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ARTIGO

O transporte público nos trilhos

"O transporte coletivo urbano, apesar de ser o foco de atenções, não é o único a preocupar, há áreas rurais e distritos distantes que sofrem igualmente com a ausência de coletivos"

Laerte SilvaPublicado em 23/04/2021 às 11:49Atualizado há 19 dias

O transporte coletivo continuará por muito tempo sendo um grande desafio para os governos.  As cidades com grande concentração urbana, principalmente nas regiões metropolitanas, não dão conta da demanda de passageiros, somando-se a isso a existência de empresas de ônibus com serviço sofrível, a existência de veículos em condições ruins, além dos trens e metrôs igualmente lotados. Na pandemia o transporte público teve holofotes maiores sobre ele, pois sabe-se que sendo necessário o distanciamento social, tudo o que não acontece é exatamente isso nos horários de pico. Os usuários ficam aglomerados, há localidades com poucos ônibus, ou então os intervalos destes e das composições dos trens e metrôs não estão adequados para a quantidade de passageiros.

O transporte coletivo urbano, apesar de ser o foco de atenções, não é o único a preocupar, há áreas rurais e distritos distantes que sofrem igualmente com a ausência de coletivos e maiores horários de circulação, da mesma forma causando aglomerações.  Esse o quadro geral, com raras exceções, das cidades brasileiras.  

Outro ponto sobre o qual a pandemia jogou luz refere-se ao investimento feito (ou não) pelos Estados no transporte sobre trilhos, e os efeitos econômicos sobre as empresas de ônibus, especialmente nas localidades em que a restrição de circulação retirou os coletivos das ruas desafiando a manutenção da frota e o emprego de motoristas e cobradores diante da falta de operação.  A conta não fecha.

Evidente que o transporte coletivo requer para um serviço de qualidade, que se tenha arrecadação tarifária adequada ao investimento necessário à manutenção do sistema e à própria oferta de transporte normalmente feita fora dos momentos de crise como agora. Ainda que o home office tenha ganhado terreno e o desemprego batido à porta de muitos trabalhadores, e escolas tenham fechado, portanto, com diminuição de usuários, afetando a prestação do serviço, é fato também que independentemente da pandemia o sistema de transporte, especialmente na região metropolitana de São Paulo, é deficitário. 

Focando nos trens e metrôs de São Paulo, mesmo levando-se em conta a mudança de hábito da população na pandemia, as estações nos horários de pico nos dias úteis denunciam que o sistema está saturado, requer expansão e precisa aumentar a oferta de composições e dar atenção aos intervalos, hoje longe do ideal.  Isso não é novidade ao Governo do Estado, que precisa por esse assunto nos “trilhos” ! 

Laerte Silva é advogado     

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