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ARTIGO

A CPI do “bate-boca”

A provocação do senador Flávio Bolsonaro teve endereço certo, abalar a relatoria de Renan Calheiros

Laerte SilvaPublicado em 14/05/2021 às 18:34Atualizado há 1 mês

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que foi instalada no Senado da República para apurar as ações do Governo Federal no combate à pandemia da Covid-19, teve nesta última quarta-feira um episódio lamentável, mas não surpreendente, um bate-boca entre o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão, e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o qual, apesar de não compor os trabalhos, saiu em defesa do ex-Secretário  de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten que já havia irritado os membros da Comissão em sua oitiva com respostas evasivas e contraditórias, via-se pressionado e com pedido de prisão requerida por Renan, porém, contou com o apoio de Flávio Bolsonaro que chamou o relator da Comissão de vagabundo. O clima esquentou.

Tudo isto deve-se ao fato de que o palco montado para pressionar o governo do Presidente Jair Bolsonaro serve de munição para pressões políticas rasteiras fora do foco dos trabalhos em que deveria se concentrar a CPI.  

O pedido de prisão de Wajngarten por mentir, segundo o relator Calheiros, e a explosão de raiva entre as “excelências” não seria diferente além do bate-boca mostrado ao vivo.

A provocação do senador Flávio Bolsonaro teve endereço certo, abalar a relatoria de Renan Calheiros que incomoda o Palácio do Planalto e traz apreensão para quando chegar a vez do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

Desestabilizar Renan foi o balão de ensaio, mas toda esta novela, no fim das contas, serve mais ao circo político e menos ao Brasil, que conta com mais de 400 mil mortos e segue capenga na vacinação da população por falta de articulação federal na aquisição de imunizantes.

Acredite-se ou não na culpa do Governo Federal pelas mãos do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, deixando de lado o mérito da discussão que não interessa ao Brasil, é fato que a população sofre com a falta de vacinas, e neste aspecto contra os fatos não há argumentos, avançamos no ano de 2021 com um horizonte nebuloso a respeito da proteção da população.  

A esperança que fica é que, para além da CPI do bate-boca, que serve apenas ao ambiente político, o Brasil não fique paralisado nas ações de imunização.  

A discussão é exemplo do quanto a política e o interesse eleitoreiro atrapalham a vida do cidadão e contribuinte, por falta de visão coletiva e real preocupação com a saúde pública.  Infelizmente o olhar tem focado apenas os votos futuros.     

 Laerte Silva é advogado   

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