REIVINDICAÇÃO

Coordenador do Samu de Mogi defende a instalação de heliponto no Luzia: ‘fundamental’

LIMITE Luiz Henrique diz que resgates são feitos só durante o dia. (Foto: divulgação)

A visita dos técnicos da Secretaria de Estado de Saúde ao Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo na última quinta-feira coloca no noticiário um antigo pedido regional: a construção de heliponto para agilizar no resgate de pacientes em casos de acidentes e de emergência na unidade referência para Mogi e cidade do Alto Tietê. É esperado para os próximos dias os resultados da avaliação que apontará onde o serviço poderia ser instalado.

Um dos defensores da instalação do heliponto no hospital é o médico Luiz Henrique Benites Bot, que coordena aproximadamente 200 funcionários, divididos em 12 equipes que atuam em seis municípios atendidos pelo Consórcio Regional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Cresamu), que são Salesópolis, Biritiba, Guararema, Arujá e Santa Isabel, além de Mogi das Cruzes, onde sete delas prestam serviços.

Para o médico, o heliponto atuará para salvar vidas dos pacientes, especialmente acidentados, que precisam ser atendidos com urgência. Hoje, o resgate aéreo exige uma espécie de baldeação: o paciente é levado ao Corpo de Bombeiros, no Shangai, e de lá segue de viatura para o Luzia de Pinho Melo. Veja a entrevista:

Qual a importância do atendimento imediato do paciente ou ferido?

O paciente politraumatizado tem uma característica de emergência, quanto mais rápido o atendimento, mais rápido o tratamento menor a chance de sequelas. Chamamos de “Golden Hour” a primeira hora do atendimento.

Poderia explicar como é feito todo o processo para atender vítima quando é feito o resgate aéreo?

Todos os atendimentos aeromédicos com helicóptero são realizados de dia. Porque os locais onde o helicóptero pousa não são iluminados. Sempre o primeiro atendimento é realizado pelas equipes terrestres, Samu e bombeiros, e dependendo da gravidade das vítimas é solicitado apoio aéreo, que geralmente chega em média em 20 minutos, vindo de São Paulo ou São José dos Campos.

Qual estimativa de tempo para esse procedimento?

Após chegada no local do acidente, geralmente com o paciente já estabilizado, é realizado uma regulação com médicos da base que avaliam as disponibilidades de referência que poderiam receber esse paciente. Em Mogi, a referência é o Luzia de Pinho Melo. Mas, nesse caso, o paciente tem que ser levado para a sede do corpo de bombeiros e depois seguir para o hospital

Qual diferença se o helicóptero pudesse pousar no hospital?

Temos o heliponto funcionando na base dos Bombeiros, no Shangai, porém o restante do trajeto é realizado por terra, com auxílio da viatura do Samu. O trajeto pode demorar mais de 15 minutos, tempo de acesso ao paciente, transferência para a ambulância do Samu e o trajeto propriamente dito até o Luzia de Pinho Melo.

Com que frequência esses tipos de socorros aéreos são feitos por mês?

A solicitação de apoio aéreo não tem tanta frequência, porém faz a diferencia para as pessoas que são salvas pelo tempo ganho no atendimento. É realizado em média um por semana.

Que tipo de atendimento é feito por helicópteros?

São atendidos pacientes politraumatizados, ou seja, com lesões em vários órgãos e com risco iminente de óbito.

O que aconteceria se tivesse um grande acidente em uma estrada próxima como a Mogi-Bertioga?

Tudo depende do local do acidente, para dar condições do helicóptero aterrizar. Mesmo assim poderia fazer as remoções de vítimas graves em um tempo muito pequeno, aproximadamente cinco minutos, com um aumento de chance de sobrevida dos pacientes, se tivesse o heliponto no Luzia. Se tiver que ir para o Corpo de Bombeiros poderia demorar mais de 15 minutos. Para outros hospitais em São José dos Campos, Guarulhos ou São Paulo levaria de 20 a 30 minutos.

Em caso de acidentes graves haveria ambulância disponível para receber o helicóptero no Corpo de Bombeiros?

Essa é a grande questão, haverá algum dia que isso poderá acontecer, mesmo porque quando há catástrofes todos os recursos são liberados e enviados para o local e não sobraria nenhum para ajudar nesses casos em Mogi. Isso significa que se o helicóptero pousasse no Corpo de Bombeiros não teria ambulância para receber o paciente. Nessas circunstâncias o paciente precisaria ser removido para São Paulo, aumentando o trajeto em pelo menos 20 a 30 minutos, tempo importante para o atendimento.

Já ficou sabendo de algum caso de paciente que não sobreviveu nesta situação porque não deu tempo para fazer o atendimento?

Muito difícil essa resposta, difícil assumir que perdemos o paciente pelo tempo resposta ao atendimento.

Existe um consenso sobre a necessidade de heliponto entre os profissionais que atuam nessa área de emergência?

Sim, todos médicos que trabalham com emergência querem receber os pacientes mais rápido possível para iniciar o tratamento, esperando uma melhor resposta e aumentando a chance de sobrevida

O equipamento poderia ajudar no transporte de órgãos?

Sim, em caso de captação de órgãos, essa remoção ficaria muito mais ágil para o paciente receptor.

Como esse trabalho é feito hoje?

Hoje é feito via terrestre 100%, a equipe chega de carro e sai com o órgão enfrentando trânsito da rodovia Ayrton Senna.

Está acompanhando as notícias sobre as tentativas de políticos locais para trazer o heliponto para a cidade? Quais as expectativas?

Sim. São expectativas positivas. Caso haja disponibilidade de recursos financeiros, será uma ótima vitrine para o politico que conseguir trazer esse equipamento ao Hospital Luzia de Pinho Melo.

Acha que será possível convencer a equipe técnica que o Estado encaminhou para analisar a situação do Luzia, a pedido do deputado Marco Bertaiolli?

Sim.


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