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ARTIGO

O trabalho continua

"A consolidação e ampliação do parque industrial instalado são uma meta, bem como a melhoria de infraestrutura dos polos empresariais e a capacitação da mão de obra"

José Francisco CaseirPublicado em 17/07/2021 às 10:11Atualizado há 11 dias

Na última semana a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp e Ciesp – conheceram a diretoria eleita para a gestão 2022/2025. Pela frente temos um grande desafio que inclui apoiar o setor na retomada pós-pandemia, aumentar a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, acelerar a implantação da indústria 4.0, além de buscar as reformas administrativas necessárias para o setor crescer e avançar. 

Aqui no Alto Tietê, além destes desafios, há lutas próprias. Na lista está a batalha contra a instalação de pedágios nas rodovias que cortam nossa região, especialmente, na rodovia Mogi-Dutra. A implantação da praça de cobrança na área do Distrito Industrial do Taboão, a maior reserva de área para uso industrial da Região Metropolitana de São Paulo com mais de 10 milhões de metros quadrados e localização privilegiada, trará uma série de prejuízos não só para Mogi, mas para todo o Estado. A medida aumentará os custos para a produção, afugentará empresas e impactará no desenvolvimento social da região. 

Temos em nossa Região mais de duas mil indústrias na área de atuação da Ciesp Alto Tietê, que abrange as cidades de Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano. O setor é responsável por 25% da mão de obra com carteira assinada, o que corresponde a 69 mil trabalhadores e é responsável por 26% do PIB gerado na região. Por isto, a consolidação e ampliação do parque industrial instalado são uma meta, bem como a melhoria de infraestrutura dos polos empresariais e a capacitação da mão de obra.  

O trabalho na Regional Alto Tietê, para a qual fui reeleito, está alinhado com a central do Ciesp, que a partir de janeiro de 2022 contará com a presidência de Rafael Cervone. A base de sua gestão para o Estado será apoiada pelos 5 Gs: Gente; Gestão; Governança com Responsabilidade Social e Ambiental (ESG); Globalização; e Gosto pela Mudança. O termo é uma referência à nova tecnologia da Internet.  

Isto evidencia a meta de avançar na implantação da indústria 4.0, que durante os últimos meses cresceu em nossa região, parte motivada pela pandemia de Covid-19, que forçou a antecipação de projetos de modernização. 

A grave crise sanitária afetou e ainda afeta a indústria de diversas formas, incluindo a dificuldade de adquirir matéria-prima, que persiste até agora, como o caso dos semicondutores que são utilizados na indústria automobilística e estão em falta em todo mundo, impactando na retomada do setor, o que impacta toda a cadeia produtiva. 

Mesmo refletindo em toda indústria, em alguns setores mais que outros, os últimos índices  demostram o início do arrefecimento das consequências da pandemia. Mostra disto é o nível de confiança do empresário da indústria que subiu pelo terceiro mês consecutivo em julho, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).  

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) bateu os 62 pontos neste mês, o que representa 0,3 ponto na comparação com junho. Já nos últimos três meses, este crescimento foi de 8,3 pontos. A marca é maior registrada para o mês em 11 anos e bastante acima da média histórica, que é de 53,9 pontos. 

O índice é um bom termômetro, mas sabemos que, infelizmente, o avanço da indústria não depende apenas da boa vontade e confiança do empresário, se dependesse disto, não enfrentaríamos tantos percalços e barreiras, já que o setor nunca esmoreceu e continuou sustentando o país e a economia. 

Por isto, a importância de avançar nas reformas administrativas, especialmente a tributária, uma luta que travamos há anos.  

O Brasil poderia estar muito à frente no desenvolvimento econômico e na qualidade de vida, se não fosse o atual sistema tributário, que é complexo e oneroso, e incapacita a concorrência de igual para igual com o mercado externo. A substituição de nossa atual carga por um Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) de padrão mundial aceleraria o crescimento do país. Um estudo  da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que um crescimento adicional do PIB poderia chegar a 12% em 15 anos.  

Os reflexos da reforma tributária serão, ainda, mais efetivos e justos se antes – ou junto – forem realizadas as mudanças administrativas, com a mais que necessária redução dos gastos públicos. Protelar as reformas significa ignorar todo o potencial do Brasil e fadar a população a viver com menos do que poderia alcançar. O papel do Sistema Fiesp/Ciesp é defender a indústria e os brasileiros, por isto, nos próximos anos continuaremos a trabalhar pelo Brasil que queremos, mais forte, competitivo e menos desigual.  

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê

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