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ARTIGO

Não é por luxo, é pelo medo

Taxar a pessoa de sommelier ou de ignorante não vai mostrar a pessoa que ela pode tomar qualquer das vacinas que ela vai ser eficaz, vai apenas criar mais um conflito

Diego CapuaPublicado em 22/07/2021 às 09:19Atualizado há 7 dias

Sem análise estatística, sem dados oficiais, apenas na observação. Quem está nas idades definidas para vacinação contra a Covid-19 e busca fazer o agendamento nos sistemas da Prefeitura de Mogi das Cruzes consegue observar a velocidade com que para administração das doses se encerram. Para quem não sabe, nosso município estabeleceu um agendamento especificando o fabricante das vacinas e, apesar de um ou outro agendamento terminar primeiro, de fato, nesses dias, nunca vejo sobrar vagas. Aqui, felizmente, não existe aquela discussão desnecessária sobre a escolha.

Desde logo se possibilita ao cidadão saber a vacina que lhe será administrada e, no dia e hora designado, ele recebe o imunizante e sai do local sem a preocupação de ter sobre ele qualquer adjetivo ofensivo.

Notem que estamos há quase 8 meses ouvindo nos jornais e diversos programas os números relacionados a cada uma das vacinas, o que, de fato, contribuiu para que o cidadão fosse levado a conclusões de que se tomar uma ou outra vacina os riscos infecção pela Covid-19 seriam maiores ou menores. Por isso, alguns hoje acabam considerando esses dados e buscam um imunizante que em tese protegeria mais, e por essa preocupação, as pessoas passaram a ser ridicularizadas ou ofendidas por grupos e por uma parte da mídia.

É claro que precisamos da maior parte da população vacinada para que as coisas comecem a voltar aos eixos, porém, toda a discussão e crítica criada hoje, seriamente nada contribui para isso e, nem mesmo, surte qualquer efeito prático. Taxar a pessoa de sommelier ou de ignorante não vai mostrar a pessoa que ela pode tomar qualquer das vacinas que ela vai ser eficaz, vai apenas criar mais um conflito, podendo até mesmo a passar a prejudicar o plano de vacinação.

Vejam, não existindo essa problematização aqui em Mogi, temos que os números de imunização saltam a cada dia, com doses sendo aplicadas tão rápidas quanto são disponibilizadas, de forma que, com relação a vacinação, nossos índices são um dos melhores da região. Enquanto uns ficam buscando formas de aumentar o conflito, temos que nossa cidade direciona o esforço para o que é importante, ou seja, aplicar a vacina no braço do cidadão.

Portanto, ao invés de aproveitar um fato e com isso criar mais um conflito neste nosso já problemático país, pense um pouco. Vamos respeitar a individualidade e se alguém aparecer com alguma dúvida ou conceito sobre uma ou outra vacina mostre a ela as vantagens que todas elas possuem. 

Para a pessoa que está ali, querendo a dose de uma ou outra fabricante a preocupação dela não é o nome da vacina, mas sim, a de que ela tenha menos chances de ficar doente. Simples assim.

Diego Capua é advogado

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