REPERCUSSÃO

Colônia libanesa de Mogi lamenta explosão, mortos e feridos em Beirute

HISTÓRIA Miguel Nagib, Fádua Sleiman e Mohamed Issa falam sobre as dificuldades vividas pelo país de origem de várias famílias mogianas. (Fotos: arquivo)

A explosão de um reservatório de nitrato de amônio em Beirute, no Líbano, tem causado comoção no mundo inteiro, sobretudo no Brasil, que é uma das maiores colônias de libaneses fora do oriente médio. Em Mogi das Cruzes, eles começaram a chegar ainda na década de 1920. Hoje representam cerca de 100 famílias com três mil membros, segundo acompanha a descendente de libaneses, Fádua Sleiman, diretora da Associação Comercial de Mogi das Cruzes.

Apesar de ter nascido em Mogi, Fádua morou por três anos no Líbano na década de 1970 e há três anos fez a última visita ao país. No país, ela ainda tem parentes que moram em Darbechtar, ao norte do Líbano, e não foram atingidos com a explosão. Alguns trabalham perto da região portuária, mas, por conta da pandemia, estão em home office. Um deles atua em hospital ortodoxo em Beirute e contou ter trabalhada noite afora no atendimento às vítimas que não param de chegar.

“A mulher dele também é médica e estava de folga, mas teve que ir trabalhar, assim como os outros profissionais da saúde. Acontece que além das pessoas machucadas, outras estão precisando de atendimento médico porque perderam conhecidos”, conta Fádua.

A família contou ainda que os brasileiros que moram em Beirute estão se mobilizando para ajudar com comida, água, doando sangue, alguns ficaram sem celular, então eles estão emprestando, outros abrigaram pessoas que ficaram sem teto. Os parentes relataram ainda que passaram a noite em claro, porque o choque foi muito grande e ainda não há uma conclusão sobre o que realmente aconteceu, se um incidente ou um atentado.

“Eu tenho primos advogados e engenheiros e eles estão se agrupando para criar uma estratégia para conseguir recursos por meio das colônias libanesas em outros países para que possam ajudar financeiramente. Ainda nem é possível levantar todo o prejuízo”, conta.

Outro descendente de libanês que também integra a diretoria da Associação Comercial de Mogi das Cruzes é Mohamed Issa. O diretor também fez contato com os familiares e um primo, um capitão do exército do Libano, relatou a difícil situação que o país atravessa.

Assim que houve a explosão, a estratégia do exército foi adotar o protocolo de atentado terrorista, em que eles dão o alerta para que todos os homens fossem para a rua, cercassem a cidade a fim de deter possíveis terroristas. Só algum tempo depois chegaram as informações corretas. A princípio, no entanto, eles cogitaram que se tratava de algum ataque de país vizinho.

“A falta de informação gerou um pânico muito grande na população, que não sabia se fugia ou se ficava em casa. Hoje o problema são os hospitais que não estão dando conta de atender a todos. Ele diz que, dependendo do tipo de ferimento, a pessoa é tratada no meio da rua mesmo”, conta.

Issa destaca ainda que o Líbano vivia uma recessão que piorou por conta da pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, 40% dos jovens estão desempregados no país e uma das medidas adotadas pelo governo causou ainda mais problemas, que é a proibição de efetuar saques em dólar. É liberado apenas em lira, que é a moeda local, mas que está valendo um terço do que valia. Com isso, até mesmo comida estava faltando aos libaneses, relata o diretor.

“Até mesmo essa situação que ocorreu pode ter ligação com a situação que o país enfrenta, porque a recessão fez com que esse material, que já estava armazenado errado e já deveria ser descartado, ficou abandonado lá”, diz.

A situação do Líbano entristece quem sabe que suas raízes vieram de lá, como o empresário Miguel Nagib. Ele nasceu em Mogi, mas os pais e alguns irmãos nasceram no país do oriente médio. Ele esteve lá por duas vezes e diz ter sido um dos lugares mais bonitos que já visitou.

“O Líbano é um país muito pequeno. Tenho um irmão que mora em Darbechtar. É uma cidade menor do que o bairro de César de Souza aqui em Mogi. Eu já vi coisas na televisão, li na televisão, mas não dá para imaginar a imensidão de tudo aquilo. Os carros virando para cima. Eu imagino o que aquilo se tornou só em dor”, pontua.


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