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PERDA

Ator Milton Gonçalves morre aos 88 anos, no Rio de Janeiro

Ele faleceu em casa, em consequência de problemas de saúde decorrentes de um AVC sofrido em 2020

O Diário e Imprensa Globo
30/05/2022 às 15:59.
Atualizado em 30/05/2022 às 16:40

Ator Milton Gonçalves morreu nesta segunda-feira (30, aos 88 anos (Divulgação - Fundação Cultural Palmares)

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PERDA

Ator Milton Gonçalves morre aos 88 anos, no Rio de Janeiro

Ele faleceu em casa, em consequência de problemas de saúde decorrentes de um AVC sofrido em 2020

O Diário e Imprensa Globo
30/05/2022 às 15:59.
Atualizado em 30/05/2022 às 16:40

Ator Milton Gonçalves morreu nesta segunda-feira (30, aos 88 anos (Divulgação - Fundação Cultural Palmares)

A teledramaturgia brasileira perdeu mais um importante ícone nesta segunda-feira (30). Aos 88 anos, o ator Milton Gonçalves morreu em sua casa, no Rio de Janeiro em consequência de problemas de saúde decorrentes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que sofreu em 2020, quando chegou a ficar três meses internado. O corpo será velado nesta terça-feira (31), o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em horário ainda não divulgado.

Gonçaves ficou conhecido do telespectador brasileiro por trabalhos marcantes, principalmente em novelas, como "O bem-amado" (1973), "Pecado capital" (1975) e "Sinhá Moça" (1986).

Mineiro de Monte Santo, Gonçaves nasceu em 9 de dezembro de 1933. Em sua trajetória profissional na televisão constam mais de 40 novelas, apenas na Rede Globo. Na emissora, ele também atuou em programas humorísticos e minisséries de sucesso, como as primeiras versões de "Irmãos Coragem" (1970); "A Grande Família" (1972); e "Escrava Isaura" (1976).

Ainda no currículo, traz outros trabalhos de destaque, como as séries "Carga Pesada" (1979) e "Caso Verdade" (1982-1986).

Pela atuação como Pai José, na segunda versão da novela "Sinhá Moça" (2006), recebeu a indicação para o prêmio de Melhor Ator no Emmy Internacional. Na cerimônia, ele apresentou o prêmio de Melhor Programa Infanto-juvenil ao lado da atriz americana Susan Sarandon. O ator foi o primeiro brasileiro a apresentar o evento.

NA TV, sua última participação em novela foi em "O Tempo Não Para" (2018), da Globo, quando viveu o catador de materiais recicláveis Eliseu.

A Globo, aliás, emitiu um comunicado oficial sobre a morte do artista. Confira a seguir, na íntegra:

"Quem tem fé, voa", dizia Zelão das Asas, personagem eternizado por Milton Gonçalves em "O Bem Amado", de 1973. Em plena ditadura, o talento inconfundível de Milton encarnou a metáfora criada por Dias Gomes em um país que clamava por liberdade. O ator e diretor que alçou os mais altos voos despede-se hoje da vida, com a serenidade e a grandeza de quem, mesmo com tantos percalços, trilhou uma vitoriosa caminhada na dramaturgia de um Brasil que se acostumou a se emocionar com ele e aprendeu a reverenciá-lo. Aos 88 anos, Milton morreu no início da tarde desta terça-feira, 30, no Rio de Janeiro, por complicações em decorrência de um AVC. Viúvo, ele deixa três filhos, dois netos e um legado que se confunde com a história da própria TV brasileira. Antes da fundação da Globo ele já era ator e não escondia o orgulho de seu crachá de número 141 na empresa.

Nascido em 9 de janeiro de 1934, na pequena cidade de Monte Santo, em Minas Gerais, filho de camponeses, mudou-se com a família ainda pequeno para São Paulo, onde foi aprendiz de sapateiro, de alfaiate e de gráfico. Fez teatro infantil e amador e estreou profissionalmente em 1957, no mítico Teatro de Arena, na peça 'Ratos e Homens'. Depois de uma turnê nacional, decidiu morar no Rio. "Sofri todos os percalços entendendo, mas não concordando, com o preconceito racial, que foi um trauma na minha vida. Assim, o teatro para mim foi a grande salvação", revelou, certa vez, em entrevista ao site Memória Globo.
 
