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ARTIGO

80 anos, um idoso indignado

"Participei da melhor e maior obra de drenagem do bairro e da cidade no rio Tietê que até hoje preserva o Mogilar"

José ArraesPublicado em 19/04/2021 às 17:18Atualizado há 23 dias

O tempo passou rapidamente e agora, aos oitenta, daqui pra frente, serei mesmo um idoso.

Tenho absoluta certeza que fiz destes oitenta anos o melhor que pude. 

Estudei em bons colégios, sou Salesiano, fiz três vestibulares em Escolas Públicasdiferentes, tendo logrado em duas delas o primeiro lugar e na outra o terceiro, acabei não cursando a minha preferência pois a “Redentora” me interrompeu, terminei um curso superior que depois me trouxe muitos proveitos pois por concurso ingressei no Banco do Estado de São Paulo S/A, na época e até ser injustamente incorporado foi um dos melhores empregos que qualquer jovem pudesse almejar.

Fiz o CPOR do Exército Brasileiro, participei também do concurso e fui aprovado para ingressar na Academia da Força Aérea Brasileira, e para desespero de meus Pais, na época, também participei e fui aprovado para fazer o curso de Medicina na União Soviética, onde depois de formado teria que ainda ficar por lá por outros cinco anos, e claro, não fui.

Fui para Brasília em 1962, fiz o primeiro vestibular da UNB, fui segundo secretário da UNE, a União Nacional dos Estudantes, estive em Ibiúna em 1968, fui o 23º inscrito no PCB de Brasília, conheci a sede da UNE no Flamengo, na rua do Catete nº.234, no Rio de Janeiro, entrei no Banespa em 1964, refugiei-me em Manaus e residi lá por quatro anos, onde só se chegava por navio ou avião, não tinha água tratada e tomava-se água do rio Negro. 

No ano que Allende se suicidou voltei para São Paulo, fui monitorado durante muitos anos pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, vim para Mogi em 1976 já residindo na rua Poti, que mais tarde passou a se chamar rua Francisco Averaldo, no Mogilar. E morando aqui trabalhei em Arujá, Itaquaquecetuba, Santa Izabel, Poá, Ferraz, e Suzano, Guararema e Mogi das Cruzes onde me aposentei. 

Fui durante 23 anos o presidente da Associação dos Amigos do Bairro do Mogilar, e em 1997/8 participei da melhor e maior obra de drenagem do bairro e da cidade no rio Tietê que até hoje preserva o Mogilar das enchentes colossais que sofria.

Depois vieram outras ações, em defesa do rio Tietê e da preservação dos recursos hídricos do Alto Tietê e do meio ambiente.

Em Mogi das Cruzes, os meus filhos foram educados, formados e casados e é, certamente, a cidade que a minha família ficará até as nossas existências findarem.

Assim, agora octogenário, confesso o prazer em estar por aqui, onde fiz muitos amigos de ideários cidadãos e prazerosos.

E o que mais me acalenta: nunca perdi a minha capacidade de indignação diante de alguma ameaça à sociedade mogiana e a algum direito constitucional.

José Arraes é morador do Mogilar e presidente da Associação Cultural do Alto Tietê, o Icati

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