Quem achava que as esquerdas estavam nocauteadas depois da derrocada do PT se enganou redondamente.

Resultados alcançados por alguns líderes esquerdistas em redutos eleitorais importantes revelam uma realidade que muitos analistas políticos estavam longe de prever.

Alguns deles, como Manuela D’Avilla, em Porto Alegre, e Guilherme Boulos, em São Paulo, são exemplos claros desse vigor, que muita gente pensava estar praticamente abatido com a eleição de Jair Bolsonaro. 

Aqui em Mogi, temos o exemplo de Caio Cunha, cujo programa de governo sugere  certa contaminação por ideologias de esquerda. E explica a simpatia que o eleitorado jovem da cidade, os artistas e supostos intelectuais parecem ter pela sua candidatura.

Nicholas Crovitz, professor universitário e analista de investimentos, em interessante artigo publicado no Portal Mises Brasil, analisa o fato de as ideias esquerdistas encontrarem boa ressonância entre os jovens de classe média nos países desenvolvidos.

Diz ele que esse é um fenômeno que ocorre nos países mais ricos e prósperos, onde os jovens afirmam ter sentimentos positivos em relação ao socialismo.

“Em comum” diz ele, “vemos jovens de países prósperos, que vivem em meio à uma abundância nunca antes alcançada na história do mundo, exigindo mais poder estatal, mais intervenções e estatizações e menos liberdade de mercado - o mesmo mercado que lhes forneceu toda esta abundância.”

 Entretanto, é o sistema capitalista que produziu a riqueza da qual eles desfrutam. É estranho ver esses jovens acreditando que o certo é ter um Estado gerenciando tudo, como se ele tivesse o poder de regular as ambições e sentimentos das pessoas, as quais, no fim das contas, são as responsáveis pelas desigualdades que tanto mexem com as emoções deles.

É compreensível que quem sempre teve à disposição uma abundância de bens de consumo sinta-se naturalmente atraído pela utopia socialista. Quem não sabe como foi construída acha que ela sempre existiu e continuará existindo. 

Mas os jovens não têm culpa por pensar dessa forma. É o próprio sistema capitalista que os faz assim. A juventude de hoje foi criada num ambiente em que os bens de consumo estão à mão.

Mesmo os mais pobres, hoje têm celulares, televisores, computadores, automóveis, etc. Como dizia o economista Schumpeter, as pessoas que vivem num ambiente de opulência tendem a vê-la como algo consumado e se esquecem de como ela é produzida e conservada. Por isso, ele prognosticou que as sociedades capitalistas seriam destruídas pelo seu próprio sucesso. 

Já artistas e intelectuais nunca foram simpáticos ao sistema capitalista, pois as atividades às quais se dedicam opõem-se naturalmente ao espírito competitivo que orientam os mercados.

No passado, eles dependeram de mecenas para produzir, no presente precisam de um Estado provedor que os financie. 

É uma baita contradição nos termos. Vermes que corroem o cadáver que os alimenta. Mas é assim que caminha a humanidade. De contradição em contradição.  

João Anatalino Rodrigues é advogado