Milton participou do primeiro elenco de atores da Globo. Ele chegou à emissora a convite do ator e diretor Otávio Graça Mello, de quem fora companheiro de set no filme 'Grande Sertão' (1965), dos irmãos Geraldo e Renato Santos Pereira. Dirigido por Graça Mello, participou das primeiras experiências dramatúrgicas da Globo: o seriado Rua da Matriz, de Lygia Nunes, Hélio Tys e Moysés Weltman, e a novela 'Rosinha do Sobrado', de Moysés Weltman.
 
Estreou como diretor de TV na novela 'Irmãos Coragem' (1970), de Janete Clair, um marco da televisão brasileira. A partir daí, esteve em várias produções icônicas da emissora: foi o Professor Leão do infantil 'Vila Sésamo' (1972); o médico Percival, de Pecado Capital (1975); o Filé, de 'Gabriela' (1975), de Walter George Durst; dirigiu os primeiros capítulos da novela 'Selva de Pedra' (1972), de Janete Clair; e, em 'Roque Santeiro' (1985), de Dias Gomes, interpretou o promotor público Lourival Prata. Também trabalhou em minisséries como 'Tenda dos Milagres' (1985), adaptação do romance de Jorge Amado por Aguinaldo Silva; 'As Noivas de Copacabana' (1992), de Dias Gomes, Ferreira Gullar e Marcílio Moraes; em 'Agosto' (1993), adaptação da obra de Rubem Fonseca por Jorge Furtado e 'Giba', de Assis Brasil; e em 'Chiquinha Gonzaga' (1999), de Lauro César Muniz, deu vida ao maestro Henrique Alves de Mesquita.
 
Por conta de sua marcante atuação como Pai José, Milton esteve nas duas versões de 'Sinhá Moça': na original (1986) e no remake (2006), pelo qual foi indicado ao Emmy Internacional como melhor ator. Na cerimônia de entrega, Milton Gonçalves apresentou o prêmio de melhor programa infantil/adolescente ao lado da atriz Susan Sarandon. Foi a primeira vez que um brasileiro apresentou um Emmy Internacional.
Milton também participou de uma vasta e diversa produção cinematográfica. Foram mais de 50 títulos como 'Cinco Vezes Favela' (1962), 'Gimba, presidente dos Valentes' (1963), 'A Rainha Diaba' (1974), 'O Beijo da Mulher Aranha' (1985), 'O Que É isso, Companheiro?' (1997), 'Carandiru' (2003), 'Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida' (2007). Em 2008, interpretou o personagem Romildo Rossi, um político corrupto, em 'A Favorita', de João Emanuel Carneiro, atualmente no ar na TV Globo, no 'Vale a Pena Ver de Novo'. No filme 'Segurança Nacional' (2010), fez o papel do primeiro presidente negro da história do Brasil.
 
Em 2011, Milton Gonçalves trabalhou na novela 'Insensato Coração', de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, como Gregório Gurgel. No ano seguinte, voltaria a atuar numa trama de época, ao interpretar o Afonso Nascimento em 'Lado a Lado', novela de João Ximenes Braga e Claudia Lage, que ganhou o prêmio Emmy Internacional. Participou ainda de 'Pega Pega' (2017), como Cristovão, e de 'O Tempo não Para' (2018), como Eliseu.
 
Paraquedista, pirófago (engolidor de fogo), mecânico, Milton viveu muitas vidas em uma carreira com papéis de destaque por todas as áreas e gêneros da dramaturgia - da comédia ao drama, emocionou, fez rir e ecoar sua voz contra o racismo. Em 2019, atuou na minissérie 'Se eu Fechar os Olhos Agora', da Globo Now, inspirada na obra homônima de Edney Silvestre. No mesmo ano, encarnou o aposentado Orlando, que com a ajuda da neta Letícia (Gabriely Mota) se tornava Papai Noel, do especial de Natal 'Juntos a Magia Acontece'. "Estar aqui e fazer esse personagem me emociona. É uma batalha de muitos anos, de séculos. A gente tem que eliminar o medo, tem que batalhar. Vou fazer o melhor Papai Noel que eu puder", celebrou ele, com uma alegria quase juvenil na época das gravações.

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