Essa semana, um comentário do ator Bruno Gagliasso no Twitter movimentou a rede. No comentário, ele pedia ao Boninho, diretor do programa, que na próxima escalação dos participantes do BBB verificar antes se a pessoa foi escoteira.

Bem, aos que não me conhecem, meu nome é Rodrigo Ramos, publicitário, casado, 3 filhos e participante ativo do movimento escoteiro há quase 30 anos. Não acompanho o BBB diretamente, mas qualquer passeio na internet traz informações sobre momentos marcantes do programa, então acabo acompanhando o mesmo indiretamente.

No escotismo, em Mogi das Cruzes, temos 3 grupos escoteiros, sendo que eu participo do mais antigo, fundado pelo saudoso professor e chefe Rodolpho Mehlmann, que em fevereiro completou 74 anos de boas atividades em nossa cidade. Em minha vida escoteira, tive a oportunidade de viver aventuras, conhecer amigos para toda a vida, mas principalmente, viver o “estilo de vida escoteiro”. O escotismo contribuiu para a formação de minha família, tive a oportunidade de ser diretor voluntário no grupo escoteiro Ubirajara por 10 anos e hoje atuo na formação de outros adultos voluntários.

Pessoalmente, desconheço se o ator Bruno foi escoteiro, mas sua frase é clara para qualquer um, está faltando escoteiro no BBB. E quando ele se refere ao escoteiro, é claro que é principalmente porque está faltando ética,respeito,compreensão e acolhimento, coisas tão “normais” para um escoteiro. Um escoteiro nunca “cancelaria” uma pessoa por um erro, ele mostraria o caminho certo. Um escoteiro não usa a rede social para indiretas ou lições recheadas de uma superioridade ilusória, pois ele nem tem tempo para isso, afinal, sua missão como escoteiro é construir um mundo melhor. Um escoteiro nunca sairia gritando ofensas, ou tentaria aos berros tentar diminuir o trabalho de uma outra pessoa, por mais que ele discorde do ponto de vista da outra pessoa, ele conversaria com toda a educação, afinal o escoteiro ou escoteira é cortês. 

No Grupo Ubirajara, já deve ter passado desde sua fundação mais de 6.000 jovens, que vivenciaram esse “estilo de vida” e ainda vivem, pois temos uma máxima, uma vez escoteiro sempre escoteiro. É claro que muitos tomaram caminhos dos mais diversos, e alguns continuam junto ao grupo, como é o meu caso. Nos comentários no Twitter do ator, algumas pessoas diziam que nem sabiam que existia escotismo no Brasil, e não tem como culpá-las, a instituição escoteira e os grupos, atuando de forma voluntária, acabam focando seus esforços mais para a co-educação do jovem do que para publicidade. Eu mesmo, tive acesso ao grupo porque antes de mim, meu pai foi escoteiro no mesmo grupo que já comandei e atuo como voluntário.

De qualquer forma, essa frase do ator Bruno, talvez mostre que não estão faltando escoteiros no BBB, estão faltando escoteiros na sociedade. E mais do que nunca, nossa sociedade carece de ética, valores, fraternidade, e isso o escotismo tem de sobra. Mesmo os mais jovens, os lobinhos de seis anos e meio de idade, têm desde pequeno que respeitar os velhos lobos(pessoas mais velhas), e fazer todo dia uma boa ação.

Nessa pandemia, o escotismo, assim como vários segmentos da sociedade sofreu um impacto. Estamos temporariamente sem nossas atividades ao ar livre, acampamentos, caminhadas junto a natureza. Mas de forma online, o escotismo continua a acontecer, estimulado pelos adultos voluntários deste projeto educativo que tem mais de 100 anos, que sobreviveu a duas guerras mundiais, e vai, com toda certeza passar por isso também. Se você tem filhos e procura uma atividade sadia, agregadora e que se reverta em bons exemplos ao seu filho(a), o escotismo deve ser uma opção. Não para termos escoteiros no BBB, mas para termos escoteiros em nossa sociedade, trabalhando para ajudar o próximo e construindo um mundo melhor. Pode parecer meio complexo, mas esse foi meu entendimento da frase do  Bruno Gagliasso sobre o BBB e os escoteiros.

Rodrigo Ramos é publicitário