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TEATRO

Com ingressos gratuitos, monólogo 'Guerreirinha, Guerreirinha' será encenado em Suzano

Espetáculo assinado por Antônio Nicodemo e estrelado por Cibele Zucchi marca o retorno da agenda presencial no Teatro Municipal Dr. Armando de Ré nesta sexta (8) e sábado (9), às 20 horas

Heitor HerrusoPublicado em 06/10/2021 às 16:56Atualizado há 11 dias
Divulgação - Cauê Drummond
Divulgação - Cauê Drummond

Por que as crianças choram ao nascer? Se quer saber a resposta, vale assistir ao monólogo ‘Guerreirinha, Guerreirinha’, que será apresentado gratuitamente nesta sexta (8) e sábado (9), às 20 horas, pela mostra ‘Mulheres (IN) Cena’, no Teatro Municipal Dr. Armando de Ré, em Suzano. Além de ser a primeira apresentação presencial com público do elenco envolvido, o espetáculo que pretende resolver a questão também será a primeira atividade no espaço, que esteve fechado por um ano e meio, em razão da Covid-19.

Misteriosa, a sinopse da peça fala de “um sonho, uma lenda, um causo, um mito”. Mais do que isso, de “uma história que se ouve de alguém ou que alguém lá atrás contou e hoje, alguém ainda conta”. No palco fica claro que “a tradição oral é uma das grandes potências que ilustram o poder imaginativo de geração em geração”.

Autor e diretor da montagem, Antônio Nicodemo dá mais algumas pistas do que o espectador encontrará em um monólogo sobre “a criança que matou a sede na lágrima do anjo”.

“Esse texto vem a partir de um conto. Durante a pandemia eu escrevi alguns e saí publicando, sozinho ou com parcerias. E a gente percebeu nesse conto uma potência para virar monólogo. A história narra um dia após uma grande celebração, um grande festejo nessa comunidade, nessa aldeia, nesse lugar onde essa menina sobrevive com a família. É uma das vezes que o céu teve que fazer as pazes com a terra”, resume ele.

A protagonista, vivida pela atriz Cibele Zucchi sob iluminação de Carlos Rei, “um dia acorda e se depara com uma situação dentro de casa”. Ao abrir os olhos, percebe que tanto sua família como comunidade foram “destroçadas”. Ela, então, “tem pela primeira vez contato com algo que pode se dizer infernal, injusto, dolorido”. A partir daí o texto passa a tratar de questões populares e tradições orais sobre céu, inferno e “crendices”.

Tudo isso será acompanhado pelo público de duas maneiras diferentes. Cibele estará sozinha no palco, mas tanto encenará como narrará as cenas. A ideia é mostrar “quão poderosa é a palavra que, convertida em imagem, pode acessar um campo poético muitas vezes guardado por todos nós”. 

Aos interessados em assistir, a produção faz um convite amplo. Mais do que ir ao teatro, comemorando o retorno presencial das atividades culturais, ‘Guerreirinha, Guerreirinha’ é um chamado para a reflexão. Em outras palavras, “uma história inventada, mas que poderia ter sido memória vivida ou presenciada de algum lugar ou antes mesmo do começo de tudo”. 

Certo está Antônio Nicodemo, que não quis antecipar as respostas. Será preciso ir ao Teatro Armando de Ré, ao número 1.354 da rua General Francisco Glicério, no Centro de Suzano, para entender “porque choram as crianças quando nascem, brincando com o sincrético, o humano, o terreno e o divino”.

A curiosidade, porém, deve esperar. Antes disso será preciso retirar o ingresso – de graça - na recepção do Centro de Educação e Cultura Francisco Carlos Moriconi. O endereço é rua Benjamin Constant, 682, Centro, e o horário de funcionamento das 8 às 17 horas.

 Enfim, de volta

‘Guerreirinha, Guerreirinha’, é um produto da pandemia de Covid-19. Uma história que fala em “instigar”, que tem alta “carga de passado, de memória, das histórias que são contadas e passadas”. O texto sobre “mistério e lenda” foi encenado pela primeira vez no quintal da atriz Cibele Zucchi.

Depois disso, o espetáculo ganhou corpo e esteve em mostras e festivais. Chegou a ser gravado em um palco, mas sempre com exibição online. O Festival ‘Mulheres (IN) Cena’ marca o retorno presencial. O contato com o público. Ao vivo. À cores.

“Estamos há bastante tempo sem este tipo de troca, somente em experiências virtuais e de telas. Voltar traz uma luz, de perceber as coisas voltando, e de alguma forma dá esperança para os próximos dias”, avalia Antônio Nicodemo.

Artista que muito sofreu durante a pandemia, ele não se permite a ingenuidade. “Estamos retornando, mas precisamos lembrar que retornamos nessa configuração de país, de governo, nessa configuração cultural, com a mesma forma que o governo nos vê”, finaliza.

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