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ARTIGO

O calvário de Mogi

"Tanto quanto no passado muito se discutiu com a intenção de instalação de um lixão no bairro Taboão, e demandou grande e insistente mobilização, outra vez a Cidade precisa agir, unir forças políticas e envolver as cidades do Alto Tietê"

Laerte SilvaPublicado em 28/05/2021 às 18:23Atualizado há 17 dias
O Diário
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Mogi das Cruzes tem um lugar de destaque na região do Alto Tietê, possui grande área territorial, comércio diversificado, boa rede de empresas prestadoras de serviço, forte indústria, sua agricultura é pujante e importante para o Estado, sem falar no conjunto educacional composto por entidades de ensino superior que muitos profissionais formaram e são expoentes em várias áreas, tendo peso significativo na economia regional.

Conta com equipamentos de saúde e de atendimento público que atrai e trata inúmeras pessoas das cidades vizinhas.  Situada entre a Serra do Itapeti e a Serra do Mar sua localização a conecta facilmente com a capital, Vale do Paraíba e o litoral. Essa conexão especialmente pelas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga não se deu por obra do Governo do Estado, mas às custas de verba do Município e decorrente de entendimento visionário sobre a necessidade de alavancar e trazer progresso para a cidade quatrocentona. 

Estas duas rodovias aproveitam também às cidades da região do Alto Tietê, cada qual também contribuindo para o desenvolvimento regional.

Infelizmente a Mogi-Dutra e a Mogi-Bertioga estão no centro de um projeto de licitação que o Governo de São Paulo promove pela ARTESP (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) visando a concessão de rodovias no chamado lote Litoral Paulista, incluindo uma praça de pedágio em cada rodovia, sem que tais pontos de arrecadação tenham efetiva contrapartida em melhorias, pois tratam-se de duas estradas consolidadas. Protestos e ação judicial foram promovidos, e esta semana um grupo político importante e a sociedade civil protocolaram junto ao Palácio dos Bandeirantes um pedido de audiência com o governador João Doria, para mais uma vez apresentar as razões do inconformismo com o projeto e sensibilizar o governador de que não se trata de um capricho local, que o edital lançado para a concessão inclusive contém vícios.

Tanto quanto no passado muito se discutiu com a intenção de instalação de um lixão no bairro Taboão, e demandou grande e insistente mobilização, outra vez a Cidade precisa agir, unir forças políticas e envolver as cidades do Alto Tietê que também serão prejudicadas com a instalação de pedágios que significam, nada mais, nada menos, que pontos de arrecadação. Este calvário precisa acabar, se alguém tem que ser crucificado que não seja a população, se não interrompida esta aberração, mas quem precisará de votos ano que vem. Pedágio não !  

Laerte Silva é advogado

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