O empreendedor que legaliza seu negócio, seja indústria, comércio ou serviço, passa necessariamente a ter que cumprir obrigações perante a prefeitura, governo do Estado e União, atender a legislação fiscal com a emissão de notas e informações decorrentes de seu faturamento, entregar declarações sobre tributos devidos, e igualmente no campo social transmitir eletronicamente dados relativos aos pagamentos que faz aos seus funcionários. As obrigações são prestadas periodicamente, mensal ou anualmente, algumas trimestrais, sendo importante a manutenção de um vínculo profissional com um contabilista habilitado. Muito embora essa assistência tenha um custo, reveste-se também de uma condição estratégica, pois no Brasil com um sistema legislativo tão plural e de carga tributária tão pesada, não se pode dar espaço a autuações por falta de cumprimento de normas legais.   Nessa pandemia o reflexo das mais variadas decisões dos governos, algumas tardias por falta de sensibilidade dos burocratas encastelados nas secretarias de finanças e ministérios, causam ao empreendedor uma apreensão maior, pois além da discussão sobre a manutenção ou não das atividades, da preocupação com a queda do faturamento, pagamento de contas, enfim, da sobrevivência do negócio, a falta de diálogo entre as esferas de poder provoca um impacto grande na tomada de decisões.   Prazos e obrigações são tratados isoladamente entre União, Estados e Municípios, deixando o contribuinte aflito com o que fazer, pois se não há uma orientação conjunta, determinar-se a paralisação dos negócios sem afrouxar as exigências acaba sufocando o empreendedor. Exemplo: uma empresa com funcionários precisa enviar os dados de sua folha para fins do Fundo de Garantia e Previdência Social, além obviamente de honrar com os salários para o qual não pode faturar, o que fazer com a contabilidade ?  Pode ela tratar de maneira informal os pagamentos e gerar depois, sem multas, os respectivos recibos e informar ao Governo Federal apenas após o retorno da normalidade ?   Seu contador pode deixar de atuar para esse fim sem ser obrigado a cumprir com prazos e obrigações tudo de uma vez  ?  Não pode. Então, como parar tudo ?Como não se fala a mesma língua entre prefeituras, governos estaduais e União, temos uma “Torre de Babel”  burocrática, com poderes executivos omissos e inertes, insensíveis aos detalhes fiscais dificultando ainda mais a combalida vida de empreendedor.  Única certeza na esfera pública é o contribuinte não ter atendimento presencial, aliás, a primeira coisa a ser decretada.  Laerte Silva é advogado