EDITORIAL

Com 100 anos de história, a Casa São Vicente de Paulo muito fez por Mogi

Fruto da Sociedade de São Vicente de Paulo fundada em 1896, em Mogi das Cruzes, o asilo sob a responsabilidade dos vicentinos enfrenta um de seus mais complicados e tristes momentos.

É hora de ajudar a conferência dos vicentinos que rompeu a casa dos 100 anos de atendimento aos idosos carentes.

A história dessa obra social nos dá a medida do trabalho, conforto e socorro oferecido mais pobres, com o apoio da comunidade mogiana. Famílias carentes, isso mesmo, famílias, receberam os primeiros atendimentos no endereço da rua São João, em casinhas construídas com a ajuda dos mogianos.

Com o tempo, no entanto, o trabalho foi direcionado ao recebimento apenas dos idosos – uma ação que, em novembro, vai completar 105 anos. Quantos mogianos passaram por ali durante todos esses anos? Muitos, com certeza.

E, agora, na pandemia da Covid-19, o asilo enfrenta uma gravíssima e dolorosa crise com a morte de três idosos infectados pela doença, e a internação de outros assistidos pelo mesmo motivo. Será preciso apurar responsabilidades, óbvio. Porém, bem sabemos, esse vírus não escolhe onde e quando irá atingir uma família ou grupo de pessoas, ricas ou pobres.

Estancar o risco de contaminação, o que esperamos, está sendo providenciado, será o primeiro passo para vencer o que este jornal defendeu, neste mesmo espaço, no início da pandemia, sobre a atenção às casas de acolhimento aos idosos – porque são eles os mais vulneráveis ao novo coronavírus.

O poder público e a sociedade organizada precisam agir rápido para auxiliar a entidade dirigida por voluntários.

A existência desse modelo, por si, é algo para se orgulhar. Nos últimos tempos, a gestão do voluntariado à frente de uma Instituição de Longa Permanência (ILP) resiste entre poucas entidades religiosas e não-governamentais.

Interfere, nesse estado de exceção, a obrigatoriedade de se atender às leis fiscais e sanitárias exigidas, com razão, para dar transparência ao uso do dinheiro público ou vindo de doações, e à salvaguarda da vida alheia. A manutenção de um quadro de diretores dedicados a uma obra filantrópica é exercício social e humano para quem nada contra a corrente dos tempos líquidos, onde nada é feito para durar, como sintetizou o sociólogo Zygmunt Bauman (1925-2017).

Essa é uma situação gravíssima, sim. Mas este jornal reconhece que os vicentinos já fizeram muito pelos idosos desamparados. É hora de responder ao que eles já fizeram e assumiram, inclusive, como parceiros providenciais para o próprio poder público.


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