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ARTIGO

O carro na estrada

Aa vida de uma administração - federal, estadual, municipal, se assemelha a um carro de quatro marchas. cada ano representa uma marca

Gaudêncio TorquatoPublicado em 24/06/2021 às 17:56Atualizado há 1 mês
Vem por aí ampla reforma ministerial. / Foto: divulgação / Agência Brasil
Vem por aí ampla reforma ministerial. / Foto: divulgação / Agência Brasil

O noticiário começa a estampar: vem por aí ampla reforma ministerial. Fala-se em troca de dez ministros. E qual seria o motivo? Escalar um time de tom substancialmente político, capaz de dar respostas às demandas partidárias e construir a fortaleza do candidato Jair Bolsonaro com vistas ao pleito de outubro de 2022. Pois é, pode até não haver uma troca tão numerosa, mas o fato é que o viés eleitoreiro estará presente em eventual escolha de novos comandantes de áreas administrativas.

Dois, três ou quatro não dariam muito na vista, mas dez? A primeira leitura é a de que a gestão federal não tem sido eficiente. Só se troca jogador em campo se ele estiver contundido ou se a tática bolada pelo técnico estiver centrada em maior ataque ou melhor defesa. Parece ser esta a intenção do técnico Jair para enfrentar seu quarto ano de governo.

Como insisto em lembrar, a vida de uma administração – federal, estadual ou municipal – se assemelha a um carro de quatro marchas. Cada ano corresponde a uma marcha. A primeira dá o empuxo na largada. O motorista testa o ambiente, olha para a frente e para os lados, fazendo o mesmo diagnóstico de governantes em mandato. E promete, sobretudo, inovar, renovar, combater a corrupção.

Na segunda marcha, o carro avança com mais velocidade, correspondendo ao segundo ano do governo, quando os governantes começam efetivamente a imprimir sua marca, depois de um enxugamento inicial. Casa em ordem, a lógica é implantar ideias novas e avançar. Mas, desde o início, o atual mandatário federal fez questão de acentuar um viés eleitoreiro.

A terceira marcha é a decolagem, com o carro andando solto e a administração, de modo equivalente, deve realizar uma bateria de obras. Ocorre que o terceiro ano se apresenta como ciclo de ajustes políticos, a etapa de atendimento ao toma lá dá cá, em cumprimento ao presidencialismo de coalizão.

Na quarta marcha, o carro, muito veloz, faz ultrapassagens, queima etapas e faz as correções para alargar a avenida eleitoral, cuja pavimentação tem início agora no segundo semestre de 2021. Mas o Senhor Imponderável sempre aparece para colocar pedras no caminho. Desta feita, os obstáculos se materializaram em um vírus mortífero, com seus filhotes, as variantes, que ceifaram a vida de quase 500 mil pessoas no país.

A pandemia trazida por estes atacantes destrói parcela da imagem dos mandatários, principalmente o do andar do chefe do Estado. São profundos os buracos na estrada, alguns fazendo estragos na suspensão do carro, como drogas sem eficácia para combater o vírus, a falta de oxigênio, a má gestão da crise. Seria possível atenuar os solavancos até outubro de 2022? Sim. Vacinas em abundância e economia jogando dinheiro no bolso das famílias.

Gaudêncio Torquato é jornalista, professor titular da USP e consultor polític

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