursos da Lei Aldir Blanc é a Oficina Livre de Teatro, que embora mais curta, segue os moldes “do tradicional curso ministrado por anos no endereço. A ideia é ensinar alunas e alunos de bairros descentralizados, como Jundiapeba, Vila Lavínia, Jardim Universo e outros.

Prevista para iniciar antes do Natal, a agenda foi alterada para o próximo dia 11 de janeiro. Ator responsável pela coordenação desta atividade, Thiago Costa diz que, diferente da duração original de um ano e meio, o que se vê agora, em novo formato, é uma “experimentação” em 12 encontros.

“O Galpão está chegando na periferia”, diz Thiago Costa, que enxerga isso como um ponto positivo após a saída do Centro.

Resistência

Para Manoel Mesquita Júnior, um dos gestores do Galpão, as ações possibilitadas por recursos da Lei Aldir Blanc são importantes símbolos da luta e resistência da casa, que foi fundada em 2006 e em 2019 fechou as portas do prédio instalado na Avenida Fausta Duarte de Araújo , retornando na sequência, com ações virtuais.

“Mais uma vez somos reconhecidos como um importante território cultural da cidade, talvez hoje um dos mais antigos em atividade, com quase 15 anos”, diz ele, que explica a ideia de manter, pela internet, pelo menos “dois dos três pilares” do coletivo. “Trabalhávamos a circulação de obras, de espetáculos; a formação de artistas; e a residência de artistas e grupos no espaço. Agora seguimos com a parte da formação a partir da Oficina Livre de Teatro e a circulação, com as lives”.

Outras informações sobre os projetos estão disponíveis no Facebook e YouTube do grupo.