Uma indústria forte e competitiva é o motor da economia. Ela gera empregos e abastece a população. No Brasil, o setor enfrenta um dos maiores desafios dos últimos anos, com a escassez de matéria-prima e insumos em decorrência da pandemia de Covid-19, o que prejudica toda a cadeia produtiva. O cenário é agravado, ainda, pela inexistência de medidas econômicas para apoiar o setor produtivo, além de toda a incerteza que paira sobre o mercado. 

Levando em consideração a evolução da pandemia, a imunização lenta e a falta de medidas sérias e contundentes para conter a crise sanitária, temos três possíveis trajetórias para o crescimento da atividade brasileira em 2021.  

No primeiro, o cenário base, o Produto Interno Bruto (PIB) teria alta de 3%, já a indústria contaria com um crescimento de 4,3%. Neste ambiente, a confederação levou em consideração que as medidas de isolamento social para combater a pandemia de Covid-19 não sejam tão restritivas e duradoras como em 2020. Os dados são do Informe Conjuntural da Confederação Nacional das Indústrias.  

Na segunda previsão, mais otimista, a economia teria um crescimento mais robusto. Neste caso, são consideradas que as ações adotadas até o momento são suficientes para desafogar o sistema de saúde, o que propiciaria uma retomada das atividades de maneira mais rápida a partir de maio. No ambiente de copo mais cheio, o PIB deste ano cresceria 4,5% e o PIB Industrial aumentaria ao patamar de 6,9%. 

Na visão mais pessimista projetada pela CNI, haveria uma piora significativa da situação sanitária, o que acarretaria em medidas de distanciamento social mais duras, gerando queda na atividade econômica. Neste caso, o PIB de 2021 ficaria reduzido a 0,6%, enquanto o PIB industrial cresceria 1,3%.  

Ainda se trata de projeções e expectativas, mas o que temos de palpável e visível é a dificuldade de se obter matéria-prima e insumos. Esta situação começou a afetar o mercado nacional antes mesmo do Brasil registrar o primeiro caso de Covid-19, quando a paralisação da atividade atingiu os países fornecedores, como a China.  

A falta destes produtos desestabiliza toda a cadeia produtiva, situação que é agravada pelo aumento do dólar e a desvalorização do real, que em 2020 foi uma das moedas que mais se desvalorizou no mundo. Com isto, os insumos importados ficaram mais caros e o mesmo vale para as matérias-primas nacionais, que pautam seus preços pelo mercado internacional. 

Os lockdowns adotados localmente por regiões, inclusive no estado de São Paulo, fizeram com que atividades industriais fossem reduzidas e afetou ainda, a logística de distribuição dos produtos.  

A indústria, bem como outras atividades, incluindo o comércio e serviços, está sentindo na pele os efeitos negativos da crise sanitária, mas mesmo assim, não tem poupado esforços para colaborar com o combate à Covid-19. Empresas têm se unido para doar equipamentos, insumos e serviços para o sistema de saúde.  

O mais recente exemplo foi da Ambev, que adaptou parte de uma de suas fábricas em Ribeirão Preto, para a produção de oxigênio hospitalar. A Fiesp, através do Senai, também lidera a conversão de cilindros industriais para uso medicinal. Iniciativas importantes para minimizar o sufoco enfrentado nos municípios e não vermos se repetir a situação registrada no início do ano no Amazonas, quando pessoas morreram por falta de ar. 

O que a indústria pede neste momento é a organização, ações sérias e empatia. O Brasil bate recordes diariamente, mas recordes de mortes. Infelizmente, passamos de 300 mil óbitos desde o início da pandemia e com recordes diários de morte. Está mais do que na hora de deixar o ego e a politicagem de lado, já passou do momento de agir.  

O Brasil precisa reforçar e acelerar a vacinação, correr atrás do tempo perdido, somos o 5° país que mais vacina no mundo, mas caímos para a 60ª posição no levantamento proporcional da população. Nosso país tem dimensões continentais. 

O que pedimos são condições para continuar trabalhando, precisamos da vacinação em massa da população, e das reformas estruturais e econômicas. 

 

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê