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ARTIGO

Medo de mudar ou teimosia

O Plano SP tem cláusulas pétreas e não consegue se moldar ao dinamismo da pandemia e das suas consequências. será que é medo de mudar: Ou a teimosia?

Juliano AbePublicado em 27/04/2021 às 19:08Atualizado há 15 dias

Medo de mudar ou teimosia? Existe uma linha tênue ao você julgar uma atitude, sem saber ao certo o que se passa na mente de alguém. Para uma mesma, reiterada, ação ou omissão que avaliamos equivocada, podemos concluir se tratar ou de covardia, ou também reputar rabugice.

Meu pai me dizia: “se você espera ter um resultado diferente do alcançado anteriormente, faça diferente do que fizeste previamente”. Parece óbvio!

Estamos perto do mês de Maio. Mês do dia do trabalho, da abolição da escravatura, das mães. E é também o mês em que o Plano SP do Governo do Estado faz seu primeiro aniversário.

Aprendemos muito com a pandemia e também sobre o vírus. Até sobre nós mesmos. Novos comportamentos de segurança sanitária, de solidariedade, de consumo, de ensino e aprendizagem, de trabalho, a lista é infinita e só mostra a grande capacidade do ser humano em se adaptar e evoluir, sem medo de ser feliz.

A ciência por sua vez descobriu novas cepas da covid-19, mas também desenvolveu a tão esperada vacina. Pesquisadores, no mundo, derrubaram, cientificamente, preconceitos – ou concepções tidas inicialmente – como a neurose que levou pessoas mundo afora em criar protocolos sanitários extremos para higienização de calçados ou produtos adquiridos advindos dos supermercados antes de adentrar aos lares. A inquietude, curiosidade, e a necessidade movem a ciência.

E o Plano SP?

Bem, as coletivas de imprensa, quase que diárias, ainda se prestam, por um lado, para depreciar um chefe de Estado, por outro, enaltecer as ações paulistas, e de outro, pressionar as administrações municipais que querem maior interlocução com o Palácio dos Bandeirantes.

Continuamos com as mesmas premissas e conceitos. Os mesmos indicadores. A mesma ausência de transparência nas metas de faseamento. O mesmo modelo subjetivo e falho de atribuir essencialidade a atividades econômicas (e pior, agora, entra-se em discussão sobre quais são os grupos essenciais a serem vacinados, na tentativa de burlar o Plano Nacional de Imunização).

Criar essencialidade sem objetividade, seja no funcionamento de atividades econômicas, seja na vacinação, é dar privilégios sem critérios, que por consequência produz inconsistências, onde num Estado da federação uma atividade é considerada essencial e noutro não. Buscar alinhamento e unicidade na comunicação e nas diretrizes de saúde pública, assim como no enfrentamento, tanto à transmissão, como às consequências do Covid-19, isso sim é essencial. 

O Plano SP tem cláusulas pétreas e não consegue se moldar ao dinamismo da pandemia e das suas consequências. Será que é medo de mudar? Ou é teimosia?

Juliano Abe é advogado e diretor-adjunto de Ações Regionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

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