Sujeitar: isto é que dá. 

E não poderia ter outro fim. 

Esta apatia coletiva que acontece aqui, em Mogi das Cruzes, no Estado e no Brasil, é uma doença brasileira, o mundo não está assim, onde se vê povos reagindo até na Rússia, e aqui, devastam a Amazônia, usam agrotóxicos proibidos no mundo e os costumes do patriotismo e do nacionalismo são motivos de vergonha. 

Tomar conhecimento que o ex-vereador Benedito Faustino Taubaté Guimarães, de Mogi das Cruzes, pleiteou e conseguiu na Justiça receber o dinheiro do décimo terceiro salário e das férias remonta ao despropério, ao disparate ou ao absurdo da inversão dos mandos e dos desmandos.

Não dá pra acreditar.

Notícias como esta, que veio a público nesta semana, deveriam, por cúmulo que se possa admitir, serem proibidas de divulgação, pois, além do mal-estar que provoca no cidadão, influi negativamente em uma quantidade enorme de jovens em fase de formação.

Agora, nenhum de nós sabe mais o que é ser um vereador.

Até hoje, se sabia que era um representante do povo, para legislar, deliberar e fiscalizar o Poder Executivo.

Mas, parece, nesse frigir dos ovos, que ser vereador passou a ser um mordomo confortável, que diz sempre sim para gozar, no fim, das benesses com pouquissimo esforço.

Como ser um “fiscalizador” se conclui em impropérios como esse? 

Não deveria partir dovereador a preservação dos direitos do que se deve ou não se deve? 

Do que se é direito e do que se é errado? 

Do que se pode e do que  não se pode fazer?

O vereador não é um operário. Os vereadores não se sujeitam a insalubridades e nem têm férias só uma vez por ano (aliás, eles tem recesso parlamentar duas vezes por ano, em julho e entre dezembro e janeiro).

E o operário, o trabalhador, não tem carros com motoristas a seu dispor, nem vários ajudantes, ou auxílios de correio, combustível e outras regalias. O operário não tem nada disso e a maioria ganha um salário mínimo.

Esse absurdo vai abrir um enorme precedente por aqui, às nossas custas, sem nenhum constrangimento. E, veja, a cobrança do valor das férias e do décimo terceiro salário diz respeito aos quatro anos de mandato. 

E muito pior, pela falta de reação popular ao que vai sair do cofres públicos, logo logo ex-prefeitos, ex-vice-prefeitos e por que não, também  ex-secretários, podem fazer o mesmo pleito e pelo andar da carruagem, conseguirão.

 

José Arraes é presidente do Instituto Cultural e Ambiental do Alto Tietê (Icati)