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ARTIGO

A conta é nossa, mais uma vez

O Brasil necessita de mais investimentos em outros tipos de geradores de energia para concorrer com os atuais recursos e gerar custos mais baixos para todos

José Francisco CaseiroPublicado em 21/05/2021 às 16:33Atualizado há 25 dias
O Diário
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Basta acompanhar o noticiário. As imagens das barragens com níveis de água cada vez menores, para produção da energia elétrica ou para o consumo da população, geram uma enorme preocupação, em todos os brasileiros. 

Principalmente porque os índices cada dia mais baixos nos reservatórios nos leva a esperar pelo pior: qual dia o governo vai informar sobre ameaça de racionamento e de aumentos consecutivos na tarifa da conta de luz, paga por consumidores residenciais, comerciais e industriais..

As imagens nos telejornais brasileiros nos levam de volta ao ano de 2014, quando o Brasil encarou uma de suas maiores crises e, desde então, vem apresentando níveis baixos em seus reservatórios em épocas do ano em que eles costumavam estar bem mais cheios. Foi uma das piores secas de nossa história mais recente.

Apesar da enorme importância da utilização da água nas tarefas domésticas, na higiene pessoal – claro, na sobrevivência da população -, vou agora direcionar as atenções para a energia elétrica. E já vou logo imaginando: será que ainda não deu tempo de o governo se programar para evitar tantos problemas com a geração de energia no Brasil para evitar que a conta caia no colo dos consumidores?

Sem investimentos sérios emprojetos de infraestrutura, entramos em 2021 como em anos anteriores. Um círculo vicioso: falta de chuvas, nível de água das barragens baixo e a utilização de termelétricas. Sem água nas barragens brasileiras, nossos administradores são levados a poupar as usinas hidrelétricas. Ao mesmo tempo, passam a utilizar as termelétricas para manter o setor elétrico em atividade. 

No entanto, há anos todos sabem que as termelétricas são geradores de energia bem mais cara, o que impacta ainda mais na hora de se pagar a conta de luz.

Além desse cenário, já conhecido, para piorar a nossa situação, o preço do dólar cresce desde o início da pandemia do novo coronavírus, no início do ano passado – vale lembrar que a energia vinda de Itaipu é cotada na moeda norte-americana.

E o cenário piora ainda mais para o consumidor quando lembramos que o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), utilizado para o reajuste dos alugueis, também atua para reajustar os contratos com as distribuidoras de energia. 

Em 2020, o IGPM teve um aumento de 23,14%.

Com a ausência de investimentos no setor e a ameaça de reajustes nos preços, o impacto será enorme para o setor industrial, responsável pelo emprego de mais de 10 milhões de trabalhadores no Brasil e que contribui com cerca de 40% das exportações realizadas. Ainda mais para a região sudeste, que concentra a maior parte das indústrias, principalmente em São Paulo.

Com energia mais cara, que pode representar 40% dos custos de produção, para um setor de onde sai a maior parte dos produtos e bens que consumimos e utilizamos, surgem os reflexos para a população, como aumento no preço dos produtos. 

Com eletricidade a preços maiores, grande parte dessa cadeia produtiva é incapaz de operar, gerando atrasos na produção e queda na produtividade.

Assim, todos os setores esperam aportes na área de energia. Existem outras fontes. Não podemos viver em pleno século 21 com hidrelétricas e termoelétricas, que afetam o meio ambiente alterando trajetos de rios e que afetam toda a fauna e flora, além de uma fonte que gera uma enorme quantidade de gás carbônico, principal componente químico para gerar o efeito estufa, quando são acionadas.

O Brasil necessita de mais investimentos em outros tipos de geradores de energia, em exemplos como solar (energia do sol), eólica (utilização dos ventos), biomassa e biogás (recursos fósseis) e a marítima (força das águas) para concorrer com os atuais recursos e gerar custos mais baixos para todos. 

Caso contrário, vamos continuar com o eterno enredo de que a escassez de água é justificativa para o aumento descabido da energia elétrica, que impacta o bolso de todos, da indústria ao cidadão comum.

José Francisco Caseiro é empresário e diretor do Sistema  formado pela Federação do Estado de São Paulo (Fiesp) e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) nas cidades da região do Alto Tietê

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