Em meados dos anos 60, logo após a chegada dos militares ao poder, o general de plantão na presidência, Humberto de Alencar Castello Branco veio a Mogi para inaugurar a Siderúrgica Aços Anhanguera, atual Gerdau. A festa foi no centro da cidade e Castello, sempre cercado de seguranças, foi visto passeando ao lado do prefeito da época, Carlos Alberto Lopes, pela Praça Coronel Almeida, antes do início das solenidades oficiais, defronte à Catedral. Mogi vivia dias tensos com a crise do Grupo Jafet e de sua empresa na cidade, a Mineração Geral do Brasil, cuja produção havia sido paralisada, deixando centenas de trabalhadores sem ter o que comer. Havia promessas de saques ao comércio. Um grupo liderado pelo então vereador Mauricio Najar e pelo interventor do Sindicato dos Metalúrgicos, João Theophilo de Souza, iria entregar um documento ao general pedindo a intervenção federal na Mineração e sua incorporação à Siderbrás, holding estatal que abrigava outras empresas do ramo. Najar discursou com sua peculiar ênfase, a ponto de provocar uma resposta do general. Castello Branco iniciou sua resposta, quando um ousado cidadão, trajando batina preta, se aproximou e, sorrateiro, conseguiu colocar um envelope num dos bolsos do militar. Algo impensável para a maioria ali presente. Até para o então sargento Antonio Mendes, instrutor do Tiro de Guerra, que, por pouco, não interveio na cena, por questão de segurança. Isso só não aconteceu porque ele conhecia o religioso. Era o padre Manoel Bezerra de Melo que, mais tarde, revelaria ao sargento – hoje capitão da Reserva – o conteúdo do misterioso envelope: era um pedido para que o presidente aprovasse a criação da faculdade de Medicina da UMC. Pelo visto, a ousadia do religioso, que logo viraria deputado federal, deu resultado.

No plural

Conta Sebastião Nery que Eneas da Cruz Nunes era irmão do secretário de segurança do antigo Estado do Rio, Edésio Nunes. Foi nomeado funcionário, mas saiu “Enea”. Foi ao governador da época: “Governador, quero que o Diário Oficial  conserte. Todo mundo sabe que meu nome é escrito no plural”.

Buraqueira

Certa tarde, o prefeito Waldemar Costa Filho irrompeu à Redação deste jornal. Queria saber quem fora o autor de uma reportagem que contara, um a um, os buracos existentes em uma das ruas do centro da cidade.  O repóter Kiko de Paula se apresentou: “Algum problema, prefeito?” E Waldemar: “Nenhum. Só queria dizer o senhor se esqueceu de incluir mais um buraco: o seu.” Kiko não perdeu a pose: “Então foram dois. O seu também.” Por via das dúvidas, o prefeito preferiu levar a história na esportiva.

Dores na coluna

O leitor Joel Avelino Ribeiro conta o que acontecia na antiga agência da Previdência Social em Mogi: Diz a lenda que aqui no INSS de Mogi tinha um médico perito  que quando alguém requeria aposentadoria por problemas na coluna vertebral, ele dava um jeito de deerrubar alguma coisa de cima de sua mesa. O “Doente”, querendo ser gentil, rapidamente se agachava, pegava o objeto e o recolocava no lugar. Daí a uma semana recebia  a carta indeferindo o pedido, “pois quem tem problema de coluna não se agacha com tanta rapidez e desenvoltura”.

Sabiá Laranjeira 

Laudo Natel, governador de São Paulo, foi visitar Salesópolis, onde o prefeito lhe pediu uma escola.  Natel, solícito, lhe pediu: “Me mande o croqui”. Dias depois, o prefeito bateu à porta do governador com uma gaiola. “Eu não peguei um concriz  como o senhor pediu, mas trouxe esse sabiá. O bichinho canta que é uma beleza!”

Frase 

“Se queres ser bem-sucedido na política cultiva essas grandes virtudes: a sinceridade, que é manter a palavra empenhada, custe o que custar; E a sagacidade, que é nunca empenhar a palavra, custe o que custar.

Zé Cavalcanti, o filósofo de Patos, na Paraíba