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ARTIGO

Um respiro em meio do caos

O cenário atual da região do alto tietê mostra que, com a soma de esforços das gestões públicas e da iniciativa privada, estamos mais próximos de atender a meta nacional para a gestão dos resíduos

José Francisco CaseiroPublicado em 04/06/2021 às 18:13Atualizado há 10 dias
O Diário
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Em meio ao caos que vivemos há quase um ano e meio, onde tudo se resume com a pandemia provocada pelo surgimento do novo coronavírus e seus reflexos na saúde e economia, a data de 5 de junho merece um respiro. Literalmente. Hoje se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente e na nossa região, do Alto Tietê, não faltam motivos para essa data ser destacada. Afinal, a região representa um importante pulmão verde dentro da mancha urbana que a Grande São Paulo se transformou nas últimas décadas, com uma ainda significativa reserva de mata atlântica e mananciais que fazem da região um das maiores produtoras de água do Estado.

Nem tudo é maravilhoso, como bem sabemos. Há esforços para conter desmatamentos e manter áreas protegidas, assim como controlar os agentes poluentes. 

Mas o avanço da ocupação urbana, num ritmo muito mais intenso do que os investimentos em planejamento e infraestrutura, continua a ser uma ameaça.

Muito esgoto bruto, escondido em canos cobertos por camadas de asfalto, é despejado em cursos d’água, longe dos olhos da maioria das pessoas. 

Das oito cidades integrantes da área de abrangência do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo)  Alto Tietê, três delas estão listadas entre as 100 maiores do País no Ranking do Saneamento Básico divulgado recentemente pelo Instituto Trata Brasil. 

Suzano é a melhor colocada na 10ª posição nacional e 98% de cobertura de redes de esgoto; depois estão neste ranking Mogi das Cruzes, na 44ª posição e 94% de atendimento; eItaquaquecetuba, em 70º lugar e 70% de saneamento – coleta e tratamento. 

Como pode se ver, o esgotamento sanitário é um dos principais desafios dos gestores públicos. 

Na indústria, os dejetos, principalmente os oriundos dos processos produtivos, também já foram um grande problema, vencido com investimentos pesados em tecnologia e retorno em economia de gastos, uso eficaz dos recursos naturais e sustentabilidade, quesito cada vez mais valorizado no mundo dos negócios.

Nas administrações públicas, a baixa capacidade de investimentos frente ao grande passivo, que aumenta diante da urbanização acelerada, é um dos grandes entraves no cumprimento das responsabilidades. 

O Marco do Saneamento, aprovado no ano passado, pelo governo federal, prevê que em 2033, ou seja, daqui a 12 anos, 99% da população tenha água potável e 90% coleta e tratamento de esgotos.

O cenário atual do Alto Tietê mostra que, com a soma de esforços das gestões públicas e da iniciativa privada, estamos mais próximos de atender essa meta nacional. 

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp) têm atuado muito próximo das novas administrações públicas justamente para compartilhar experiências bem-sucedidas no meio industrial e apontar alternativas financeiras para que as cidades tenham condições de avançar na sustentabilidade.

O diálogo tripartite – público, privado e sociedade – é indispensável numa questão tão essencial como a relacionada ao meio ambiente e no momento em que a possibilidade de mudanças previstas no Marco do Saneamento também vem atrelada à criação de novas taxas que todos terão de pagar.

A chamada “taxa do lixo” surge da mesma forma que anos atrás tivemos de engolir a contribuição da iluminação pública.

 Agora, teremos de pagar pelos resíduos sólidos gerados nas cidades. Saber disso, participar das discussões de valores que começam a ganhar força nas cidades e quais serão as formas de cobrança é tarefa de casa e confirma as responsabilidades de todos no que deve ser a sustentabilidade ambiental.

A nossa região tem 20% do seu território com cobertura vegetal e isso precisa ser valorizado pelas indústrias, pelas administrações municipais e, principalmente, por cada um que mora e trabalha nos municípios do Alto Tietê. A data de hoje é mais um lembrete de que precisamos seguir respirando, com qualidade.

José Francisco Caseiro é empresário e diretor do Sistema da Federação do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) nas cidades da região do AltoTietê.

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