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ARTIGO

Luta contra a violência é diária

A mulher, antes de ser vítima de feminicídio, sofreu violência psicológica, lesão corporal... Muitas procuram a polícia, mas voltam para casa por não terem outro destino

Mayara Vieira DiasPublicado em 29/04/2021 às 18:33Atualizado há 13 dias

Por dia, pelo menos cinco mulheres foram mortas ou vítimas de violência doméstica e familiar durante o ano de 2020. Este é o triste resultado revelado pelo levantamento da Rede de Observatórios de Segurança, que atua no monitoramento da violência nos estados de São Paulo, Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio de Janeiro. Lamentavelmente, a pandemia da Covid-19 fez piorar as agressões por conta da maior convivência entre agressores e vítimas por 24 horas no mesmo ambiente.

 E exatamente para combater essa violência e a aceleração destes números cruéis, resolvi atuar e desenvolver um projeto para ensinar os direitos fundamentais das mulheres, garantidos pela Constituição Federal, contra as agressões, sobre igualdade de gêneros e o respeito as mulheres.

 Tudo começou em 2009, através de palestras que faziam parte de um projeto voltado para crianças e adolescentes, apresentado junto às escolas municipais de São Vicente, onde os alunos ouviam sobre a Constituição Federal, seus direitos fundamentais. Em 2018 comecei a participar com maior ênfase na causa de combate à violência contra mulheres. 

Depois desse período de troca de informações e experiências, resolvi desenvolver uma cartilha - https://linktr.ee/AdvogadacomProposito -  que explica de forma didática as várias questões que envolvem a violência contra a mulher, como o ciclo da violência, os tipos de violência e também os canais para buscar ajuda.

 O objetivo de quem trabalha na linha de frente no combate à violência contra a mulher é proteger e salvar vidas, além de disseminar informações para diminuir todos os riscos das vítimas de violência doméstica e familiar. Pois a agressão contra uma mulher, normalmente, reflete nos filhos e demais familiares.

 Importante destacar que, em geral, a mulher, antes de ser vítima do crime de feminicídio, sofreu violência psicológica, lesão corporal ou ameaça. Muitas procuram ajuda da polícia, faz boletim de ocorrência, mas retornam pra casa, pois não tem outro destino. Entretanto, outras milhares não sabem quais são os seus direitos e os canais que podem ser utilizados em situações graves.

Não tenho dúvidas que uma mulher mais consciente de seus direitos e que tenha o respaldo das autoridades e da informação, pode salvar sua vida.

 Toda mulher deve entender que nada, nem ninguém, independente do cenário e da condição que se encontre, tem o direito de roubar o direito ao respeito e dignidade de uma mulher. Toda mulher deve criar coragem de se reconhecer num relacionamento abusivo e denunciar seu agressor. Temos que agir sempre para barrar a violência doméstica e contra a mulher.

Mayra Vieira Dias é advogada, sócia do escritório Calazans e Vieira Dias, ativista no combate à violência contra a mulher e líder dos projetos @advogadacomproposito e @justiceirasoficial

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