O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, definiu em pronunciamento essa semana que não há necessidade de tanta angústia e ansiedade pela definição por parte do Governo Federal de um plano de vacinação, que trata-se de uma logística simples, que o Brasil é preparado e tem condições de atender rapidamente sua população. Desde que tenhamos vacina e seringas, certo ?  Talvez falte ao m0inistro sensibilidade para perceber que a ansiedade e a angústia, como ele tratou a situação, decorrem das milhares de mortes e do aumento dos casos de contaminação, da evidente deficiência de inúmeros locais para atendimento e internação por covid-19.

O Governo Federal sempre adotou o negacionismo da doença e segue dando péssimo exemplo nos pronunciamentos e coletivas à imprensa, sem preocupação com o distanciamento social, tentando passar uma normalidade que não é real.  Tem método nisso, ou seja, se influir no comportamento do descuido e não incentivar a vacinação  - quando houver um imunizante aprovado - espera não ter que pagar a conta.   Partiu para uma briga com o governador de São Paulo, porém, vendo o mundo mover-se para imunizar a população, tenta mostrar que saiu da letargia para capitalizar algum crédito e esvaziar João Dória.

O discurso presidencial baixando a temperatura na guerra das vacinas, o vai e volta das tratativas com o Instituto Butantan de São Paulo que está produzindo a vacina Coronavac, fragiliza a postura do Ministério da Saúde na queda de braço sobre a demanda de imunizantes.   Se a curva de contágio não cai, em breve as medidas restritivas voltarão com força à pauta de todas as cidades, principalmente considerando que pelo Plano de Vacinação do Governo Federal o ápice da proteção ocorreria somente em 2022.   Ora, se para o Governo não há demanda, qual a razão de um plano nacional, não é mesmo?   

A economia não suportará ser esfolada ainda mais, empregos e negócios foram perdidos e não queremos que a Justiça determine se os negócios devem abrir ou não, como ocorre no Rio de Janeiro, cidade de Búzios, em que uma decisão obrigou os turistas a deixarem a cidade.  Questão de saúde aliada à economia que virou questão judicial. Triste que da gripezinha à dúvida de segurança de vacinas, o Governo Federal ainda faça piadas e não seja agregador.  É o fim da picada.

Laerte Silva é advogado