EDITORIAL

Começa uma batalha

O Governo do Estado prepara uma mudança na estrutura de apoio, capacitação e defesa agropecuária que prevê o fechamento de Casas da Agricultura e a reorganização da assistência técnica e legal ao campo. As primeiras reações de lideranças e sindicatos foram contrárias às medidas.

A agricultura familiar e os pequenos produtores já são duramente afetados pela redução das áreas produtivas, muitas perdidas para especulação imobiliária, a falta de políticas de fomento para manter as novas gerações na atividade agrícola, e a falta de estrutura da zona rural, o que prejudica a comunicação entre quem planta e compra. São deficitárias as redes de internet, telefonia e até de energia elétrica, sem falar, das condições das estradas.

Tudo isso modela o desespero dos agricultores diante de mais uma possível perda.

No papel, o plano estadual fala sobre a modernização do atendimento administrativo e técnico – o que determinará o aumento dos atos digitais, e a redução de gastos e desperdícios.

Sedes dos Escritórios Regionais de Defesa Agrícola, com o passar dos anos, ficaram grandes demais para o exíguo corpo técnico. Parte das 570 Casas da Agricultura está desmantelada.

Embora o argumento seja aceitável, há de se considerar alguns fatores. O distanciamento entre o técnico e os agricultores será o golpe final a muitos dos que trabalham em pé de desigualdade.

Por outro lado, o argumento sobre o corte de gastos e a melhoria da logística da defesa e fiscalização agropecuária é importante.

Mogi das Cruzes bem o sabe. Em um episódio nem tão recente, o ex-prefeito e hoje deputado federal, Marco Bertaiolli, atinou para a subutilização do prédio da Casa da Agricultura e tentou, mas não conseguiu, transferir os pouquíssimos funcionários do bem localizado endereço do Centro Cívico para um espaço menor. A propriedade do pedido ganhou eco porque era evidente o desconforto de se manter uns poucos servidores, em um prédio daquele porte.

Não houve jeito. Mesmo com a determinação superior, os técnicos não arredaram o pé e permaneceram onde estão até hoje.

Tomara que a discussão iniciada pela Secretaria Estadual de Agricultura seja pautada pelo bom senso e responsabilidade. Acabar por acabar com as Casas da Agricultura aprofundará as perdas nesse segmento.

O campo tem um fortíssimo histórico de combate em causas que afetam seus interesses. Essa discussão está apenas começando.


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