Como diz a letra da música da Legião Urbana, “o mundo anda tão complicado” nesse período de covid-19 que ao conversar com os amigos, as impressões que ficam é que o ser humano poderia fazer mais pelo bem-estar coletivo. Evidente que a vontade de fazer aquela feijoada ou churrasco e curtir a vida com a família e amigos é grande, porém, há um vírus que não está dominado e carece de uma vacinação mundial para controle. Não tem diferença, rico ou pobre todos são afetados por essa doença que mexeu com as relações humanas. As empresas mudaram, o trabalho também mudou e para alguns acabou ou diminuiu, a economia sofreu e em nome dela permissivas aglomerações em centros comerciais serviram e ainda servem de “alimento” para explodir o contágio.

É preciso “consertar” as emoções, diminuir a vida frenética, olhar para a família com seriedade e encarar de vez que os cuidados de cada um significarão o bem estar de todos. Serviu o início da quarentena para que as pessoas dessem valor ao simples, ao ficar em casa, compartilhar almoço e jantar com os filhos, aquela refeição nunca possível para alguns porque o importante sempre foi o ganhar, ganhar, ganhar.

Este Natal, diferente, reduzido, pressionado pela necessária proteção da vida que impôs distanciamento social e afastou confraternizações, possivelmente levará  muitos à reflexão do seu significado real, ao menos isso seria desejável, para entender que a data é muito mais do que ruas de comércio lotadas e shoppings intransitáveis.  Para pensar se a expressão religiosa tem lugar nesse universo de consumo.

Nem todos pensam assim, mas se a reflexão ocorrer será um avanço, afinal, a pandemia que ceifou vidas entristeceu o Natal de muitas pessoas, provocou afastamentos em nome da segurança, de maneira que a celebração da vida, e não o viés comercial, é o que se espera no ano em que o mundo enxergou quão pequeno é o homem, e que nem todo o dinheiro que uma pessoa possa ter será garantia de continuar de olhos abertos se o descuido persistir.     

Esse turbilhão de coisas, pandemia, isolamento social, vacinação em massa, etc., tudo isso irá passar, mais rápido ou a duras penas conforme o comportamento de cada comunidade. Importante é olhar para o futuro renovando a esperança que chegaremos num porto seguro, se todos colaborarem. 

Laerte Silva é advgado