Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), e levando em conta a crise e o pós-pandemia, o combate à desigualdade de gênero precisa fazer parte das respostas que os países estão construindo no campo do trabalho. Já a entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, também conhecida como ONU Mulheres, pontuou em um de seus relatórios a necessidade de ações de corresponsabilidade social para o alcance de uma sociedade mais igualitária. 

Recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que a participação feminina no mercado de trabalho no país caiu ao menor patamar em 30 anos. No segundo trimestre deste ano, as mulheres representaram 46,3% da força de trabalho. Esse foi o menor número percentual desde 1990, quando o índice foi de 44,2%.

O indicador evidencia que as mulheres foram as mais atingidas pela crise econômica agravada na pandemia

Na contramão destas estatísticas, o Poupatempo tem firmado posição inclusiva e apresentado uma fotografia social diferente a respeito do tema em sua estrutura. O programa do governo estadual gerenciado pela Prodesp – a empresa de tecnologia da informação do Estado de São Paulo – tem hoje 60% do quadro total de colaboradores representado por mulheres. Um excelente indicador, que equivale a 5,4 mil funcionárias ante 3,6 mil homens. Além disso, dos 75 postos existentes, 49 deles têm mulheres no comando, o que representa 65% das gerências. 

No posto Sé, o mais antigo do programa, iniciado em 1997, é uma mulher quem administra a unidade. Também fica sob responsabilidade do sexo feminino a coordenação de 21 unidades do interior do Estado – assim como é feminina a gerência das unidades localizadas na Região Metropolitana de São Paulo.  

Nestes 23 anos de existência do Poupatempo, se faz importante sempre exaltar a dedicação de todos os funcionários pertencentes ao programa tanto quanto possível – principalmente a notória, empática e organizacional força de trabalho feminina.  

Reconhecemos que há muito a ser alcançado pela sociedade como um todo em termos de igualdade e inclusão de gênero. Sobretudo, a realidade ainda demonstra que, apesar de muitas profissões serem ocupadas por ambos os sexos, ainda causa desconforto o apontamento de que os colaboradores masculinos recebem maior remuneração para realização do mesmo trabalho realizado por mulheres.  

A sociedade só será plena e justa se todas as pessoas tiverem oportunidades iguais.  Compreender o que pode ser discriminatório ou não dentro de ambiente corporativo é o primeiro passo para interferir na realidade e, dessa forma, inserir cada vez mais mulheres no mercado de trabalho. 

André Arruda é diretor-presidente da Prodesp