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VIOLÊNCIA EM MOGI

Vila Oliveira é tomada pela sensação de medo e insegurança

Vídeos com cenas de violência e invasão de casa, que viralizaram na internet, aumentam o medo no bairro

Silvia Chimello
28/05/2022 às 08:03.
Atualizado em 28/05/2022 às 11:58

Vídeo mostra um estudante sendo agredido e roubado por duas pessoas na rua Aristophanes Cataldo Éboli, esquina com a Aristeu Ribeiro de Rezende, na Vila Oliveira (Reprodução - Redes sociais)

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VIOLÊNCIA EM MOGI

Vila Oliveira é tomada pela sensação de medo e insegurança

Vídeos com cenas de violência e invasão de casa, que viralizaram na internet, aumentam o medo no bairro

Silvia Chimello
28/05/2022 às 08:03.
Atualizado em 28/05/2022 às 11:58

Vídeo mostra um estudante sendo agredido e roubado por duas pessoas na rua Aristophanes Cataldo Éboli, esquina com a Aristeu Ribeiro de Rezende, na Vila Oliveira (Reprodução - Redes sociais)

O número de ocorrências registradas pela Polícia Militar na Vila Oliveira neste mês de maio está baixo, mas é desproporcional ao sentimento de insegurança dos moradores do bairro, assustados com a criminalidade que já há algum tempo vem mudando a rotina das famílias. A sensação é de medo, o que se justifica pelas imagens das câmeras de fiscalização das casas, que mostram os casos que não são registrados em boletins de ocorrências. A Prefeitura prepara um novo sistema de monitoramento com inteligência artificial para conter a violência na cidade (leia aqui).

Segundo dados fornecidos pelo capitão PM Mauricio Magalhães, comandante da primeira Companhia do 17º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano, neste mês de maio, oficialmente, são apenas cinco ocorrências na Vila Oliveira: dois roubos de celular, um furto de bicicleta e dois roubos de carros, já recuperados. Porém, ele mesmo admite que apesar de os números não serem alarmantes, a sensação de insegurança aumentou, especialmente por causa dos vídeos que viralizaram na internet e geraram indignação e revolta dos moradores do bairro.

Um deles mostra um estudante a caminho da escola de manhã, no dia 5 deste mês, sendo agredido e roubado por duas pessoas na rua Aristophanes Cataldo Éboli, esquina com a Aristeu Ribeiro de Rezende, na Vila Oliveira. Outro vídeo é sobre um roubo no último dia 16, de uma mulher entrando de carro na garagem de casa, com seus dois netos, quando foi abordada por quatro homens armados, que entraram e fugiram levando carro, carteira e bolsa. O veículo foi recuperado pela Polícia.

As câmeras de segurança das residências monitoram 24 horas as ruas, mas nem sempre conseguem coibir a ação de suspeitos, tentando entrar nas casas, furtando lixeiras, tampas de caixas de luz, bicicletas e diversos outros objetos. Normalmente, são dependentes químicos que frequentam bairros próximos, como as vilas Natal e Nova União e outros. 

Programas como o vizinhança solidária, que aproxima a comunidade e a polícia, são apontados como uma das ações positivas para conter a violência na vila oliveira (Reprodução)

Morador no bairro há 27 anos, o gerente de projetos aposentado Jorge Tripode, disse que a Vila Oliveira sempre foi tranquila, mas mudou muito nos últimos anos, assim como acontece em outras regiões da cidade, que sofrem com a criminalidade. 

As pessoas já não têm mais coragem de sair sozinhas na rua à noite, as famílias aumentam a altura do muro, reforçam os portões, as cercas elétricas e as câmeras. “Tomamos isso como ponto base: antes de sair de casa, olhar a câmeras e se tiver algum suspeito, esperar passar.  Se percebe que tem algum grupo, chama a Polícia. Como morador é complicado, porque a gente vive uma insegurança tremenda”, afirma. 

