A violência nas ruas, os piratas do asfalto, a invasão de residências, os assaltos com bandidos em motos, entre outros, tornaram-se banais no noticiário. No enfrentamento de algumas modalidades há problemas em algumas cidades por falta de estrutura para o combate.  Mas há, felizmente, profissionais abnegados que atuam com uma dedicação digna de aplauso apesar de problemas estruturais, por isso não se pode generalizar quando há omissão ou desvios. No serviço público temos pessoas do bem fazendo seu trabalho com vontade, conscientes da importância de sua função, independentemente da qualificação. A consciência, determinação e empatia refletem a qualidade da pessoa, o seu caráter.  Temos visto isso durante a pandemia da Covid-19 onde a área da saúde vem sendo exposta como nunca antes, justamente pelo empenho de vários profissionais que atuam nal inha de frente no atendimento à população.

Há, contudo, pessoas que deliberadamente destoam disso, uns poucos que não elevam a vida humana como bem precioso e resolvem trilhar o caminho da malandragem, do que são exemplo os casos noticiados de profissionais, se é que podemos chamá-los assim, que fingem estar vacinando e enganam idosos fazendo de conta que os imunizam, em total desprezo à vida, cruelmente assumindo uma postura criminosa para desviar o precioso líquido, guardando seringas do imunizante para uso próprio ou para ganhar dinheiro com a fraude.

Esse tipo de pessoa deve ser afastada sumariamente das suas funções e responder severamente pelo crime contra a saúde pública.  Como se já não bastassem os fura filas, a malandragem acabou encontrando espaço para emergir na falsa aplicação da vacina em idosos nesse momento de carência do imunizante.   

É realmente triste em nosso país, tão belo e com pessoas do bem, ver que a criminalidade e a violência grassam onde menos se espera.  Sim, o “profissional” que faz de conta que aplica a vacina comete uma imoralidade, um descaso com o idoso já tão sofrido pelo tempo, uma violência contra a vida, colocando em risco a sobrevivência de uma pessoa que deveria proteger fazendo o seu trabalho.  Esse absurdo mostra a face monstro de quem macula a imagem do serviço público e esqueceu os fundamentos do seu trabalho e o que é ser um servidor.  Iguala-se àqueles que desviam o dinheiro de combate à pandemia e que empurram para a morte os desvalidos por falta de estrutura nos hospitais. Iguala-se aos bandidos dos assaltos e homicidas. Merece pagar caro por esse crime.

Laerte Silva é advogado