Há esperanças em 2021. E ela foi renovada com as garantias dos governos de que a vacinação contra o coronavírus realmente vai começar neste mês de janeiro. O caminho será longo até que toda a população brasileira tenha a oportunidade de ser imunizada, mas a perspectiva real de vencer essa doença anima o mercado financeiro e isso é fundamental para acelerar a retomada da economia, também fundamental para a saúde, pois a falta de emprego e de renda adoece e provoca impactos muitas vezes irreversíveis nas famílias.

As projeções para esse ano são de um crescimento de 4% da economia. Mas veja bem, não se trata de crescimento real. 

A concretização dessa meta significará a recuperação das perdas de 2020, quando o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro encolheu também no patamar de 4%.

O controle da crise sanitária é o pilar para a recuperação econômica, por isso, temos sim que torcer para a eficácia das vacinas. Temos aí mais de 14% da população brasileira desempregada e, agora, sem o auxílio emergencial que amenizou os problemas em 2020, o que implica em nova retração do consumo. 

Esse universo de desempregados vai procurar trabalho e a abertura de oportunidades está atrelada à recuperação econômica a qual, por sua vez, depende do sucesso no enfrentamento da pandemia. Isso para começar porque há uma série de outros desafios a serem vencidos. Alguns novos e totalmente desnecessários, como é o caso do aumento do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) aplicado pelo Estado de São Paulo, a partir deste primeiro mês do ano.

É absurdo que num momento como o atual de luta pela sobrevivência – de pessoas e de empresas -, seja preciso dispender esforços na reversão de um problema criado pelo governador de um Estado que, mesmo com a pandemia, manteve os patamares de arrecadação tributária e é referência para outras regiões do País. 

Ao invés da união de setores para discutir estratégias para o incremento da economia e geração de empregos, as mobilizações são para convencer o Estado a suspender o aumento das alíquotas. Nesta semana, o governo voltou atrás na retirada dos benefícios fiscais para insumos agropecuários e medicamentos genéricos porque caiu em si que isso refletiria nos preços dos produtos consumidos por uma população cada vez mais empobrecida. Mas isso é pouco porque há vários outros setores prejudicados com as mudanças no ICMS, que precisam ser revistas urgentemente, pois refletem em várias cadeias produtivas e impactarão o preço final de inúmeros itens, como energia elétrica, carne, leite e produtos eletrônicos.

Além desse novo desafio, a aceleração das atividades na indústria e outros setores passa ainda pelos velhos desafios das reformas tributária e administrativa. 

A agenda é extensa, mas com foco é possível avançar na derrubada dos obstáculos em 2021 e alcançar um desenvolvimento econômico e social mais justo.

José Francisco Caseiro é empresário e diretor do Sistema Fiesp/Ciesp (Federação e Cnetro das Indústrias do Estado de São Paulo) do Alto Tietê