Tripode disse que tanto a casa dele e como a de vizinhos onde mora, na rua João Da San Biagio, já foram invadidas. Ele relata casos recentes, como o de uma moradora que teve a casa invadida em um domingo às 9h, e a de outro morador, que saiu para uma volta com o cachorro e também sofreu o mesmo problema.

Para enfrentar o problema, ele acha importante que a comunidade se organize para se ajudar, como acontece com o programa Vizinhança Solidária - realizado em parceria entre a PM e grupos de moradores -, que segundo Tripode vem surtindo efeito positivo, com a presença constante da Polícia. Ele insiste também na necessidade de registrar os BOs para que a Polícia possa elaborar as estratégias de fiscalização.  

Tripodi é atuante no bairro e integra o Conselho de Segurança (Conseg) Centro - Vila Oliveira e adjacência. Ele já comandou a Associação de Moradores da Vila Oliveira e Adjacência (Anvoa) - e destaca a importância de iniciativas, como a da Sociedade Amigos da Vila Oliveira (Savo), criada recentemente para cobrar maior atenção por parte do Poder Público no que se refere à segurança.

 Violência aumenta no bairro

Não há números específicos da Vila Oliveira nas estatísticas divulgadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, mas a quantidade de ocorrências registradas no primeiro distrito, que atende bairros do centro expandido de Mogi, mostram que a violência aumentou nessa área. 

O comandante da 1ª Cia. da PM de Mogi, capitão PM Maurício Magalhães, disse que no setor específico do bairro, em maio, foram registradas apenas cinco ocorrências, sendo que em duas delas, dois carros roubados foram recuperados pela PM, mas ele mesmo sabe que os números poderiam ser bem mais elevados se todos comunicassem as ocorrências, mesmo quando são referentes a pequenos furtos.

Ele explica que a situação estava sob controle na Vila Oliveira, mas alega que as imagens dos vídeos divulgados nas redes sociais, provocaram impacto nas pessoas e aumentaram a sensação de insegurança.

De acordo com ele, o trabalho realizado em conjunto com os moradores, pela Vigilância Solidária, “ajuda muito nos resultados” apresentados pela PM, com a prisão de suspeitos e recuperação de produtos furtados ou roubados. 

O capitão comenta que houve a soltura de presidiários que passaram a circular pelo bairro. Por isso, informa que vai intensificar o policiamento no local, fazer mais rondas e blitz para deter os suspeitos e inibir o tráfico de drogas nos locais próximos, como as vilas Nova União e Natal, entre outros.

Magalhães reforça também a necessidade de as pessoas fazerem B.O., para que a Polícia tenha dados estatísticos mais realistas para definir as ações.

 Grupo tem ações

 A nova Sociedade de Amigos da Vila Oliveira (Savo), criada recentemente no bairro para tratar especialmente da questão da segurança, planeja ações e informa que inicia suas atividades com extensa demanda e agenda carregada de atividades e trabalhos. 

A entidade pretende promover reuniões para discutir as pautas, inclusive sobre uso de  ferramentas digitais para interatividade, como é o caso das redes sociais.

Sobre a repercussão dos vídeos que circulam nas redes sociais, a Savo avalia que “todo e qualquer ato de criminalidade, em um primeiro momento, traz a sensação de insegurança, em função de um eventual aumento de criminalidade, não só no bairro, mas de modo geral, como se verifica também em outras regiões”.

A entidade prefere não falar em números da criminalidade no bairro, porque diz que não dispõe de dados oficiais, mas reforça a orientação para que os moradores registrem as ocorrências.

Além do Programa de Vizinhança Solidária, trabalho realizado em parceria com a PM, mas a Savo informa que “pretende apresentar por meio da diretoria de Segurança, que possui especialistas com expertise na área, alternativas e requisições de ampliação nos trabalhos em prol da segurança do bairro”.

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