Obras são mais importantes que a educação, pois as obras aparecem e dão votos. A educação no Brasil vem sendo sucateada não é de agora, já vem de décadas, e agora a situação se agrava ainda mais, com a pandemia.  E principalmente com o desgoverno que está aí, que coloca no poder, à frente das pastas como a Educação, lacaios do presidente que só fazem desconstruir o pouco que existia.

Cada vez menos recursos para a educação e mais recursos para obras. Esta é a tendência evidenciada pelo desgoverno Bolsonaro,  que oficializou a sua intenção de cortar R$ 1,4 bilhão do orçamento do Ministério da Educação e destinar parte destes recursos para financiar  obras ainda em 2020. 70% deste valor, um montante de R$ 1 bilhão, seriam retirados da educação básica, destinados ao ensino de crianças. Ficam relegados ao esquecimento a reforma ou construção de escolas, a compra de livros didáticos, os programas de educação em tempo integral e de inovação tecnológica. São pontos que foram alvo de promessas de mais recursos durante a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018. O Governo compra, todos os anos,  cerca de 130 milhões de livros didáticos e, conforme o último planejamento, havia a previsão de implantar a escola em tempo integral em ao menos 102 novas unidades de ensino pelos próximos quatro anos.

Quer dizer: além do atraso no ensino, por causa da pandemia, com mais de um ano sem aulas, a educação brasileira terá que enfrentar outro apagão, o de recursos para seu funcionamento, mais do que já sofria. As escolas públicas, muitas delas, estão caindo aos pedaços, faltam equipamentos nas salas de aula, pagam muito mal os professores, o conteúdo programático para os diversos segmentos do ensino é discutível, e assim por diante. E o desgoverno vem e rouba mais dos parcos recursos que a educação brasileira precisa.

Os detalhes sobre os cortes dos recursos constam de um projeto de lei em que o Executivo pede aos congressistas autorização para abrir créditos suplementares de R$ 6,1 bilhões.

Tudo para garantir as próximas eleições, na base do custe o que custar. Será que este desgovernante acha que vai ser reeleito? Será que existe tanta gente assim que acredita nesse “militar” recusado pelo próprio exército, desse capitão desgovernado, totalmente fora da casinha? Além de todos os absurdos que fez até agora, ele é responsável, como “dono” do Ministério da Saúde, pelas milhares de mortes pela Covid 19. Fazendo campanha a favor de “remédios” sem eficácia comprovada, contra a máscara, o distanciamento físico e as vacinas. Deixou de comprar as vacinas no ano passado, quando deveria tê-lo feito, e agora tenta comprar, mas fica no final das filas, já que muitos países compraram em tempo hábil. E a vacinação vai devagar, quase parando no Brasil, por falta de imunizantes. E as pessoas vão morrendo, cada vez em números maiores.

O desgoverno acabou com a saúde, educação, meio ambiente, etc. E o interessante é que ninguém faz nada. Como se não houvesse nenhum órgão fiscalizador do governo, como se o desgovernante pudesse fazer o que quiser. Sobreviveremos a Bolsonaro?

Luiz Carlos Amorim é escritor, editor, revisor e ocupa a cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras