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PROTESTO

Com risco de desabar, Casarão dos Duque foi destaque da "Desvirada Cultural"

Local que ainda guarda traços arquitetônicos remanescentes do período colonial, o Casarão dos Duque foi o ponto de partida para as atividades de manifesto realizado por artistas e entidades mogiana

Heitor Herruso
02/08/2022 às 17:13.
Atualizado em 03/08/2022 às 17:03

Em 2021, O Diário fotografou o Casarão dos Duque (Arquivo O Diário)

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PROTESTO

Com risco de desabar, Casarão dos Duque foi destaque da "Desvirada Cultural"

Local que ainda guarda traços arquitetônicos remanescentes do período colonial, o Casarão dos Duque foi o ponto de partida para as atividades de manifesto realizado por artistas e entidades mogiana

Heitor Herruso
02/08/2022 às 17:13.
Atualizado em 03/08/2022 às 17:03

Em 2021, O Diário fotografou o Casarão dos Duque (Arquivo O Diário)

Vindos da rua Deodato Wertheimer, artistas param em frente ao muro de pedras do Casarão dos Duque. Todos acendem velas na calçada, em protesto contra o abandono do patrimônio histórico de Mogi das Cruzes, que corre o risco de desabar a qualquer momento. Em seguida, lêem um manifesto, documento que protesta contra a falta de investimentos e de um olhar mais atento à cultura local. A leitura dá abertura para que uma bacia com água seja colocada diante das velas. Em um ato simbólico de resguardo, os presentes lavam a parte central do muro. As luzes então são apagadas e as mãos dadas, contornando o imóvel. Na entrada do endereço, uma guia de turismo fala, então, sobre os aspectos históricos e culturais do endereço. Somente então todos seguem para o cortejo no Largo do Rosário, em silêncio.

Essa é a descrição da abertura e também primeira atividade da ‘DesVirada Cultural’, agenda organizada pela classe artística na cidade, que promoveu, como forma de protesto, 24 horas de atrações ininterruptas, simultâneas, descentralizadas e gratuitas na cidade no último final de semana.

O ato que marcou o início da programação aconteceu às 18 horas do último sábado. A profissional da área de turismo citada acima é Debora Mello, do projeto 'Mogi Por Dentro'. Ali, ela deu início a um ciclo de contação de histórias e memórias afetivas e culturais que se estendeu até as 18 horas do domingo, com atrações circenses, teatrais, musicais, sociais, de dança e muito mais.

Significa muito constatar que mesmo em péssimas condições de preservação o Casarão dos Duque tenha sido, mais uma vez, palco para algo simbólico. Mas não há como negar: as condições e a "qualidade de vida" do prédio estão de mal a pior. Em junho, O Diário mostrou que o local, que ainda guarda traços arquitetônicos remanescentes do período colonial, inclusive sobre incursão da cidade no cultivo do café, já apresentava “grande risco de desabar”.

A situação é admitida pela Prefeitura de Mogi, que apesar de realizar medidas de limpeza, zeladoria, proteção ambiental, segurança e vigilância, pouco ou quase nada tem feito para preservar o imóvel, que é objeto de uma disputa judicial que vem travando qualquer tipo de ação emergencial.

Nem o tombamento do Casarão dos Duque pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico e Paisagístico (Comphap) tem representado forças para manter o imóvel de pé.

Há que se dizer, porém, que existe uma comissão técnica que acompanha os processos relacionados ao imóvel. Mas a restauração não é tão simples como se poderia pensar.  A disputa judicial citada acima é favorável aos proprietários.

Em maio de 2021, a Justiça de Mogi das Cruzes autorizou a Prefeitura a ingressar no interior do prédio e “providenciar todas as medidas necessárias para a preservação do imóvel, com a realização das benfeitorias necessárias à sua conservação, cujos valores serão cobrados, posteriormente, da empresa proprietária".

Contudo, o que o município afirmou, em extensa nota enviada a O Diário, é que o poder público “está impedido, por meio da justiça, de efetivar qualquer adequação que denote investimento por se tratar de área privada”.

Novamente procurada por este jornal na segunda-feira (1º de agosto), a administração disse que “por ora, nenhuma novidade”. Por isso, permanece atual a reportagem publicada em 15 de junho. De lá para cá, 47 dias se passaram, e como o texto havia cravado, com exceção do ato simbólico da 'DesVirada Cultural', pouco ou quase nada foi feito.

A Prefeitura já havia identificado, em maio último, que “o Casarão está mais fragilizado e com risco de perecimento devido a taipa molhada por causa das chuvas, apresentando maior peso e risco de desabamento”.

Talvez o período de secas – que favorece o aumento das queimadas, aliás – esteja protegendo o endereço. A administração municipal não nega a situação. Pelo contrário.

As respostas enviadas em junho a O Diário mostram que a visão do governo é a mesma dos artistas:  “é visível o avanço nos estragos do telhado e a consequência de sua queda nas estruturas internas do imóvel”.

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