Quando se fala em futuro, a tecnologia é uma das primeiras coisas a ser lembrada. Na Educação isso não é diferente. Este avanço, entretanto, precisa andar junto de um fator importante: a humanização das relações. Educadores concordam que os aparatos tecnológicos são grandes aliados no ensino, mas afirmam que os professores são indispensáveis para que tudo isso seja mediado e utilizado de maneira correta.

“No ensino superior, o professor é o curador de conhecimento, aquele que organiza o currículo. No Ensino Médio, a tecnologia pode otimizar as práticas, dando mais espaço para que as relações humanas sejam melhor exploradas. Na Educação Infantil e Ensino Fundamental, o professor é insubstituível. Nesta busca formativa, não há tecnologia que substitua um bom professor”, frisa Ligiane Porto, coordenadora Pedagógica de Língua Inglesa e Ensino Bilíngue no São Marcos.

O diretor acadêmico do colégio, Marcio de Paula, concorda e afirma que o distanciamento dos alunos do ambiente escolar – que está sendo colocado em evidência durante a pandemia do novo coronavírus – está longe de ser um modelo adequado e eficaz. Ele acredita que o ensino remoto deverá continuar sendo utilizado nos próximos anos, mas somente como ferramenta de apoio.

“A escola precisa sempre antecipar o futuro, não descrevendo-o, mas formando o aluno para que sejam capazes de superar qualquer que seja o desafio, perseguindo suas escolhas e criando possibilidades. Vai além da informação, trata-se de construção de conhecimento. Neste aspecto, a escola é o próprio laboratório do futuro”, afirma o educador. 

Além de evidenciar a necessidade das relações, Ligiane explica que o distanciamento serviu também para quebrar paradoxos. Por mais que os jovens tenham facilidade com redes sociais, jogos e aplicativos intuitivos, ainda precisam de orientação para conduzir simples pesquisas, que necessitam de repertório para fazer leitura crítica da diversidade de informações que encontram na internet.

E independentemente de um cenário tecnológico, a coordenadora ressalta a importância da participação dos pais na educação. “É necessário conhecer as demandas do próprio filho e acolhê-las com respeito e zelo. Tudo isso por meio do diálogo pautado na escuta ativa”, diz. 

Nesta relação, a tecnologia pode ser utilizada para o acompanhamento de questões mais burocrática, como agenda, tarefas, visualização de faltas, notas, reuniões e atendimentos virtuais.

Ensino mais digital

Diretor Acadêmico do Colégio São Marcos, Marcio de Paula conversou com O Diário e apresentou suas perspectivas para o futuro. Veja a seguir:

 – O que muda nas salas de aula futuramente?

O São Marcos há anos disponibiliza tecnologias em suas salas de aula, mas daqui para frente teremos que aperfeiçoar as dinâmicas e costumes. Quase tudo que for ministrado deverá ser digitalizado para que os alunos usufruam desse conteúdo em casa. 

 – Em 2019, o Governo do Estado homologou o Currículo Paulista do Ensino Fundamental, que tem como um dos pilares a educação integral. O São Marcos oferece isso de maneira opcional. Como funciona?

A iniciativa do Governo visa não somente a oferta de outras possibilidades educacionais, mas, principalmente, tem foco no aumento de tempo da criança dentro da escola. O São Marcos já oferece uma carga horária regular obrigatória mais extensa e o Período Integral opcional visa não um aumento de carga horária, mas o desenvolvimento do aluno de uma forma mais abrangente. Ofertamos atividades pedagógicas que fortalecem e expandem o currículo base. 

 – Este ano, foi a vez da aprovação do currículo que diz respeito ao Ensino Médio, onde o aluno poderá escolher as disciplinas com as que mais se identifiquem. Como isso chega ao São Marcos?

O São Marcos acolhe o Novo Ensino Médio com entusiasmo, mesmo porque nos antecipamos a essas mudanças há alguns anos ao criarmos os Núcleos por Áreas de Conhecimento. O Colégio disponibilizou estas disciplinas eletivas aos alunos no período inverso: Matemática Avançada, Física Aplicada, Estudos Literários e Debates Contemporâneos. Celebrar o protagonismo estudantil, a potencialização dos talentos e o saber contextualizado sempre foram a marca desse segmento de nossa escola.

 – Essas escolhas dentro da grade, também são mudanças que visam a educação do futuro? De certa forma, isso prepara melhor os estudantes para a vida?

Sem dúvidas. O Ensino Médio precisava passar por uma transformação. A geração digital não aceita a passividade, eles cresceram navegando na internet, fazendo constantes escolhas e na escola não deve ser diferente. Na era da informação, a educação pautada na simples memorização de conteúdos está ultrapassada, os alunos devem ser estimulados a desenvolver, a partir das mais variadas áreas do conhecimento, as múltiplas habilidades cognitivas e emocionais: pesquisar, analisar, comparar, criticar, criar, empatizar e comunicar. 

 – Escolas bilíngues são o futuro da educação?

O domínio da Língua Inglesa é uma habilidade inquestionável para qualquer perspectiva de futuro e ocupa lugar de destaque em nossa escola desde os anos 80. Atualmente, o São Marcos encontrou uma forma harmônica de ensinar Inglês de forma significativa e eficiente sem qualquer ônus às demais áreas do conhecimento. Não vemos a necessidade de classificar ou não a nossa escola como bilíngue, temos plena segurança daquilo que ofertamos, não há dúvidas da nossa tradição e sabemos que somos referência.