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ARTIGO

Respeito é bom

"Se manda um repórter calar a boca é porque não tem resposta para a pergunta, não tem argumento"

Laerte SilvaPublicado em 24/06/2021 às 23:53Atualizado há 1 mês

O jornalismo e o resultado de sua atividade, impresso ou em mídia eletrônica, é importante numa democracia. Apurar a notícia, transmitir, ou ainda, conforme o perfil do trabalho comentar o fato em coluna de opinião, permite ao grande público considerar a informação e tirar suas conclusões. Hoje a informação é compartilhada em grande velocidade nas mídias sociais, e na mesma velocidade as chamadas “fake news” que disparam um desserviço, razão pela qual o profissional da área é fundamental para separar as coisas.  

Em sua profissão o jornalista colabora ao traduzir as ocorrências e faz a divulgação muitas vezes de alerta, principalmente tratando-se do Poder Público, onde o interesse da coletividade é maior.   

Bem por isso, o detentor de mandato, que escolhe servir ao povo, tem a obrigação de responder aos questionamentos, mesmo quando a pergunta for desagradável, afinal, aquele que não quer dar satisfação dos seus atos, não deve candidatar-se, não deve buscar eleição para cargo público.  

O político recebe pelas urnas um mandato e não um reino, portanto, deve prestar todas as informações que lhe sejam solicitadas e com respeito a altura de seu cargo.

Se fica irritado e agride o profissional da imprensa, não faz mais do que expor o seu descontrole emocional.

Se manda um repórter calar a boca é porque não tem resposta para a pergunta, não tem argumento.  É a pressão gratuita para aplausos de seguidores.

O jornalismo serve ao grande público, portanto, ofender um profissional em seu trabalho é desviar-se da resposta que não se tem.  Goste-se ou não desta ou daquela empresa jornalística, se vai aos microfones deve ter a decência de responder ao que for perguntado.  Se o político não quer sujeitar-se a isso, não se exponha.

Evidente que este cenário não é novidade no Brasil, muito menos no momento “pandêmico” que atravessamos e com o palanque do ano que vem cada vez mais próximo e as discussões políticas cada vez maiores.  

O político não deve atacar o repórter que faz seu trabalho ou culpar a imprensa em geral pelo seu erro de conduta.  Se um fato não morre é porque não foi devidamente explicado, e não é mandando o profissional da imprensa calar a boca que a razão lhe socorrerá.  

A culpa não é da bandeira do microfone ou da caneta do repórter, mas sim do que sai da boca do político.  Respeito é bom. 

Laerte Silva é advogado  

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