O bem mais precioso que podemos desejar neste momento crítico é uma vida saudável para poder estudar, trabalhar, curtir a família e os amigos, enfim, manter uma vida social que nos traga emoções, alegrias comuns. O quadro mundial não é animador, a covid-19 impõe um regime de atividades controladas, distanciamento social, cuidados que há um ano não tínhamos, porque víamos a naturalidade das relações, mesmo com aglomeração de pessoas. 

Interessante como passamos a fazer esse questionamento inconscientemente até, o que reflete o bombardeio de informações todo o tempo com histórias e dramas familiares reportados nos noticiários.  Sim, é muito importante manter a lucidez, seja evitando a depressão pela exaustão de informações, seja pela necessidade, ainda, de cuidarmos de nós e de quem amamos.  Não há fórmula, cada um, cada família tem seu jeito e faz – ou não – o seu melhor.  Cuidar de si é cuidar dos outros.

Chegado o dia em que vimos a primeira pessoa vacinada no Brasil, coloque-se aí jogada de marketing ou não, isso foi um alento, ou seja, no país algo de concreto foi feito, para além das picuinhas políticas. 

O negacionismo do Governo Federal e seu desprezo para a gravidade do coronavírus trouxe conseqüências, a inércia contribuiu para o caos, a ponto da discussão pela nacionalidade da vacina ter dominado tanto o debate, que esqueceu-se a Presidência da República de prover e adquirir imunizantes além do produzido pelo Instituto Butantan em São Paulo. A calamidade não moveu o governo federal, este foi tentando dar respostas aos fatos quando impossível negar a crise, como no caso da falta de oxigênio para os pacientes nos hospitais de Manaus, no estado do Amazonas.

E em pouco tempo vimos os espertos também, pessoas furando a fila das prioridades para tomar vacina, ao tempo em que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, passou a dizer que haverá uma avalanche de propostas de vacina nas próximas semanas.   Tomara que ele esteja certo, pois até agora vimos a incapacidade do Ministério da Saúde dar resposta ao grave problema sanitário, certamente porque na origem da pandemia desprezou a doença, preocupando-se com a aparência de normalidade, mas confrontado com os fatos, o que nos trouxe alegria acabou por fazer cair a ficha neste mix de emoções, isto é, há pouca vacina para o tamanho da população brasileira, e portanto, continuaremos na ciranda de cuidados e com amigos indo para o oriente eterno.    

Laerte Silva é advogado